A cidade era linda, com árvores exuberantes ao redor e muitos parques. Avistei um calçadão de lojas à frente com alguns cafés aconchegantes e lojas de roupas. Havia muitas pessoas por ali que provavelmente eram lobisomens. Senti muitos olhares indesejados sobre mim, me deparei com uma torre de vigia e entrei.
Após subir centenas de degraus e chegar ao topo, parei para apreciar a vista: Pinheiro era, com certeza, um lugar deslumbrante. Uma densa floresta verde circundava a cidade por quilômetros, tornando impossível distinguir os caminhos. Sentei-me, exausta, e balancei as pernas sobre a borda, apoiando a cabeça no corrimão. O que eu deveria fazer? A ideia de me transformar em lobisomem me apavorava, mas eu não tinha para onde correr. Mais cedo ou mais tarde, isso aconteceria, não importando onde eu estivesse. Refleti sobre a noite anterior: Richard sendo baleado, a maneira como ele me protegeu do meu pai e como meu coração doeu com o pensamento de que poderia perdê-lo.
De repente, pressenti alguém atrás de mim; Richard suspirou profundamente e sentou-se ao meu lado, balançando as pernas sobre a borda.
“Richard, me desculpe por ter fugido. Entrei em pânico e não sabia o que fazer,” expliquei.
“Quer conversar sobre isso? Miranda contou, o que ela disse para você,” disse ele.
“Como vou conseguir aceitar de boa a ideia de me transformar em um lobo? Assumir a forma de algo que morro de medo desde os meus sete anos? Não quero conhecer minha loba, Richard. Eu não quero me transformar,” chorei. Richard colocou o braço ao meu redor e me puxou para perto; seu nariz roçava no meu pescoço, causando arrepios por todo o meu corpo.
“Ayla, quero te ajudar a superar seus medos. Estarei ao seu lado na sua primeira transformação. Vou ajudá-la na transição. Não vou mentir; a primeira vez é a pior, mas fica mais fácil depois. Prometo que vou ficar com você o tempo todo,” ele disse, gentilmente colocando meu cabelo atrás da orelha.
Assenti e descansei minha cabeça em seu ombro, observando silenciosamente a vista de Pinheiro.
“Se você estiver se sentindo bem, podemos dar um passeio pelo calçadão aqui perto. Gostaria que você conhecesse algumas pessoas.”
“Tudo bem, vamos lá,” eu sorri.
“Vamos começar pela Butique de roupas da Daniela”, disse Richard. Ele abriu a porta e uma campainha tocou.
“Bem-vindos à Butique da Daniela. Como posso ajudá-los? Ah, Alfa Richard,” disse a assistente de vendas, inclinando a cabeça.
“É uma honra tê-lo aqui; já faz algum tempo,” disse ela, lançando a ele uma piscadela amigável e despretensiosa.
“E quem temos aqui desta vez?” Ela sorriu enquanto me examinava dos pés à cabeça.
“Desta vez?” Perguntei a Richard.
“Ayla, gostaria que você conhecesse Daniela; ela é a dona da loja e vai te ajudar a escolher algumas roupas,” ele disse com um sorriso e depois se virou para a dona da butique. “E Daniela, esta é sua Luna, Ayla.”
Daniela ficou boquiaberta ao escutar a palavra “Luna”, e ela inclinou a cabeça em um gesto respeitoso.
“Peço desculpas. Eu não tinha ideia de que o Alfa havia encontrado sua companheira. Como Carolina e Avanda reagiram à notícia?” Ela perguntou. Richard olhou para mim e, em seguida, para Daniela.
“Carolina descobriu esta manhã, então provavelmente irá contar a Avanda hoje, não daremos mais continuidade ao acordo.”
“Certo. Então, Luna, se quiser me acompanhar até os vestiários para experimentar algumas roupas,” ela disse.
Enquanto seguia Daniela, questionei Richard, “Quem é Avanda?”
“É apenas uma amiga minha que tem uma quedinha por mim, mas pode ficar despreocupada com relação a ela,” ele respondeu.
“Por isso que Carolina não estava muito contente esta manhã?”, Richard assentiu.
“Sim. Avanda é filha dela, e todos em Pinheiro sabem que ela deseja se tornar minha companheira e Luna,” explicou Richard.
“Ela não tem um companheiro?” perguntei.
Ele começou a explicar: “Seu companheiro morreu há dois anos em sua antiga matilha, Sherkerm, e ela foi transferida para a nossa após a morte dele. Ela contou que sofria abuso lá e havia se tornado a escrava da matilha. Carolina e Avanda decidiram fugir e se estabeleceram aqui, e com o tempo ela acabou desenvolvendo uma paixão boba por mim.” Concordei com a cabeça, aceitando a explicação, e continuei a seguir Daniela até o vestiário, onde ela havia pendurado dezenas de vestidos, tops e saias para que eu pudesse experimentar. Eu me sentia como em uma cena de filme, onde um desfile de moda estava acontecendo. Daniela começou a me oferecer uma sequência interminável de roupas glamorosas e elegantes, com uma variedade de tecidos que nunca sonhei em vestir um dia.
“Você teria algo mais casual?” perguntei.
“Você é uma Luna e deve se vestir como tal,” disse ela, sorrindo.
“Ainda não concordei em me tornar a Luna. Então, por enquanto, gostaria de usar roupas comuns, como qualquer outra pessoa, por favor.”
“Certamente o Alfa já a marcou, não é?” Ela questionou, observando meu pescoço. Segurei seu pulso antes que ela pudesse afastar meu cabelo e ver os hematomas.
“Mantenha as suas mãos longe de mim!” falei severamente.
“Luna, me perdoe! Sinto muito, eu passei dos limites. Apenas achei estranho, pois é incomum não marcar seu companheiro imediatamente, especialmente quando estamos falando da companheira de um Alfa,” ela explicou.
Daniela se retirou enquanto eu experimentava algumas roupas. Optei por três vestidos casuais, escolhi alguns pares de jeans, tops, moletons e cardigãs para combinar com os vestidos. Depois de alguns minutos, Daniela voltou com conjuntos de sutiã e calcinha.
“Estas são as roupas que escolhi. Você pode deixá-las no balcão, junto com as roupas íntimas que está segurando,” disse.
Segui Daniela até o caixa, onde ela escaneou os itens e os colocou em sacolas de compras.
“Você precisa de mais alguma coisa, Ayla?” Richard perguntou, enquanto pegava seu cartão dourado para pagar.
“Talvez uma camisola para dormir, mas não tenho certeza se eles vendem aqui.”
“Existem algumas outras lojas de roupas por aqui que podemos visitar,” ele comentou. Concordei com a cabeça, e saímos da loja. Richard insistiu em carregar as sacolas.

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