- A faxineira contou ao papai o que ela ouviu, não é?
- Ela não tinha como chegar até ele. Em respeito a mamãe, o papai pediu que o RH a designasse para os andares inferiores, para não ter que vê-la na presidência.
- E como foi que isso deu merda? Porque está óbvio que deu merda.
- A mamãe entrou em uma depressão profunda. Ela se culpava muito por ter caído na conversa do Martin. Ela comia muito pouco, mal dormia e se recusou a fazer o pré-natal, um psiquiatra passou a vir em casa para monitorá-la. Me lembro que durante a gestação, nós mal a vimos.
- Também me lembro disso. O papai falava que ela não estava se sentindo bem, que a gravidez a deixava muito indisposta. – Ícaro pontuou em voz baixa.
- É por isso que não sabiam que seriam dois bebês? – Alberto perguntou num tom cortante. – Ela não fez o pré-natal.
- Isso mesmo. No dia em que ela entrou em trabalho de parto, aquela faxineira veio aqui em casa desesperada para falar com o papai, mas não deixaram. Então ela conversou com algumas empregadas com quem ainda mantinha contato, e descobriu que a mamãe foi levada ao hospital para dar à luz. O papai estava fora da cidade, e demoraria a chegar. A moça foi para o hospital porque tinha descoberto algo ainda pior sobre o desgraçado do Martin. Ela ouviu a recepcionista que estava saindo com o assistente de Martin, contar como o rapaz estava preocupado com o chefe que agora até falava em levar a mulher que ele amava e o filho deles para os Estados Unidos, assim que o bebê nascesse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO