Vitório fez uma pausa. Repetir tudo aquilo que seu pai contou, fazia tudo parecer pior do que quando ouviu pela primeira vez.
- O papai não pretendia ficar ausente por tanto tempo, ele pretendia só desaparecer e depois voltar, nos mantendo informados até certo ponto. – disse voltando a falar depois de alguns minutos. - Mas quando chegou o dia do navio aportar, a Astrid foi até a mansão, exigindo que ele assinasse o documento que encerrava a disputa, cedendo a Acrópole para Martin, e o papai riu da cara da vadia, e jogou na mesa sua cartada final, ele usou os Drumond para tirar Martin da diretoria, e agora a Acrópole era dos Darius e dos Drumond. Jean Martin não tinha mais poder algum sobre a holding, e a notícia seria divulgada na próxima reunião geral.
- O que ela fez? – Perguntou Ícaro friamente, encarando o irmão.
Todos ali sabiam do que aquela mulher era capaz.
- Ela fingiu que estava passando mal e foi para a varanda, já estava grávida do Olavo. Quando o pai se aproximou para ajudá-la, ela o empurrou de lá de cima, onde estavam reformando o parapeito. Ele se feriu muito, mas não morreu, mas viu nisso a oportunidade de resolver a situação de Martin e nossa irmã de uma vez por todas. Foi aí que ele forjou sua morte, e seguiu para encontrar nossa irmã. Houve uma emboscada no porto, a Paula foi ferida e o papai as levou para um lugar seguro. Ele conheceu nossa irmã e conseguiu ficar com elas por alguns meses, mas continuava procurando uma maneira de acabar com Martin, pois se não o detesse, nunca teríamos paz. Nossa irmã ficou muito doente, devido às condições insalubres que foi mantida na França e precisou ser levada a um hospital, e logo que ela recebeu tratamento, em alguma cidadezinha do interior, para onde o papai as levou, Martin os encontrou. O papai foi avisado pelo pessoal que se tornou sua equipe de segurança, escapou a tempo do hospital, mas a equipe tática demorou para chegar. Ele foi atingido, e as duas foram levadas novamente. Nosso pai ficou anos em reabilitação no exterior para voltar a andar, sempre procurando por Paula e nossa irmã, mas parecia que elas tinham sido mortas. Ele estava quase acreditando na cena que Martin montou para fingir que os corpos que encontraram, eram delas. Depois desse atentado, as empresas de Martin desapareceram uma a uma do país, como se simplesmente tivessem aberto falência, e ele fugiu. Quase sem esperança, o papai planejou voltar assim que estivesse completamente bem fisicamente, mas então surgiu uma nova esperança. Quando a Astrid morreu, um arquivo foi liberado na deep web, ela quis ferrar o Martin por não cumprir com sua parte no acordo dos dois. O arquivo revelava o paradeiro atual de Martin, uma casa isolada nos Estados Unidos, onde ele mantinha duas mulheres.
- E eram elas... – Concluiu Alberto.
- Sim. Demorou um tempo para que o papai pudesse agir, pois seus ferimentos o debilitaram muito. Mas ele conseguiu se aproximar, e vigiar de perto cada passo de Martin. Descobriu que Martin tinha transformado Paula em uma empregada de dia e escrava sexual de noite, e para proteger a nossa irmã da obsessão doentia do desgraçado, Paula se sujeitava a tudo e tentava agradar Martin que acreditava que ela tinha sido amante do papai, e isso o deixava instigado a mantê-la com ele. – Vitorio suspirou pesado, isso era nauseante, não ia repetir os detalhes terríveis que seu pai relatou sobre tudo o que aquela mulher sobreviveu. – O nosso pai finalmente conseguiu enfrentar Martin, e reaver nossa irmã e resgatar a Paula. Ele deu fim aos capangas do desgraçado e matou aquele maldito, mas foi atingido por dois tiros no ombro e tórax. Sua equipe os tirou do lugar que parecia uma fortaleza, e eles voltaram para casa. A Paula estava muito machucada e o papai deu prioridade em cuidar dela, e nossa irmã não quis sair de perto da mulher que a criou, para ela, Paula é sua mãe.
- Onde elas estão? – Perguntou Alberto.

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