Dominic para diante da poltrona, seus dedos ajustando o tecido do roupão com uma calma aparente que contrasta com o calor pulsante que ainda percorre seu corpo. Seus movimentos são lentos, enquanto sente o olhar de Vivienne queimá-lo, seus olhos seguindo cada passo dele como se não conseguisse desviar. Ela permanece estirada na cama, os lençóis mal cobrindo seu corpo ainda arrepiado, seu peito subindo e descendo em um ritmo acelerado, denunciando o resquício das sensações intensas que ainda a envolvem.
— Está esperando alguém? — Vivienne pergunta, com curiosidade suave, observando-o amarrar o roupão com gestos precisos.
— Não. — Dominic responde, os olhos ainda consumindo cada detalhe dela com um desejo que parece insaciável. Um sorriso sutil curva seus lábios, enquanto ele ajusta o roupão sobre os ombros largos. — É apenas a farmácia. — Acrescenta, virando-se e deixando o quarto, mas o rastro de sua presença e o peso daquele olhar permanecem no ar.
Caminha com passos firmes e decididos, mas sua postura denuncia um leve resquício da intimidade que acabaram de compartilhar. Ao atravessar o corredor, a intensidade do momento ainda pulsa nele, até que seus dedos tocam a maçaneta da porta de entrada.
Ao abri-la, porém, toda a suavidade se dissolve, dando lugar a uma expressão cuidadosamente composta, mascarando seu incômodo. Seus olhos se estreitam, e o calor que ardia em seu olhar minutos atrás é substituído por uma frieza meticulosa, cada detalhe de sua postura exalando controle absoluto.
— Definitivamente, não era você que eu esperava. — Declara, com uma calma cortante. A sobrancelha arqueada e o tom de desagrado que colore sua voz deixam claro que sua paciência é curta.
— Vovô mencionou seu incidente de ontem. — Noah articula, com dificuldade, através da mandíbula fraturada, cada palavra um exercício doloroso. — Como está se sentindo? — Pergunta, uma preocupação genuína transparecendo por trás do rosto machucado.
— Estou bem, Noah. — Responde, secamente, mantendo a porta estrategicamente semicerrada, criando uma barreira física entre eles.
— Posso entrar? — Insiste, notando a hesitação calculada do irmão.
— Noah, não é um momento apropriado. — Dispara, com firmeza, tentando evitar qualquer situação que possa perturbar Vivienne. — Volte em outra ocasião.
— É importante. — Retruca, forçando passagem com um movimento brusco que arranca um suspiro exasperado de Dominic. — Você seria mais feliz se eu tivesse morrido no lugar do Troy? — Pergunta, abruptamente, as palavras caindo entre eles como uma bomba, fazendo Dominic se virar bruscamente, seus olhos se estreitando, enquanto encara o irmão.
— Que tipo de pergunta insana é essa? — Questiona, a raiva borbulhando sob sua compostura habitual, a porta fechando com força atrás dele.
— Não há nada para discutirmos sobre ela. — Afirma, a voz soando firme, quase cortante, enquanto mantém o olhar fixo no irmão. — Apenas mantenha distância, Noah. Não é um pedido, não é uma sugestão. — Declara, dando um passo à frente, sua presença preenchendo o espaço, o tom baixo e ameaçador. — É uma ordem. E você sabe muito bem o que acontece quando alguém me desobedece. — Finaliza, as palavras finais carregam uma gravidade que transforma a advertência em uma ameaça, deixando claro que ele não permitirá nenhuma aproximação que desafie seus limites.
— Sei que, infelizmente, ela está grávida de você. — Lamenta, sua voz tingida de algo entre provocação e amargura. — Mas, você precisa entender uma coisa, Dominic, eu não consigo ficar longe dela. — Afirma, com uma honestidade que surpreende a ambos, observando a expressão do irmão endurecer perigosamente.
— Continue. — Ordena, com calma, embora já antecipe as palavras que farão seu controle ruir.
— Porque amo a Vivienne, Dominic. — Admite, suas palavras são interrompidas pelo som agudo de algo caindo no corredor. Ele levanta-se num movimento brusco, seus olhos fixos na porta que o corpo do irmão protege como uma fortaleza. — Você está acompanhado? — Pergunta, recebendo apenas um aceno afirmativo que faz seu coração falhar uma batida. — A Claire está aqui? — Questiona, um nervosismo crescente percorrendo seu corpo quando Dominic nega com um movimento de cabeça. — Quem está lá dentro, Dominic? — Indaga, com uma urgência que beira o desespero, apontando para a porta como se pudesse atravessar as paredes com seu olhar.
— Vivienne. — Responde, com simplicidade, observando as emoções transformarem o rosto do irmão numa mistura conflitante de surpresa, compreensão e uma fúria primitiva que ameaça explodir.

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