Olavo
A enfermeira Tati era legal. Olavo a acompanhou até a cafeteria do primeiro andar, e em todo o tempo ela falava de coisas interessantes sobre os dois bebês da mamãe.
Ele pediu um refrigerante e um lanche de alface com azeitonas, e o devorou fascinado enquanto a mulher explicava quantos casos foram divulgados no Brasil e como isso era raro.
Olavo absorvia tudo, fascinado, e cada vez mais convicto de que sua mãe era muito especial. Ela era incrível e por isso foi escolhida pelas inúmeras regras do universo para esse fenômeno.
Tati perguntou sobre a escola, e ele falou sobre ela de uma maneira geral. Estudar as vezes o entediava, porque suas deduções estavam sempre certas, em todas as matérias. O mundo dos adultos era mais divertido, porque em muitas coisas não era possível chegar a uma conclusão tão rápido.
- E seus amigos, Olavo? Eles são legais?
- Gosto do Ricardo e do Joaquim, mas converso com a Alana porque ela é bonita e sempre me dá adesivos de baleias.
- Parece que a Alana tem um ponto. – a enfermeira riu. – Você gosta de baleias, não?
- Sim, são animais fascinantes. Sabia que a baleia azul tem os maiores bebês da Terra? Eles nascem com mais de oito metros e pesam até quatro toneladas.
- Meu Deus, imagina só quanto trabalho as mamães baleias tem, para trazer esses filhotes ao mundo.
- Nunca pensei sobre isso... – Olavo desviou o olhar, em uma profunda reflexão.
Seria doloroso? Ou por serem mamíferos aquáticos, isso facilitava na hora do nascimento...?
Ele olhou em volta, pensava mais rápido quando vários elementos estavam diante de seus olhos, era por isso que se entediava tanto quando estava preso na kitnet de Brenda, e....
Seus olhos pararam em uma mulher sentada na última mesa da cafeteria. O pequeno coração de Olavo disparou, e seus olhos ficaram molhados. A mulher de peruca loura sorriu, parte do seu rosto se contraiu de um jeito bizarro, a pele parecia errada, estranha. De óculos escuros, ele sentiu que ela os observava diretamente.
Era ela, tinha certeza!
Seus braços e pernas formigaram, e algo em sua cabeça gritou “Corre!”

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