Ela segurava a mão de Beatriz, cada palavra recordando a vida feliz que tinham no passado.
Os olhos de Beatriz arderam. Ao lembrar da doçura e do aconchego de antes, a realidade sempre lhe dava um tapa na cara...
Ela mordeu o lábio inferior:
— Mãe, hoje à noite vamos jantar só nós duas em casa. O papai e o Thiago estão ocupados, ligo para ele mais tarde.
— Deixa para lá... — Marta sorriu. — Eles estão ocupados com o trabalho, não vamos incomodar. Bia, você também está quase se formando. Quando chegar a hora, vai trabalhar no hospital do seu pai?
Beatriz respirou fundo, reprimindo a dor aguda no coração, e deu uma resposta evasiva à mãe.
O elevador chegou ao 18º andar.
Beatriz abriu a porta, e Marta entrou normalmente.
Porém, ao ver a decoração da casa, foi como se ela tivesse sofrido algum tipo de choque.
— Esta não é a nossa casa, não é! Onde estamos?!
Marta agarrou a cabeça e gritou de agonia.
— Mãe, mãe... — Beatriz segurou a mãe, que se debatia. — Você se esqueceu? Este é o apartamento que aluguei perto da faculdade. Por enquanto, não vamos voltar para a casa dos Cavalcante, você vai ficar aqui para cuidar de mim por alguns dias, está bem?
Ela tentava acalmar a mãe.
Aos poucos, as emoções de Marta se acalmaram.
Sua memória começou a falhar novamente, e ela murmurou, delirante:
— Você e o Arthur se casaram.
— Como é que já faz tantos anos e vocês ainda não tiveram um bebê?
Essas palavras foram mais uma facada cruel no coração de Beatriz. Ela evitou o assunto:
— Vou preparar aquela sopa de abóbora que você adora, pode ser?
— Pode.
Beatriz guiou a mãe para dentro e ligou a televisão na sala para que ela pudesse assistir.
Só então foi para a cozinha começar a preparar o jantar.
Como não teria tempo de cuidar da mãe enquanto trabalhava, contratou uma cuidadora. O salário era de oito mil por mês, o que saía mais barato do que mantê-la no hospital.
A cuidadora começaria a trabalhar em casa no dia seguinte, depois que ela saísse para o trabalho.

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