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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 164

Senti o gosto amargo da bile subir em sua garganta. Eram todos objetos que desapareceram quando eu era só uma criança, e entre eles, várias fotos tiradas por Felipe...

Fotos...

“-Você não gosta quando dizem que é uma bonequinha perfeita, Lucila? Bonecas precisam ser vistas para serem compradas...

- Eu não quero tirar fotos assim, irmão... a mamãe disse...

- Cale a boca, sua imunda! Se não fosse por mim, você nem estaria nessa casa. Teria apodrecido naquele orfanato. Agora tire a roupa!”

- Lucy... – a voz de Sam a chamou de uma de suas lembranças mais tenebrosas de sua infância. – Lucy, o que foi? Está chorando...

Me dei conta que meu rosto estava banhado de lágrimas gélidas. As limpei rapidamente, e pedi mais uma vez que ele continuasse. Eu já imaginava que tipo de foto ele me mostraria, afinal... era isso que Felipe queria fazer de mim... um brinquedo que poderia ser vendido.

- Isso era o que estava no baú da casa do doutor. Agora entende o que o Vitório sentiu, quando viu aquele desgraçado te assediando daquele jeito?

Peguei o celular das mãos de Alberto sem nem pensar duas vezes. Repassando as fotos, procurando... Onde estavam.. Onde?

Não estava ali. No arquivo haviam muitas fotos dela, mas nenhuma daquela forma...

Até que chegou ao a foto de um pedaço de papel envelhecido.

Alberto tentou pegar o celular de mim, mas eu me levantei rapidamente, quando reconheci a caligrafia de Felipe.

Era um acordo... o meu irmão vendeu cada item que Eric tinha, e propunha um acordo...

O celular caiu no chão, e eu corri para o banheiro abaixo da escada. Tudo foi lançado para fora, eu não conseguia respirar.... a dor, a revolta era tão sufocante que me fizeram chorar e me debater dentro no banheiro. Eu queria gritar.

Não conseguia mais ficar em silêncio.

Ele me torturou... me machucou e ME VENDEU.

Um grito agonizante cortou o ar, e eu nem mesmo sabia de onde vinha aquela força que rasgava de dentro de mim. Só queria gritar, e fazer ele pagar, mas não havia como. Felipe me condenou ao silêncio, e a dor pela eternidade.

Eu realmente tinha dito seu nome. Me dei conta que minha voz finalmente estava se libertando... Finalmente... Finalmente eu não seria mais calada. O abracei forte, buscando seus lábios, minhas lágrimas se misturando ao gosto dele, a seu intenso e profundo refúgio a qual eu pertencia.

Nosso beijo era carregado de emoções não ditas, de um amor inquebrável, que necessitava do outro para existir. Abraçados ficamos assim, até adormecer juntos. E ao anoitecer, quando a enfermeira retirou o soro e foi embora, e finalmente pedi ao meu marido que ele me amasse pela primeira vez.

- Eu... eu quero que... faça amor comigo.

Minha voz saiu trêmula e meio estranha, eu segurava seu rosto em minhas mãos, e pela primeira vez, vi aquele homem tão forte e tão imponente, chorar. Aqueles olhos profundos, cinzentos, paralisaram nos meus, as mãos feridas do meu amor tocaram a minha face com as pontas dos dedos, como se temesse que eu desaparecesse, em um sopro de sonho irreal.

Lentamente, sem desviar aquela galáxia brilhante de seus olhos, ele me tomou em seus braços, e me amou me pedindo para dizer o seu nome.

- Diz de novo, princesa... – um beijo doce em minha boca. – Diz o meu nome...

- Vitório...

E assim eu o fiz, inúmeras vezes, o abraçando forte, e chorando de alívio e saudade.

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