Vitório
Em dias como hoje, Vitório contava os segundos para voltar para casa, feito um adolescente imaturo. Tudo o que se relacionava com Lucila tinha esse mesmo efeito sobre ele.
Ela ficou dois dias indisposta. Não só pela forma com que fizeram amor, mas também pela visita daquela moça na manhã seguinte.
Subindo as escadas, se encontrou com Mila. A velhaca o ajudava a ficar de olho em Lucy, principalmente durante sua ausência, quando estava na Acrópole.
- Bem vindo de volta, senhor. – Mila cumprimentou, carregando uma pilha de toalhas alvas.
- Obrigado. – ele olhou para cima. Não havia nenhum sinal da presença de Lucila ou de Olavo no andar de baixo. – Ela já se recolheu com Olavo?
- Não. Eles estão no terraço. – Mila respondeu.
- Como ela está?
- Está um pouco melhor, não a vi chorando nenhuma vez. Além disso, estava cozinhando com o pequeno na cozinha, eles insistiram em preparar o jantar.
- Ótimo. – respondeu, sentindo o peso em seu peito aliviar.
Estava em uma grande negociação, e mesmo trabalhando sem pausas para refeições, só pode sair da holding por volta das nove.
Vitório consultou o relógio, já passava das onze, era bem possível que seu filho já estivesse dormindo, ele acordava cedo para ir às aulas. Se voltando para Mila, acenou com a cabeça num agradecimento silencioso.
Ela passou por ele, com um sorriso enrugado no rosto, e Vitório seguiu até a suíte principal. Só a luz de descanso estava acesa, e a cama estava arrumada. O cheiro de jasmim e rosas predominava no ambiente, invocando a imagem doce e serena de sua esposa.
Se dirigindo ao closet, se livrou do blazer e da gravata. Em seguida dobrou as mangas da camisa branca até os cotovelos. Se sentia exausto em todos os aspectos.
A visita de Bettany Clintwood foi mais um golpe para a frágil estabilidade emocional de Lucila. Ele não poderia deixar ela se safar impune, mas antes precisou descobrir quem ela era, e de onde tinha tirado aquela história absurda de ser irmã de Lucila.
Vitório passou pelas amplas portas do terraço, onde as cortinas oscilavam ao sabor da brisa.
Acontece que a história não era inverídica, e agora precisava dizer para sua linda princesa, que ela realmente tinha grande possibilidade de ser irmã de Clintwood.
Se aproximou devagar, ela estava murmurando uma canção bonita para Olavo, que dormia profundamente com a cabeça em seu colo, e o restante do corpo esticado no banco de madeira estofada.
Lucila arrumou o cobertor, o aconchegando um pouco mais. Suas mãos delicadas acariciavam os cabelos castanhos claros de seu filho. Vitório ficou ali parado, desfrutando daquela cena emocionante. Realmente era um homem de sorte.
Seus olhos desceram para o contorno do perfil de sua princesa, observando como a curva da barriga dela tocava a nuca do menino. A suave onda de seu ventre, de repente se tornou mais sinuosa, e agora já era possível vislumbrar o milagre da vida que acontecia dentro dela.
Não pode evitar cobri-la de beijos. Ela era tão perfeita, tão incrível.
- O que posso fazer, se sou louco por você, princesa? – entrelaçou a mão livre na que ela mantinha sobre sua perna. – Não pode me culpar porque minha vontade de fazer amor é insaciável.
- Você não tem vergonha. – Ela disse, repousando a cabeça em seu peito. Fechando os olhos, ela sorriu. – Senti o bebe se mexer pela primeira vez hoje, é emocionante, amor.
- Isso... – Vitório titubeou, seu coração disparou. – Está mexendo agora? Posso sentir?
- É claro que você pode, seu bobo. Mas esse bebê já deve estar dormindo.
Lucy guiou a mão dele até seu ventre, onde não poderia incomodar Olavo. Vitório sentiu o calor, e a forma inicialmente.
- Eu te disse, o bebê está...
Então, como um milagre, uma ondulação e um empurrão contra sua palma. Vitório olhou para o ventre de Lucila, hipnotizado. Seus olhos arderam, e ele sentiu algo molhar seu rosto.
Mãos pequenas e cálidas seguraram o seu rosto, e ela o beijou, tão emocionada quanto ele.
Essa vida que se movia dentro dela, era fruto de um amor que ele nunca sonhou em ter, um amor que o resgatou da completa escuridão. Lucila, trazia vida e luz para os seus dias. Ela, seus filhos, eram sua razão de viver.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO