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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 415

Ponto de Vista de Mia

— Melhor? — Kyle perguntou.

A voz era baixa. Rouca.

As mãos dele ainda estavam na minha cintura. Quentes através do tecido fino do vestido. Eu conseguia sentir cada dedo individualmente. E a pressão.

Por um segundo, elas demoraram. Os polegares pressionaram levemente contra as minhas costelas. Sem me puxar para mais perto. Sem me afastar. Só... segurando.

Depois soltaram.

— Muito melhor — disse eu.

A voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Mais suave. Como se algo tivesse mudado na minha garganta sem pedir permissão.

Kyle se abaixou e pegou os dois sapatos. Meus saltos ridículos que custavam demais e doíam demais.

Os segurou com uma mão, as tiras entrelaçadas, balançando pelos dedos dele.

— Eu carrego — ele disse.

Continuamos andando.

O caminho curvava à nossa frente, o mármore branco brilhando pálido no escuro. Em cada lado, os jardins se estendiam. Mais perfeição bem cuidada. Mais paisagismo caro. Arbustos moldados em padrões geométricos. Flores que provavelmente tinham nomes longos em latim.

Os sons da festa chegavam até nós pela distância entre nós e eles. Risadas que pareciam vir de todo lugar e de lugar nenhum. Música com um grave tão profundo que eu o sentia no peito mesmo daqui. Respingos da piscina. Vozes subindo e descendo como ondas.

Tudo distante agora. Abafado. Como se estivesse acontecendo com outra pessoa. Como se Kyle e eu tivéssemos atravessado alguma barreira invisível para um mundo diferente onde o som funcionava de outro jeito.

Os meus pés descalços faziam pequenos sons no mármore. Passos suaves. A pedra estava fresca, mas não fria. Lisa. Provavelmente alguém lavava esse caminho com mangueira toda manhã. Provavelmente havia uma equipe inteira dedicada a manter esses jardins. A garantir que cada pedra estivesse no lugar. Cada folha sem amassado.

Eu conseguia ouvir a respiração de Kyle ao meu lado. Aquele som áspero que os pulmões dele faziam agora. Não era terrível. Não era o chiado que vinha quando ele se esforçava demais. Só um lembrete de que cada respiração exigia esforço.

A minha própria respiração estava apertada. Mas não pelo esforço. Por outra coisa. Algo que se instalava no peito e pressionava contra as minhas costelas.

— Estou cansada — disse eu.

As palavras saíram antes que eu pudesse detê-las. Antes que eu pudesse pensar no que significavam. No que estava admitindo.

— Eu sei. — A voz dele era gentil.

— Não. Eu quero dizer... — Parei de andar. Me virei para encará-lo.

Parei de novo.

— Eu sei — ele disse outra vez.

A mão de Kyle encontrou o meu cotovelo. Os dedos se fecharam ao redor dele.

— Senta — ele disse.

Não era uma sugestão. Era uma instrução. Gentil, mas firme.

Havia um banco. Pedra branca, mármore provavelmente, porque aqui tudo era mármore. Encosto curvo. Assento largo. Posicionado perfeitamente para olhar para os jardins em direção ao brilho distante da festa.

Sentei. A pedra estava fria sob as minhas coxas mesmo através do vestido.

Kyle sentou ao meu lado. Colocou os meus sapatos no chão ao lado do banco. Com cuidado. Como se fossem mais importantes do que eram.

Me recleinei contra a pedra. Deixei a coluna se amoldar a ela. Deixei a cabeça pender para o céu.

As estrelas.

Meu Deus, as estrelas.

O céu estava limpo. Completamente limpo. Nenhuma nuvem em lugar algum. As estrelas visíveis apesar de todas as luzes do local. Milhares delas.

Aquelas estrelas eram brilhantes. Nítidas. Como se alguém tivesse furado buracos em veludo preto e a luz estivesse jorando pelo outro lado.

Eu tinha esquecido. De alguma forma eu tinha esquecido como as estrelas eram quando você conseguia realmente enxergá-las.

— Esqueci que estrelas eram assim — disse eu. A voz soou distante. Sonhadora.

— Como assim?

— Como algo que importa.

Kyle ficou quieto. Só ficou sentado ali ao meu lado. O rosto também voltado para cima.

Os dois olhando para o mesmo céu. Vendo a mesma distância impossível.

Os meus olhos estavam pesados. Aquela pesadez particular que vinha de muito trabalho e pouco sono e uísque no estômago vazio deixando tudo suave nas bordas. As pálpebras queriam fechar. Ficavam tentando fechar. As forcei a abrir.

Piscaram. Com força.

Uma vez. Tentando limpar o borrado.

Duas vezes. Tentando me manter presente.

O meu corpo inteiro parecia feito de areia. Pesado. Solto. Pronto para desabar.

A cabeça tombou e de repente estava apoiada em algo sólido.

Era o ombro de Kyle. O tecido do paletó dele era macio contra a minha bochecha. Eu conseguia sentir o cheiro dele. Aquele perfume particular que era só Kyle. Sabão. Algo amadeirado.

