Ayla
Estava em completo estado de choque, incapaz de acreditar no que Alfa Zoe havia acabado de me revelar: ele era o verdadeiro companheiro e o assassino da minha mãe. Cega de raiva, levantei e corri até a porta da cela, sacudindo as grades furiosamente.
“Você assassinou minha mãe! Você a matou!” gritei. Alfa Zoe sorriu.
“Sim, eu matei aquela vadi*! Depois de tudo o que fiz por ela! Ofereci-lhe a oportunidade de se reunir comigo novamente, e ela jogou fora como se eu não significasse nada!”
“Você matou a família inteira dela! Você assassinou todos eles a sangue frio! Ela não queria ficar com um monstro!” Gritei. O sorriso no rosto do Alfa Zoe caiu para uma expressão de raiva. Ele destrancou a porta da cela e me agarrou pelo pescoço, pressionando-me contra a parede fria de pedra.
“Do que você acabou de me chamar?” Ele rosnou, apertando minha garganta com mais força. Tentei me libertar de suas mãos, eu não conseguia respirar. Pontos pretos começaram a surgir em minha visão antes de ele afrouxar o aperto, dizendo:
“Vamos lá Ayla, me chame de monstro novamente,” ele disse em um tom ameaçador, lançando um olhar profundo e penetrante para mim. Sabia que ele me mataria se eu repetisse aquilo, então apenas balancei a cabeça em derrota.
“Foi o que imaginei,” disse ele, jogando-me no chão. Lágrimas encharcam o meu rosto, e eu estava com falta de ar.
“Patético!” Ele disse, dirigindo o olhar para mim, antes de sorrir e ir embora.
Senti que estava prestes a explodir; um turbilhão de emoções tomou conta de mim após todas as novas informações sobre minha mãe, meu pai e a matilha de onde eu vinha. Levantei-me, agarrei os lados da cabeça e soltei o grito mais alto e frustrado que consegui. Mondez desceu correndo as escadas.
“Ayla! O que aconteceu? Está tudo bem?” ele perguntou, preocupado.
“Se está tudo bem? Se está tudo bem?!” Repeti, incrédula, diante daquela pergunta idiota. “Estou trancada aqui em uma cela fria e suja, sendo forçada a me tornar sua companheira! Seu pai assassinou minha mãe! Ele dizimou toda a matilha dela! Queria estar com Richard, onde eu realmente deveria estar! E você tem a falta de semancol de me perguntar se está tudo bem?” Mondez desviou o olhar.
“Você sabia que seu pai matou minha mãe? Sabia que ele dizimou uma matilha inteira?” Mondez me encarou em silêncio por um momento.
“Sim, eu sabia. A matilha inteira conhece essa história. É por isso que a maioria dos membros teme desobedecê-lo; sabem que ele os mataria sem pensar duas vezes se tentassem alguma coisa. Todos estão cientes de que você é filha de Sasha Downfall, a última de sua linhagem. Por que você acha que os membros estavam tão ansiosos para conhecê-la quando você chegou?” Ele perguntou.
“Eu te odeio,” sussurrei. Mondez ficou tenso enquanto me olhava.
“Olha, preciso ajudar meu pai no escritório hoje. Quando voltar, passarei aqui para te visitar.”
“Prefiro que você nunca mais se aproxime de mim.” Retruquei.
“Mondez cruzou os braços com raiva e subiu as escadas. As horas passaram; chutava que talvez já fosse fim de tarde. Era difícil dizer, sem janelas ao redor. Me perguntei se Ellie teve alguma sorte em encontrar a chave da cela. Para passar o tempo, comecei a atirar pedrinhas entre as grades da porta, errando metade das vezes.”
De repente, ouvi gritos e um choro nas proximidades. Vi uma luz vindo das escadas à medida que a porta se abria. Ellie foi empurrada escada abaixo, soltando gritos enquanto tropeçava e caía.
“Por favor, Hawvey, me perdoe!” Ela soluçou.
“Não desperdice todas as suas desculpas comigo! Guarde algumas para o Alfa!” Ele gritou enquanto dava passos pesados no chão de pedra, agarrando Ellie pelos cabelos e arrastando-a para a cela ao lado da minha. Ele a jogou lá dentro e bateu a porta.
“Ellie!” Gritei. Nós nos encaramos; seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar e ela tinha alguns pequenos hematomas no pescoço.
“Ayla, eu sinto muito,” ela disse com lágrimas nos olhos, desviando o olhar.
“Flagrei minha querida companheira aqui, vasculhando as coisas do meu pai, e a obriguei a confessar o que estava procurando.” Hawvey disse com um sorriso no rosto.
“Você deveria estar trabalhando hoje!” Ellie gritou.
“Eu estava, mas voltei para casa mais cedo. Tivemos alguns imprevistos para resolver com Richard, de Pinheiro. Fui enviado de volta para organizar nossos guerreiros, apenas no caso dele tentar invadir para resgatar sua amada Ayla,” explicou Hawvey.
“Richard está me procurando?” Perguntei, esperançosa. Como ele poderia saber que estive na Zoe Creations? Ele deve ter encontrado o cartão de visita que, provavelmente, deixei cair no meu quarto.
“Não fique muito animadinha, querida,” disse Hawvey. “Aquele beta, Sanchez, e outros farejaram seu cheiro na cidade, mas depois perderam a trilha. Sanchez invadiu o nosso estacionamento subterrâneo após sentir seu cheiro novamente. Temos guerreiros da matilha fazendo patrulha todas as noites, então, como você pode imaginar, Sanchez foi capturado e está no porão desde então. Só o deixamos ver a luz do dia para interrogá-lo e dar uma surra nele.” Hawvey riu.
“Espera aí! Aquele sujeito que vocês estavam espancando outro dia era o Sanchez?” perguntei, chocada.
“Quem mais poderia ser?!” ele riu.
“Você é um canalha, Hawvey! Sabia disso?” gritei, encarando-o.
“Sim, sei muito bem, e me orgulho disso também.” Ele respondeu entre risadas.
“O que o Alfa Zoe disse a Richard?” Perguntei, tentando conseguir mais informações.
“Ele disse que você implorou por um trabalho temporário para sair da cidade, então nós lhe oferecemos emprego por alguns dias, pagamos em dinheiro, e aí você simplesmente foi embora.” Ele sorriu.
“E ele caiu nessa?” Perguntei.

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