— Beatriz... — O coração de Arthur se apertou, e ele a olhou franzindo a testa enquanto dava um passo à frente.
— Não chegue perto! Se você não assinar o divórcio hoje, eu pulo daqui! — Beatriz recuou. A neve caía cada vez mais densa, e uma névoa começava a envolver a Ponte das Garças. De pé no meio da tempestade, ela berrou para ele.
O vento gélido bagunçou seus cabelos, e os olhos dela, rubros, brilhavam com as lágrimas contidas. Em seu rosto delicado, havia apenas uma firme determinação.
Os passos do homem pararam. Seu olhar pousou sobre o corpo frágil dela, que, embora tão próximo, parecia estar a milhares de quilômetros de distância.
Após um longo momento, ele finalmente falou.
— Beatriz, você tirou o meu filho, uma conta que eu ainda não acertei com você. E agora você inventa acusações infundadas só para pedir o divórcio. Você disse que não daria à luz o meu filho, que carregar o meu filho te causava nojo, não foi?
— Deixo bem claro aqui e agora: enquanto você não der à luz o meu filho, não pense em dar um passo sequer fora da Família Diniz. Não haverá uma terceira vez; ouse tirar outro, e você verá as consequências. — Arthur soltou uma risada de desprezo. Com um olhar frio e impiedoso, sua voz soou incisiva.
— Arthur, eu não estou brincando. — Beatriz serrou os dentes e o encarou friamente: — Ou nós nos divorciamos e cortamos todos os laços de vez, ou hoje eu me atiro daqui.
— A sua mãe ainda está viva. Você tem coragem de abandoná-la e pular? Para me ameaçar, tente métodos mais inteligentes. — O olhar do homem transbordava indiferença.
O vento congelante, acompanhado do tom frio e cortante dele, atingiu os ouvidos dela, fazendo seu coração afundar nas profundezas geladas do rio.
Quando não há amor, a morte diante dele não passava de uma ameaça insignificante.
Uma fúria sombria e gélida formou-se no fundo dos olhos de Arthur; parecia ódio, parecia relutância, e sob a névoa, parecia também um possessivismo confuso e teimoso.
— Volte comigo. — Ele deu um passo à frente.
— Não chegue perto! — Beatriz gritou, com a voz rouca.
— Pule, se tiver coragem. — Arthur zombou com frieza e desdém.
Os passos do homem não cessaram.
As lágrimas de Beatriz caíram incontrolavelmente, e a dor em seu coração quase a sufocava.
Por que... por que ele não queria deixá-la ir... por que precisava forçá-la àquele limite sem saída.

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