As mãos de Beatriz bateram até perderem as forças, mas não houve qualquer resposta do lado de fora.
Desesperada, ela se agachou, mordendo o lábio inferior.
Nunca imaginou que Arthur chegaria a um extremo tão absurdo.
Exausta, Beatriz desabou no chão, observando a paisagem pela janela, querendo pedir socorro, mas o seu celular também havia sido levado por Arthur.
— Senhora, a senhora está bem?
Do lado de fora, a voz preocupada de Dona Ema se fez ouvir.
Beatriz sentiu como se tivesse agarrado uma tábua de salvação: — Dona Ema, abra a porta e me deixe sair.
Dona Ema estava do outro lado, com uma expressão constrangida no rosto: — Senhora, é melhor ficar quieta. O que quiser comer, eu preparo para a senhora. O senhor está apenas com ciúmes de tê-la visto com outro homem.
— Nós já nos divorciamos, Dona Ema. — Beatriz soou impotente e desesperada. — Ele está me prendendo contra minha vontade, isso é crime sim. Você vai ajudá-lo com isso?
Houve um silêncio prolongado no corredor.
— Eu só sou responsável por cozinhar para esta casa...
Afinal de contas, ela havia servido Beatriz por cinco anos e, no fundo do coração, sentia pena da situação.
— A senhora e o senhor não precisavam chegar a este ponto. Qual homem não dá suas escapadas?
— Especialmente os homens de famílias ricas. Basta fingir que não vê nada e deixar tudo se resolver. Para ser uma boa esposa da alta sociedade, é preciso saber engolir sapos e não brigar por qualquer coisinha. Desde que o coração do senhor esteja com a senhora, já é o suficiente.
As palavras da velha geração pareciam agulhadas a cada sílaba.
Desde quando a traição havia se tornado algo normal?
A tolerância cega de uma mulher apenas encoraja o homem a ultrapassar cada vez mais os limites.
Beatriz não respondeu a mais nada que Dona Ema disse.
O dia inteiro se passou, e Beatriz não comeu nada.
Arthur voltou de madrugada.

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