Vivienne permanece petrificada diante daquela proposta absurda, seu corpo tenso e rígido. Seus olhos se alargam, enquanto a incredulidade toma conta de suas feições, a realidade brutal das palavras dele instala-se como ácido em suas veias. O olhar de Grant, frio e impassível como uma sentença de morte, deixa claro que aquilo não é apenas mais uma demonstração do poder dos Muller.
— O que exatamente o senhor está dizendo? — Vivienne finalmente consegue articular, sua voz oscilando entre incredulidade e uma indignação que ameaça consumi-la por inteiro. — Não estamos falando de uma mercadoria que se negocia! — Assegura, sentindo o calor da raiva subir por seu corpo, a adrenalina pulsando tão forte em suas veias que a força a dar um passo desafiador em sua direção. — O senhor não pode simples…
— Posso, tanto que já o fiz! — Grant a interrompe, com uma satisfação quase sádica, mantendo-se inabalável, enquanto ela avança. — Sempre estive ciente da sua existência, senhorita Bettendorf. — Dispara, cada palavra carregada de veneno. — A assistente que transformou as horas extras em entretenimento particular do meu neto. — Continua, seu desprezo tão evidente que parece contaminar o ar entre eles, tratando-a como uma mancha no nome da família. A raiva que inflama o rosto dela parece apenas alimentar seu prazer cruel. — Noah tem um gosto peculiar para suas diversões, até as mais exóticas conseguem um lugar em sua cama. — Provoca, deixando claro em seu tom que, aos seus olhos, ela nunca será digna do neto. — Voc...
— Saia da minha casa! — Ordena, sua voz explodindo numa fúria que ecoa pelo apartamento, a raiva transbordando por estar sendo humilhada em seu próprio espaço.
— Não me interrompa. — Adverte, seu tom controlado, acentuando a postura elegante. — A senhorita se mostrou astuta. Quando percebeu estar perdendo sua fonte de recursos, garantiu uma gravidez, mas foi incompetente o suficiente para escolher o gêmeo errado. — Acusa, destilando desprezo em cada sílaba. — Dominic carrega complexidades que a senhorita sequer compreende. Ele não deseja filhos, não alimente ilusões sobre uma unidade familiar ou presença paterna para esse feto. — Prossegue, cada palavra meticulosamente escolhida para ferir. — Considere minha proposta como uma cortesia. — Completa, sem antecipar a resposta dela, até que ela avança num impulso, encurtando a distância entre os dois. Sua mão se ergue com firmeza e atinge o rosto dele em um golpe que ecoa pelo ambiente, pegando-o completamente desprevenido, sem qualquer chance de defesa.
— O senhor é tão desprezível quanto seus herdeiros. — Vocifera, sua indignação transbordando. — Não solicito absolutamente nada ao seu neto, tampouco exijo sua presença. Em circunstâncias ideais, eu criaria esses bebês so…
— Bebês? — Interrompe, sua mão tocando o local ainda ardente do tapa. — Gestação múltipla? — Questiona, liberando uma risada carregada de ironia. — Analise sua situação atual, senhorita. Sem recursos significativos e pretende me convencer que dispensa a participação paterna? Seja mais perspicaz. — Instrui, seu dedo indicador tocando a testa dela num gesto deliberadamente ofensivo, forçando-a a recuar, provocando uma expressão de fúria. — Qual seu preço para encerrar essa gestação indesejada? — Reitera, convicto da natureza negociável de tudo.
— Indesejada? Somente por parte dos senhores. — Rebate, suas mãos assumindo uma postura instintivamente protetora sobre o ventre. — Dedicarei minha existência à proteção destes bebês se necessário. São meus filhos, e o amor que sinto por eles transcende qualquer valor monetário que o senhor possa oferecer. — Expressa, sua determinação evidenciando-se em cada palavra. — Não existe quantia suficiente para me fazer considerar tal proposta. — Afirma, mantendo sua dignidade diante da risada carregada de desdém.
— Todos possuem seu preço, senhorita Bettendorf. Qual seria o seu? Dez, vinte, cem milhões de dólares? — Sugere, cada cifra pronunciada carregando mais desprezo que a anterior, como se estivesse negociando uma mercadoria qualquer. — A senhorita demonstra uma admirável, ainda que tola, determinação. Contudo, sejamos práticos quanto à situação. Sua atual condição financeira dificilmente proporcionará o padrão adequado para um Muller, imagine para dois ou três. — Continua, seu tom carregando aquela arrogância característica de quem sempre teve tudo.
— Sou uma mulher que ultrapassa os limites da sanidade quando se trata de proteger meus filhos de criaturas da sua espécie. — Declara, seu olhar emana uma fúria tão intensa que faz o ar entre eles parecer denso. — Cada ameaça que ousar proferir será respondida com retaliação, grave bem isso. — Afirma, sua postura transforma-se numa muralha de determinação selvagem. — O senhor ignora evidentemente o que uma mãe consegue fazer. Nunca mais ouse ameaçar a existência dos meus filhos, ou descobrirá pessoalmente as profundezas do meu descontrole. — Adverte, recuando como uma predadora acuada, a lâmina ainda apontada com precisão mortal. — Agora, arraste-se de volta para o inferno que saiu, antes que eu decida redecorar estas paredes com seu sangue azul. — Conclui, suas mãos tremendo numa mistura explosiva de adrenalina e terror contido.
— Senhorita Be…
— Desapareça da minha frente! — Vocifera, avançando novamente com a lâmina apontada na direção dele, forçando-o a um recuo desajeitado. — Jamais ouse contaminar meu ambiente com sua presença novamente. — Finaliza, a porta fechando-se com um estrondo que ecoa pelo corredor. A faca escapa de seus dedos entorpecidos, o metal tilintando contra o piso enquanto suas mãos voam à boca, tentando conter as emoções que ameaçam transbordar.
— A senhorita descobrirá o preço de sua insolência. — Grant resmunga, através da madeira, seu coração ainda acelerado contra o peito, o vermelho de seu sangue, ainda manchando o branco de sua camisa, enquanto se encaminha aos elevadores, sua dignidade tão ferida quanto sua carne.

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