Estávamos em um estacionamento subterrâneo. Segui Zoe até um elevador, entrei e fiquei ao lado dele nos fundos; Hawvey estava na nossa frente. Eu me sentia um pouco deslocada usando moletom e jeans, enquanto eles trajavam ternos sofisticados. Após alguns minutos, o elevador parou, e as portas se abriram com um rangido. Entramos em um hall com uma entrada ampla, impecável e elegante. Acompanhei Zoe até uma grande porta.
“Esta é a sala de espera,” disse ele.
A sala era espaçosa, estava cheia de sofás e poltronas luxuosas, mesas de centro com designs modernos e vasos requintados contendo flores frescas. Uma longa mesa em formato de 'U' estava encostada em uma das paredes, e havia uma grande fonte de água no lado oposto.
“Esta será a sua mesa. Você recepcionará os clientes e oferecerá bebidas. Há uma cozinha com cafeteira e geladeira atrás de você. Dê aos meus clientes o que eles desejarem,” ele explicou, e eu concordei com um aceno de cabeça.
“Esta sala atrás da sua mesa é o meu escritório. Não permita a entrada de ninguém antes de me avisar por telefone que eles estão aqui. Eu lhe direi quando estiver pronto para recebê-los.”
“E se eles se recusarem a esperar e entrarem em seu escritório?” perguntei.
“Use sua imaginação; faça o que for preciso, apenas não os deixe entrar.”
“Entendido,” respondi, soltando um suspiro e imaginando todos os tipos de situações possíveis em minha mente.
“Se você precisar ligar para um cliente, esta tela contém todos os detalhes de cada um deles. Esta outra é a sua agenda, onde você pode marcar os horários dos clientes. Eu também tenho acesso a ela pelo meu laptop,” explicou.
“Bruna também atua como minha assistente, e ela trabalha no andar de baixo. Se precisar de algo, pode contatá-la; o número está na mesa.”
“Ok.”
“Vou pedir para que ela traga um conjunto para você com o blazer, saia, blusa, meia-calça e sapatos de salto. No final do corredor, à direita, há um banheiro para funcionários. Tome um banho, troque de roupa e faça a maquiagem,” ele instruiu, sorrindo antes de sair.
“Tudo bem,” respondi, sorrindo com a hospitalidade. Dez minutos depois, Bruna trouxe uma blusa creme, um conjunto com um blazer e uma saia azul-marinho, meia-calça preta e sapatos de salto alto pretos, todos do meu tamanho.
“Olá, acredito que estes são para você,” disse ela, sorrindo. “É um prazer conhecê-la, eu sou a Bruna.”
“Bruna, o prazer é todo meu. Meu nome é Ayla. Obrigada pelo uniforme,” disse, pegando as roupas. Bruna era magra, baixinha, com cabelos loiros e olhos azuis. Também usava um blazer e uma saia azul-marinho.
“Preciso ir agora, mas sinta-se à vontade para me ligar se precisar de qualquer coisa,” disse ela, sorrindo enquanto se virava para descer as escadas. Entrei no banheiro, tomei um banho relaxante, e admirei o lindo traje corporativo, pendurando em um gancho. A água quente fazia minha pele arder em algumas áreas, mas mesmo assim valeu cada segundo, pois era exatamente o que eu precisava depois de uma manhã tão exaustiva. Encaixei os pés na meia-calça preta, puxando-a até os quadris, deixando o elástico descansar na minha barriga; ele não era muito apertado, o que o tornava muito confortável. Vesti a saia azul-marinho e fechei o zíper; ela também me serviu perfeitamente. Coloquei a blusa creme de seda por cima da saia de cintura alta, me deleitando com a sensação suave contra minha pele. Deslizei os braços nas mangas estruturadas do elegante blazer azul marinho e calcei os saltos, que eram exatamente do meu tamanho. Encontrei uma escova e uma nécessaire de cosméticos embaixo da pia do banheiro; escovei meu cabelo e o prendi em um coque antes de aplicar base, delineador, rímel e batom vermelho. Admirei o meu reflexo; eu estava a cara da riqueza. Estava pronta para assumir meu papel de Executiva Impecável. Deixei minhas roupas antigas, meias e sapatos na penteadeira. Passando uma última camada de batom vermelho nos lábios, guardei a embalagem dourada no bolso do blazer e empurrei a porta do banheiro para sair.
