Vitório
A sala enorme do primeiro piso, de repente pareceu pequena e sufocante, a respiração pesada de seus irmãos e a forma como olhavam para Vitório como se ele estivesse totalmente desequilibrado, era só o começo.
Uma reação esperada para o disse para eles, os convocando até ali.
- Vai explicar em que tipo de merda estamos metidos dessa vez, ou não? – Alberto perguntou impaciente, se sentando no sofá, o encarando acidamente. – E onde caralhos foi parar o Rodolfo, preciso de um café.
- Ele está ocupado, e os funcionários foram dispensados, por hora.
Os irmãos o olharam ainda mais desconfiados.
- O que está acontecendo Vitório? – Ícaro perguntou incisivo. – Você disse no telefone que era urgente e que tínhamos que tomar uma decisão sobre algo pertinente a família, mas até agora não revelou de que porra estamos falando.
- Eu não sei como dizer isso, caralho! – Vitório soltou exasperado.
Seu pai estava lá em cima ardendo de febre, inconsciente, depois de contar a história mais mirabolante que ele já ouviu na vida. Agora não sabia nem por onde começar a explicar aos seus irmãos, e muito menos o que fazer com o pai ferido que não queria ir para um hospital, devido às circunstâncias de sua volta.
- Só fale logo. – Alberto disse cruzando a perna, apertando as sobrancelhas. – Eu tenho que voltar para casa logo.
- Eu também tenho. – Ícaro falou impaciente, arregaçando as mangas da camisa que usava, até os cotovelos. – Tenho uma reunião bem cedo com a C&C Camargo e a Amélia...
- Nosso pai está vivo. – Cortou Vitório. – Ele está lá em cima agora, recebendo cuidados do mordomo, porque está ferido e se nega a ser levado para hospital.
Vitório assistiu à reação dos irmãos como quem observa uma implosão lenta. Primeiro veio o riso descrente, curto, ácido, quase nervoso de Ícaro. Alberto soltou uma gargalhada seca, passando a mão pelo rosto como se estivesse lidando com uma piada de mau gosto.
— Ah, claro… — disse ele, balançando a cabeça. — Nosso pai ressuscitou. Mais alguma coisa? Ele voltou dirigindo o Mustang vermelho também?
Ícaro franziu o cenho, mas o canto da boca se curvou num deboche ainda maior.
— Você bateu a cabeça, Vitório? — perguntou, dando um passo à frente. — Ou alguém te deu uma parada pesada de novo?Tem certeza que decapitou aquela puta da Astrid? Porque está parecendo que ela está mexendo com a sua cabeça de novo. – Ícaro o encarou, Vitório enfrentou seu olhar, ferozmente. - Isso aí não faz o menor sentido, caralho!
— Que porra, eu acho que ele ficou louco de vez. — Alberto insistiu, agora olhando ao redor, impaciente. — Se isso for algum tipo de teste psicológico, saiba que você perdeu completamente a razão, velhote. – Alberto se levantou. – Vou para casa, não estou com paciência hoje.

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