Beatriz tentou puxar a mão, mas não conseguiu soltar-se.
— O que o senhor está fazendo, Sr. Diniz? Já estamos divorciados, esse tipo de atitude me parece inapropriada.
A voz de Arthur soou cortante:
— O casal mais admirado da faculdade, o par inseparável do hospital... Agora ele já está noivo. Por quem você continua esperando?
— Isso é da sua conta? — Beatriz franziu a testa. — Me solte.
O homem soltou uma risada irônica:
— Eu pensei que ele seria capaz de qualquer coisa por você, mas não é que acabou ficando noivo de outra mulher?
— Você veio até aqui só para rir de mim? — Beatriz o encarou. — Você não tem o que fazer mesmo.
Dito isso, ela se virou e foi embora.
Arthur acompanhou a silhueta dela com os olhos, o olhar tornando-se mais profundo.
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A festa de noivado de Daniel Ventura deveria ser motivo de grande alegria, mas a presença de certas pessoas arruinara o bom humor de Beatriz, e, na hora de ir embora, a expressão em seu rosto não era das melhores.
Felipe Valente percebeu.
Ele sorriu levemente.
— Encontrou quem não devia?
— Você é vidente? Como acertou?
— Vi que ele também foi na direção do banheiro agora há pouco, imaginei que se encontrariam.
— O que ele te disse? Arrependeu-se do divórcio? — Felipe olhou para Beatriz. — Não deve haver chance de vocês reatarem.
A briga durante o divórcio fora tão intensa.
Ela chegara a arriscar a própria vida; a chance de uma reconciliação... era muito baixa.
— De forma alguma. — Beatriz declarou. — Um casamento infernal, reatar pra quê? Eu não sou idiota.
Naquele momento, um vento gélido soprou, e o homem virou o rosto para o lado, tossindo levemente.
— Sr. Valente... — Beatriz notou que ele havia ficado pálido. — Pegou um resfriado? A sua saúde não parece muito boa ultimamente.
— Não quer ir ao hospital fazer uns exames?
Felipe acenou com a mão, minimizando:
— Não é nada, é um problema antigo.
Beatriz o encarou, franzindo levemente as sobrancelhas. Intimamente, sentia que a situação não era tão simples; algo lhe dizia que havia algo errado, mesmo sem saber apontar o quê.
— Deixa eu tomar seu pulso? — Ela sorriu. — Eu aprendi um pouco de medicina tradicional na faculdade.

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