Eu estava prestes a me sentar à minha mesa quando um homem entrou. Eu soube imediatamente quem ele era: Mondez, o irmão gêmeo de Hawvey. Ele me olhou de cima a baixo como se eu fosse um lanche e assobiou.
“Aparentemente, você aceitou a oferta de trabalho do meu pai,” ele disse com um sorriso.
“Sim, aceitei. É um prazer conhecê-lo, Mondez,” respondi com educação.
“O prazer é todo meu,” disse ele, pegando minha mão e dando-lhe um beijo; filho de peixe, peixinho é. Ele piscou para mim e dirigiu-se à sala à direita do escritório de Zoe. Ele parou no meio do caminho e se virou para me olhar novamente.
“Caso não tenha sido informada, este é o meu escritório. Aquela porta ao lado da sala de Zoe, é o do Hawvey. E às vezes, trabalhamos juntos no escritório do meu pai,” disse ele, sorrindo.
Sorri enquanto concordava. O telefone tocou e atendi com a voz mais profissional possível.
“Zoe Creations. Ayla falando. Como posso ajudar?”
“Aqui é o Dom King. Preciso ver Zoe o mais rápido possível.”
“Sim, senhor. Por favor, aguarde um momento.” Abri a tela da agenda e encontrei um horário livre para o dia seguinte.
“Senhor King, posso agendá-lo para amanhã às 14h.” ofereci.
“Tudo bem, nos vemos amanhã então,” respondeu o Sr. King, encerrando a chamada antes que eu pudesse me despedir. Passei o dia atendendo ligações de clientes, agendando horários e repassando mensagens. No meio do dia, olhei para cima e me deparei com Hawvey e Mondez inclinados sobre minha mesa, olhando diretamente para mim com expressões tímidas.
“Posso ajudá-los em alguma coisa?”, perguntei a eles.
“Na verdade, Ayla, há algo em que você pode me ajudar. Se puder me acompanhar até meu escritório,” disse Hawvey, com um tom sarcástico. Mondez deu-lhe uma cotovelada de brincadeira. “Apenas o ignore, ele está apenas mexendo com você,” ele disse.
“Mas adoraríamos um café,” disse Mondez, piscando e sorrindo para mim.
“Como vocês gostariam do café?” perguntei, ignorando os sorrisos maliciosos de Hawvey.
“Um café com leite sem açúcar, por favor. Prepare o mesmo para o meu irmão.”
“Tudo bem.” Dirigi-me à cozinha e encarei a imponente máquina de café industrial feita de cobre que ocupava o balcão de granito. Como eu lidaria com aquele monstro? Tentei recordar o que havia aprendido em um curso intensivo de barista que fiz há alguns anos, e me surpreendi por conseguir preparar as bebidas com maestria. Em seguida, coloquei xícaras e colheres de chá em pires separados e levei tudo de volta para os rapazes, que me observavam como se eu fosse uma deusa do café, preparando as bebidas ao estilo barista exclusivamente para eles. Coloquei as xícaras na frente deles, deixando-os visivelmente impressionados.
“Seu pai não vai ficar incomodado por vocês dois estarem aqui olhando para mim ao invés de estarem trabalhando?”, questionei e Mondez sorriu.
“Você tem toda razão, Ayla,” ele piscou para mim e voltou para o escritório com seu café na mão.
“Hawvey, volte ao trabalho você também,” ele disse, rindo. Hawvey voltou ao seu escritório com sua xícara.
“Você sabe bem como lidar com esses dois, não é?” Bruna riu. “Me conte mais sobre você. Qual é a sua idade? De onde você vem?”, perguntou.
“Vou fazer dezoito anos daqui a cinco dias. Costumava morar com meu pai, a casa fica a mais ou menos quarenta e cinco minutos a pé daqui,” respondi.
“Que ótimo. Você receberá sua loba esta semana, então!” Ela falou com entusiasmo. Eu forcei um sorriso.
“Sim, muito legal mesmo…” respondi com um toque de sarcasmo e tristeza. Nesse momento, o telefone tocou.
“É melhor eu voltar para minha mesa lá embaixo,” disse ela. Bruna desceu correndo, e pude ouvir seus saltos altos tornando-se cada vez mais distantes. Em seguida, atendi o telefone.
“Zoe Creations. Ayla falando. Como posso ajudar?”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A coitada se tornaria a Luna