Lucy
Com um sorriso doce brincando nos lábios, Lucy passou o dedo coberto de chantilly pela ponta do nariz de Helena, que arregalou os olhos azuis idênticos aos dela e soltou uma gargalhada escandalosa.
Antes que pudesse se esquivar, Heitor recebeu o mesmo destino, ficando com o nariz branquinho e o cabelo levemente espetado pela travessura açucarada.
— Mamãe! — os dois gritaram em uníssono, rindo alto, como se aquele fosse o maior escândalo do mundo.
Lucy abriu os braços teatralmente, fingindo rendição.
— Eu fui atacada por duas criaturas perigosíssimas — declarou, com falsa solenidade.
Foi quando Olavo apareceu, sorrateiro como sempre, e a envolveu por trás em um abraço apertado, afundando o rosto no ombro dela.
— Ataque triplo! — anunciou, aproveitando para sujar ainda mais o rostinho dos pequenos.
A cozinha explodiu em gargalhadas. Helena e Heitor gritavam “mamãe” e “imazão”, a forma carinhosa que haviam criado para chamar o irmão mais velho, enquanto tentavam fugir do abraço coletivo, escorregando no chão claro e deixando rastros invisíveis de açúcar e felicidade.
Lucy se inclinou para limpá-los com um pano úmido, ainda rindo, quando Amélia entrou na cozinha seguida de Sam, Octávia e Maya. As meninas chegaram como um pequeno furacão, cada uma falando algo ao mesmo tempo, comentando sobre a decoração, o horário da festa, o bolo e a expectativa das crianças.
— Quatro anos… — Amélia comentou, emocionada. — Parece que foi ontem que eles cabiam na palma da mão, principalmente a Helena.
— Não me lembra disso — Sam respondeu, apoiando-se no balcão. — Eu ainda estou tentando processar como o tempo passa tão rápido. Minha própria cria está crescendo em ritmo acelerado na minha frente, e eu não sei como parar isso! – ela fez beicinho. – Que saudade dela bebezinha...
Lucy sorriu enquanto terminava de limpar os rostinhos dos dois caçulas, agora com quatro aninhos cheios de energia e ideias mirabolantes. Assim que ficaram livres, eles dispararam pela casa, com Octávia logo atrás, iniciando uma animada brincadeira de esconde-esconde que ecoou risadas pelos corredores. Olavo e Maya os seguiram, disputando quem mandava mais, como sempre.
Lucy apoiou as mãos nos quadris para se endireitar, e sentiu uma fisgada conhecida nas costas. Fez uma careta discreta e levou a mão instintivamente à barriga redonda.
— Lucy? — Amélia e Sam se aproximaram imediatamente, o tom preocupado. — Está tudo bem?
Ela respirou fundo, sorriu confiante e assentiu.
— Está sim. Só eu que estou ótima… — olhou para a bancada, onde os cupcakes repousavam — mas eles definitivamente não estão.
As duas riram ao observar o resultado do esforço culinário, bonecos cobertos de chantilly com cabelos completamente desfigurados pelas mãos curiosas de Helena e Heitor.
— Eles ficaram… expressivos — Sam comentou, segurando o riso.
Lucy acariciou a barriga com carinho. A gravidez já estava avançada, e o corpo dava sinais claros disso. Decidiram fazer a festa das crianças em casa, algo simples, íntimo, mas cheio de significado. E, como queria participar de tudo com eles, inventou de fazer os bolinhos.
— Meu Deus… — murmurou, olhando em volta. — O pessoal já deve estar chegando e olha essa bagunça.
Antes que as amigas respondessem, braços fortes a envolveram por trás. Um beijo quente, salpicado pela barba conhecida, foi depositado em seu pescoço. O cheiro de Vitório a envolveu por completo, trazendo conforto, amor, aquela sensação de lar, segurança.
— Está tudo bem? — ele perguntou baixo, preocupado. — Quer ajuda?
Lucy sorriu, relaxando contra o peito quente dele.
— Estou bem, amor… mas essa garotinha aqui dentro está inquieta hoje.
Vitório pousou a mão na barriga dela, acariciando com delicadeza.
— Vai ser uma valentona — disse, com orgulho.
—Boa sorte para vocês, porque eu sei bem como é — Amélia comentou, rindo. — Maya deixa a gente louca.
Sam se sentou no banco alto do balcão e provocou.
— Vocês tomem cuidado para não encomendar mais um bebê. Igual fizeram quando encomendaram o Heitor. – Sam e Mel gargalharam. – Dois pelo preço de um!
Lucy fez uma careta exagerada, arrancando risadas.
Vitório encaixou a cabeça na curva do pescoço dela e respondeu, divertido.
— A Sam só está com inveja porque você tem um garanhão em casa que não consegue tirar as mãos de você. Enquanto ela tem o Alberto, um pangaré resmungão, com mania de perfeccionismo.
Sam gargalhou alto.
— E eu sou muito feliz com o meu pangaré. Obrigada.
Nesse momento, Otávio e Paula entraram na cozinha, tranquilos e serenos, abraçados, com expressões ternas um para o outro.
— O restante da família chegou — anunciou Otávio, com um sorriso satisfeito.
Adélia veio logo atrás, e já começou a colocar os bolinhos na bandeja. Ela era muito disposta e eficiente em tudo, uma verdadeira Darius.
Lucy pediu ajuda às meninas para levar os cupcakes e terminar de arrumar a mesa da sala de estar, enquanto Vitório ficou encarregado de receber Hans e Beth, Bianca e Luigi com Mariane, que estavam morando na Itália, mas aproveitaram a vinda de Luigi ao Brasil para os negócios para celebrar o aniversário das crianças.
Pouco depois, as gêmeas Andersen entraram na sala.

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