No dia seguinte, ignorei Nancy e convidei Maria para subir em algumas árvores comigo, Teresa e com Nate. Percebi, pelo canto dos olhos, as sobrancelhas franzidas dela, já que eu e Maria raramente nos falávamos, e também nunca brincamos juntos.
“Claro!”, ela respondeu sorridente.
“Certo, vamos nessa, então.” Retribuí o sorriso e acenei para que ela me seguisse.
Nancy nos observou por um momento e, em seguida, correu para nos alcançar. “Ei, eu também quero subir em árvores, sabia?!”
Parei de frente para ela e a encarei. “Não, somente meus amigos podem participar.”
“Do que você está falando, Anthony? Sou sua melhor amiga!”
“Você nunca foi minha amiga,” rosnei, virando as costas e saindo para me juntar aos outros.
O rosto de Nancy se fechou, meio confusa.
“Você não acha que foi um pouco duro demais com ela, Anthony? Você e Nancy têm sido melhores amigos desde que eram bebês,” Frank comentou.
“Não! Fomos forçados a ser amigos, com nossas mães planejando encontros constantes desde sempre. Se ela fosse realmente a minha melhor amiga, eu não tomaria bronca todos os dias por causa dela. Nancy não existe mais para mim!” rosnei.
Frank e Joyce estremeceram e se entreolharam tristes.
“Vocês também podem vir com a gente se quiserem, mas sem a Nancy,” Frank e Joyce hesitaram no início, mas decidiram nos seguir enquanto Maria segurava minha mão com um sorriso e me arrastava em direção às árvores. “Vamos, pessoal, quem chegar por último lá em cima é a mulher do padre!”, ela disse, rindo.
“Desculpa, Nancy,” disseram Frank e Joyce, “mas também queremos ir com eles.”
Nancy encarou seus pés para esconder a lágrima que escorria por sua bochecha.
Corremos em direção às árvores, eu e Maria fomos os primeiros a chegar. Momentos depois, Frank, Joyce, Teresa e Nate nos alcançaram.
Eu podia sentir Nancy nos observando brincar à distância, mas a ignorei completamente. Agarrei-me aos galhos um após o outro e fui o primeiro a alcançar o topo. Maria subiu na mesma árvore e sentou-se ao meu lado no galho mais alto.
Frank, Joyce, Teresa e Nate escalaram os galhos grandes e grossos das árvores e ficaram confortáveis enquanto todos admirávamos a vista de Pinheiro.
“Temos muita sorte de morar aqui,” Joyce comentou.
Não poderia concordar mais com ela. Uma floresta circundava Pinheiro, com vista para as montanhas no horizonte. Os edifícios e casas seguiam o estilo vitoriano, com telhados inclinados, cercas de ferro pintadas e varandas amplas. Observei a enorme casa da matilha, e a excitação me preencheu ao imaginar o dia em que finalmente me tornaria o Alfa. No entanto, ao mesmo tempo, não pude deixar de sentir que algo estava faltando. Algo que estava corroendo meu coração e alma por dentro. Era estranho, pois nunca havia me sentido dessa forma antes.
“Está tudo bem, Anthony?” Olhei para Maria quando ouvi sua pergunta. Ela e Nancy compartilhavam dos mesmos traços faciais, com Maria sendo apenas um ano mais nova. Elas eram muito parecidas, exceto pelo cabelo mais curto de Maria e seus olhos azuis, em contraste com os olhos castanhos de Nancy.
“Sim, tudo certo. Por que a pergunta?”
“Bem, você parecia estar no mundo da lua e também um pouco triste.”
“Ah, desculpe, eu estava pensando em… coisas,”
“Sei que nunca conversamos muito antes de hoje, mas se você quiser falar sobre qualquer coisa, você sempre pode contar comigo,” disse ela em um tom esperançoso.
“Obrigado, Maria, tenho certeza de que um dia vou me abrir com você,” sorri.
Maria corou e tentou disfarçar, desviando o olhar.
“O último a descer é um ovo podre!” gritou Nate.
Todos nós descemos rapidamente e pulamos de galho em galho.
“Ganhei!”, eu disse sorrindo.
“Você só ganhou porque a Nancy não está aqui! Todo mundo sabe que ela é a mais rápida entre nós,” Joyce fez um bico.
“Se você mencionar o nome dela na minha frente mais uma vez, Joyce, você poderá se juntar a Nancy e já se considerar inexistente para mim também.”
Joyce tinha uma expressão entristecida no rosto e deu um passo para trás, enquanto Frank me encarava.
“O que acham de irmos nadar no lago de Pinheiro antes de voltarmos para a casa da matilha?” sugeriu Teresa.

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