Quando Beatriz abriu os olhos novamente, descobriu estar na Cobertura Diniz.
Sua cabeça latejava insuportavelmente, levando-a a massagear as próprias têmporas.
Correu o olhar pelo quarto. A mobília continuava intocada. O coração dela falhou uma batida; por um mero instante, sentiu-se presa no passado.
Ela conteve seus sentimentos, usou os braços como apoio para afastar as cobertas, saiu da cama e desceu as escadas.
Arthur, sentado na sala, ouviu os passos dela descendo a escada e lançou um olhar nem muito quente nem muito frio. — Coma algo.
Sem demonstrar qualquer expressão e sem nem mesmo olhar para a mesa farta de comida, Beatriz caminhou em direção à porta.
— Depois que comer, preciso conversar com você. — disse Arthur, com seu tom apático.
A declaração a fez parar de andar.
— Sobre o quê?
Arthur baixou o tablet em suas mãos, e o olhar calmo encontrou o dela. — Falamos depois que comer.
Sua postura e o tom na voz eram imponentes.
Beatriz respirou fundo, recuperando a firmeza. — Acredito que não tenhamos mais nada sobre o que conversar.
Com uma feição gélida, retomou seus passos em direção à saída.
Arthur se levantou e em poucas passadas a alcançou. Quando Beatriz ia tocar na maçaneta, foi violentamente arrastada de volta pelo homem.
Ele torceu seu braço e a prensou contra a cadeira na mesa de jantar.
Uma mesa vasta, que seduzia pela aparência, pelos aromas e pelas cores.
Coincidentemente, nada daquilo era do gosto dela.
No entanto, ela falhou em notar que todos os pratos sobre a mesa haviam sido planejados para ajudar o estômago.
As mãos de Arthur pressionavam seus ombros, a força bruta o bastante para impedi-la de se levantar.
— Não estou com fome, não quero comer.
A cota de indulgência de Arthur se exauriu e seus olhos adquiriram um frio hostil. — Você insiste em testar minha paciência?
Beatriz ergueu os olhos na direção dele. — Por um acaso eu tenho direitos humanos aqui com você? Tenho algum respeito básico?

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