Eu estava tão cansada.

Tão impossivelmente cansada.

— Só um minutinho — murmurei contra o paletó dele.

As palavras saíram um pouco arrastadas. O sono as puxando.

A mão de Kyle subiu. Devagar. Com cuidado. Como se temesse que um movimento brusco pudesse me assustar.

Os dedos tocaram o meu cabelo. Só o mais leve roçar. A palma acomodou o lado da minha cabeça. Gentil. Amparando.

Sem me puxar para mais perto. Sem me afastar. Só... segurando. Como se a minha cabeça fosse algo precioso. Algo que precisava de proteção.

— Tudo bem — ele disse baixinho. A voz ressoou pelo peito dele. Eu conseguia sentir contra a minha bochecha. — Só um minutinho.

O polegar se moveu. Só uma vez. Uma pequena carícia na têmpora. Ali e foi embora tão rápido que eu poderia ter imaginado.

As estrelas desfocaram acima de nós.

Não sumindo. Só suavizando nas bordas. Se misturando. Como se tudo estivesse se tornando aquarela. Como se a realidade estivesse se tornando algo mais gentil.

Fechei os olhos.

Só um minutinho.

As mãos dele encontraram o meu tornozelo. O pé esquerdo desta vez. Os dedos eram cuidadosos. Gentis. Como se o meu tornozelo fosse algo frágil.

Ele levantou o pé levemente. Enfiou o sapato. O polegar pressionou contra o meu calcanhar. Garantindo que assentasse direito. Depois os dedos encontraram a fivela minúscula. A mesma com a qual eu estava brigando. Ele fechou em segundos.

Depois passou para o pé direito. Da mesma forma.

Voltamos caminhando em direção ao pavilhão. Mais devagar desta vez. Os pés gritando nos saltos de novo.

A música foi ficando mais alta conforme nos aproximávamos. O grave vibrando pelo chão. Pelo mármore. Pelos ossos dos meus pés.

A festa tinha ficado mais barulhenta. Mais caótica. Mais gente na piscina agora. A água agitada. Corpos por todo lado. Rindo. Espirrando água. Um casal se beijando na parte rasa.

A música tinha mudado para algo com mais grave. Algo primitivo. Algo que fazia o peito vibrar. Que fazia o pulso tentar acompanhar a batida.

Encontrei as crianças imediatamente. Numa mesa perto da piscina, mas longe o suficiente para não correrem o risco de levar respingos. Sophie de um lado. Nate do outro.

Os três tinham sorvete. Em formato de cisne. Rosa e branco. Confeitaria elaborada que provavelmente exigia um diploma de gastronomia para ser criada.

O rosto de Alexander estava coberto de rosa. A boca inteira. As bochechas. De alguma forma até a testa. Madison estava comendo o dela com cuidado. Usando uma colher. Dando pequenas mordidas. Ethan já tinha terminado o seu e agora estava explicando algo para Nate com gestos elaborados. Provavelmente sobre como sorvete era feito. Ou a estrutura molecular do açúcar. Ou algo igualmente do estilo Ethan.

— Tá vendo? — disse Kyle ao meu lado. — Bem.

Ele estava certo.

Eles estavam bem. Mais do que bem. Estavam felizes.

Um garçom materializou ao meu lado. Silencioso. Eficiente. Segurando uma bandeja de bebidas.

Peguei uma. Não olhei o que era. Só peguei. Levei aos lábios.

Não era uísque desta vez. Algo transparente. Frio. Vodca provavelmente. Com limão. O sabor afiado. Limpo.

Tomei um gole. Depois outro. Maior desta vez.

A música estava tão alta que era difícil pensar. Difícil fazer qualquer coisa além de sentir ela se movendo pelo corpo.

Pessoas por todo lado. Dançando no piso de vidro que pulsava com luzes coloridas. Rindo nas cabanas. Alguns ainda na piscina. Outros agrupados ao redor do bar de gelo. Ao redor da estação de sobremesas. Ao redor das lareiras.

A piscina se estendia à minha frente. Luz azul-esverdeada. Água em movimento. Sombras e claridade se deslocando. O escorregador ainda funcionando. Adultos usando agora. Homens e mulheres crescidos gritando como crianças ao descer para a água.

Fiquei ali parada. Taça na mão. Olhando sem realmente ver.

A cabeça estava turva. A vodca se misturando com o uísque de antes. Com o cansaço. Com tudo.

Então...

Alguém se movendo rápido. Rápido demais.

Um corpo. Sólido. Pesado.

Bateu em mim.

O meu equilíbrio cedeu. O corpo inclinando para frente.

Tentei me segurar. Joguei o peso para trás. Mas os pés nesses saltos malditos não conseguiam aderir ao mármore direito. A pedra lisa não oferecia atrito. Não oferecia apoio.

Os braços rodaram. Tentando encontrar equilíbrio. Tentando encontrar qualquer coisa.

Não consegui.

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