— Ah.
Rita arrastou a sílaba, um brilho travesso iluminando o olhar:
— Minha mãe adora orquídeas.
Amado concordou, com um tom sério:
— Perfeito, anotado.
Ele fez uma pausa e perguntou novamente:
— E o seu irmão? Tem algo de que ele goste muito?
Rita sorriu e balançou a mão:
— Ah, ele não precisa de nada especial.
— O futuro cunhado também é muito importante.
Amado parou o carro no sinal vermelho e, com movimentos rápidos, enviou uma mensagem pelo celular:
— Sendo da mesma família, tenho que tratar todos por igual. Não posso favorecer uns e esquecer dos outros.
Rita o observou com aquela expressão séria e soltou um murmúrio suave de compreensão.
Naquele momento, Amado virou a cabeça e pousou o olhar no rosto dela, os olhos cintilando com um sorriso:
— Fique tranquila, o seu presente também já está garantido.
O coração de Rita se encheu de calor. Ela não resistiu a pegar o celular, tirar uma foto do perfil dele e enviá-la para a mãe, junto com a mensagem: "Mãe, seu futuro genro vai nos visitar amanhã."
Em pouco tempo, a resposta de sua mãe pipocou na tela:
"Que ótimo! Mas se ele estiver muito ocupado, podem vir em outro momento, não há pressa."
Rita sorriu com os olhos e respondeu rapidamente: "Ele disse que está livre. Mãe, não esqueça de avisar ao pai."
Logo a tela do celular acendeu com um simples "Tá bom", mas, entre aquelas letras, era quase possível sentir a alegria de Marisa.
O carro estacionou na garagem do prédio e Rita enganchou o braço no de Amado enquanto caminhavam até o elevador. Ela ergueu a cabeça para ele, com um sorriso brincalhão:
— O Sr. Nunes tem tanta inteligência emocional e, com certeza, não faltam pretendentes. Como conseguiu ficar solteiro até agora?
De repente, ela se lembrou da descrição que sua mãe fizera antes de se conhecerem. Na época, ela chegou a imaginar um homem de meia-idade, careca e barrigudo. Quem diria que, ao vê-lo pessoalmente, encontraria alguém tão elegante e atraente?
— No passado, já tentaram armar encontros para mim, mas recusei todos.
Amado abaixou os olhos para encará-la, o polegar acariciando de leve a pele de seu pulso, com uma voz serena, mas sincera:
— Naquela época, eu não tinha cabeça para pensar em relacionamentos.
— Faz sentido.
Rita sorriu, erguendo-se nas pontas dos pés para sussurrar no ouvido dele:
Amado caminhou até o quarto, sua risada baixa e envolta em doçura:
— Não quero fazer você esperar.
Ele a colocou com delicadeza sobre a cama macia e debruçou-se sobre ela, o nariz tocando o dela.
Rita olhou para cima, o olhar transbordando de desejo, a voz como um sussurro tímido:
— Vai devagar...
O pomo de Adão de Amado moveu-se sob a pele. Ele se inclinou e beijou o canto da boca dela, o tom indulgente, quase conformado:
— Farei o meu melhor.
Ele já estava prestes a descer para beijá-la novamente quando sentiu seu pulso ser segurado delicadamente por ela.
Os dedos de Rita enroscaram-se nos botões de sua camisa, quentes como brasa, e os olhos dela cintilaram de pura travessura:
— Dessa vez... eu fico por cima.
Amado arqueou uma sobrancelha, mas antes que ela pudesse agir, ele girou os corpos em um movimento fluido, trocando-os de posição na cama.
A posição dos dois se inverteu num piscar de olhos.
Apoiando as mãos nas laterais dela, ele contemplou a surpresa nos olhos de Rita, soltando uma risada suave:
— Seja boazinha, deixe isso comigo.

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