Dominic dá um passo à frente, quase por reflexo, seu corpo posicionando-se como um escudo firme e protetor diante de Vivienne. Seus ombros se erguem ligeiramente, como se cada fibra sua clamasse por protegê-la. Os saltos finos da mulher reverberam pelo corredor, cada batida contra o piso carregada de uma precisão quase teatral, ressoando como um prenúncio inevitável. A cadência dos passos traz consigo uma presença que mistura elegância e uma ameaça silenciosa, impregnando o ar ao redor com uma tensão quase sufocante.
— Bom dia, Dom! — Natasha cumprimenta, sua voz adoçada artificialmente, cada sílaba carregada de uma simpatia falsa. Ela para diante deles, a postura impecável e altiva, mas os olhos, ah, os olhos, estes delatam a suavidade de suas palavras, percorrendo Vivienne lentamente, o desdém transbordando em cada segundo daquele olhar cortante, como se estivesse avaliando algo insignificante. — Não me diga que essa mulherzinha sem classe é...
— Mulherzinha? — Vivienne interrompe, com um riso seco, dando um passo à frente, apesar da tentativa de Dominic de mantê-la protegida. — Interessante você falar de classe quando claramente não sabe se comportar em público. — Adverte, seu olhar percorrendo Natasha de cima a baixo, devolvendo o desdém com uma frieza cortante. — Com quem você pensa que está falando? — Pergunta, sua voz firme e carregada de seriedade, cada palavra deixando claro que não está disposta a aceitar ofensas gratuitas.
— Com a vagabunda amante do meu… — A frase é abruptamente interrompida pelo som cortante do tapa. O impacto reverbera pelo corredor, como um golpe certeiro destinado a silenciar não apenas as palavras, mas também a insolência.
Natasha leva a mão ao rosto no mesmo instante, a surpresa estampada em seus olhos por um instante antes de dar lugar a uma fúria incontrolável. Seu rosto se contrai, o olhar incendiado de ódio cravando-se em Vivienne. Dominic, ao lado, permanece imóvel, mas o canto de sua boca ameaça se curvar em um sorriso que ele tenta conter, como se estivesse observando algo inevitável se desenrolar diante dele. Natasha endireita a postura, rígida e carregada de raiva, como se a humilhação fosse combustível para o fogo que queimava dentro dela.
— Como ousa me tocar? — Sibila, os olhos faiscando com fúria, enquanto sua mente fervilha com a imagem de suas mãos enrolando-se nos cabelos ruivos e desgrenhados da mulher à sua frente. Ela inclina levemente a cabeça, o olhar percorrendo os cachos indomados com um deboche visível. — Que tal passar em um salão de beleza? — Provoca, o tom carregado de sarcasmo, enquanto seus dedos deslizam lentamente por seus próprios cabelos castanhos, lisos e brilhantes, como se fossem uma obra de arte. — Talvez consigam domar esse ninho de palito de fósforo que você chama de cabelo.
Vivienne percebe quando Dominic dá um passo à frente, a tensão em seu corpo evidente, como se estivesse pronto para intervir. Mas antes que ele possa agir, ela estende o braço, tocando-o suavemente, mas com firmeza, em um gesto claro e decidido. Seu olhar encontra o dele por um breve instante, transmitindo uma mensagem silenciosa, deixando claro que pode lidar com a situação.
— Sabe qual é o maior problema de uma mulher? — Retruca, a voz firme e carregada de uma fúria controlada. Seu olhar fixa-se em Natasha com uma intensidade avassaladora, como se atravessasse suas máscaras e alcançasse suas fraquezas. — Outra mulher. Porque, ao invés de encarar os próprios erros ou admitir o que está desmoronando, muitas preferem despejar o veneno em quem não tem culpa. É mais fácil atacar uma estranha do que enfrentar quem realmente merece ser colocado no lugar.
Ele leva a mão de Vivienne aos lábios, depositando ali um beijo lento e deliberado, carregado de afeto e uma intenção que transborda em cada detalhe do gesto. A intimidade do momento faz o coração dela disparar, desordenado, enquanto um calor inevitável toma conta de seu peito, incapaz de disfarçar o impacto do toque.
Natasha, por sua vez, assiste à cena, o rosto contorcido em uma mistura de raiva, humilhação e impotência. Instintivamente, ela dá um passo à frente, o corpo carregado de tensão, pronto para encerrar aquela situação que considera ridícula, nem que fosse à força. Seus olhos brilham com uma fúria contida, cada movimento seu denunciando a proximidade de um rompante.
— Minha neta querida. — A voz grave e carregada de autoridade ecoa pelo corredor, interrompendo o momento e congelando Natasha no lugar. Dominic, ao ouvir o som, sente os músculos se enrijecerem. Seus dedos fecham-se em punho, enquanto uma onda de exasperação o invade. Ele reprime um suspiro pesado, desejando apenas um instante de sossego, longe da constante avalanche de tensões que aquela cidade insiste em trazer.

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