Dominic respira fundo, os músculos da mandíbula tensos sob o toque delicado dos dedos dela. Seus olhos se fecham por um breve instante, como se precisasse de um momento para conter as emoções que borbulhavam dentro dele, antes de voltarem a encontrar os dela com uma intensidade que parecia penetrar sua alma.
— De que conversa estamos falando? — Dominic questiona, sua voz assumindo um tom defensivo, embora ambos saibam exatamente do que se trata.
— A conversa que a chegada do seu tio interrompeu. — Vivienne responde, as mãos deslizando suavemente pelo rosto dele, seguindo o contorno do pescoço até pousarem em seu ombro, que ela começa a massagear em um gesto automático. — Me conte o que preciso saber sobre você. — Pede, inclinando-se, seus lábios a poucos centímetros dos dele, as respirações se misturando num momento de intimidade.
— Não lembro exatamente sobre o que estávamos falando. — Responde, a voz carregada de evasão, enquanto observa Vivienne se afastar abruptamente.
— Ah, por favor! — Exclama, a voz carregada de irritação, seus olhos, agora faiscando de indignação, cravam-se nele como se quisessem exigir uma resposta. — Irá mesmo usar essa desculpa ridícula?
— Você é especialista nisso, não é? — Rebate, sua voz firme, mas tingida de um sarcasmo afiado que a atinge em cheio. Vivienne se inclina para trás, os músculos tensos, mas antes que ela consiga se afastar, ele a segura pela mão, os dedos apertando com força, sem permitir que ela fuja. — Por um momento, só um momento, pare de fugir. — Exige, a voz grave, baixa, mas carregada de intensidade. Seus olhos a encaram com raiva, frustração e algo mais, algo que ele parece lutar para não demonstrar. — Eu te conto tudo sobre mim. Tudo. Mas você precisa fazer o mesmo. Sem mentiras, sem máscaras. — Continua, o tom mais firme, mas com um traço de súplica escondido nas palavras.
— Está quase na hora do almoço e dos seus remédios. — Declara, a voz firme, mas com um toque de frieza que não consegue disfarçar por completo. Ela puxa a mão com força, rompendo o contato, o rosto endurecido como uma máscara, enquanto os olhos traem o turbilhão de emoções que tenta esconder.
Sem mais uma palavra, ela sai da hidromassagem com passos decididos, cada movimento denunciando a tensão em seu corpo. Envolve-se rapidamente em uma toalha, como se tentasse se proteger, e então se vira para ele.
Com um gesto preciso e controlado, estende outra toalha em sua direção, o movimento seco, quase impessoal.
— Levante-se. — Ordena, a voz carregada de uma falsa neutralidade, uma barreira clara para evitar que qualquer outra emoção transpareça.
— Claro, senhorita, qualquer coisa. — Provoca, o tom deliberadamente ácido, enquanto observa a irritação dela crescer. Ele puxa a toalha com mais força do que o necessário, seus movimentos carregados de frustração. — O que foi? — Questiona, sua voz firme e cortante, enquanto seus olhos permanecem fixos nos dela, agora claramente desafiadores. — Até onde sei, até o seu nome pode ser falso. Então, não jogue a sua irritação em mim, quando é você quem insiste em se esconder atrás de mentiras.
— Me diga que conseguiu algo novo. — Exige, sem cerimônia, a impaciência nítida em sua voz ao atender a ligação.
— Bem, ainda não. — Finn admite, a voz quase cautelosa, como se já estivesse se preparando para mais uma explosão de raiva. — Como você está? — Pergunta, a preocupação sincera escorrendo em suas palavras. Ele sabia o suficiente sobre os últimos dias de Dominic para saber que a pergunta era necessária, mesmo que indesejada.
— Já estive melhor. — Responde, a voz fria, cada palavra impregnada de desinteresse em discutir sua saúde. Ele pressiona o dedo indicador contra a testa, o gesto revelando sua irritação crescente com a ideia de ficar afastado dos negócios por tanto tempo. — Preciso que você cuide das operações em Boston, enquanto supervisiona a OptiFin Solutions. — Continua, o tom carregado de impaciência controlada.
— Devo cancelar a reunião em Boston, então? — Pergunta, a risada sarcástica de Dominic ecoa pela linha, seca e afiada, deixando evidente o quanto a pergunta o irritou. — Antes de entrarmos nesse assunto. — Continua, a voz tentando soar firme. — Proponho discutirmos sobre o desentendimento da Claire com a senhorita Bettendorf. — Sugere, ciente de que esse tema irá amenizar a irritação do amigo, pela pergunta impensada.
— Desentendimento? — Repete, a confusão marcando sua voz e expressão. Sua testa se franze e ele inclina ligeiramente a cabeça, tentando compreender o que Finn quis dizer. Antes que qualquer explicação venha do outro lado da linha, seu olhar é atraído para a porta, que se abre lentamente.

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