Lucy
A sala de recepção do Espaço Terapia Evolution estava mais vazia naquela manhã de quarta. Com as festas de fim de ano chegando, as famílias começaram a sair de férias bem antes do que no ano interior.
Lucy olhou para a tela do celular, não havia nenhuma mensagem de Vitório, infelizmente. Na noite passada, ao ouvir o que aconteceu, Lucy ficou com pena de Bianca. Aquela pobre moça foi enganada e usada a vida toda, ela não merecia se envolver com alguém como aquela vagabunda louca.
Vitório tomou uma atitude correta, não podiam dar as costas à situação de Bianca.
Infelizmente, a segunda parte daquela conversa se tornou mais tensa do que ela poderia imaginar. Não pelas tais fotos comprometedoras que seu marido não queria que ela visse, mas pelo que teria que fazer.
Fingir que não podia falar, seria um desafio muito maior do que considerou a princípio. Para ela, que passou a vida toda sufocada entre sentimentos e medos, se calando, voltar a fazer isso, nem que fosse por um breve momento, parecia uma traição da liberdade e de suas conquistas.
- Ufa! Finalmente cheguei. – Mel se anunciou, ao adentrar a sala de espera com Tay. – Sente-se e se comporte, querido. – ela disse, com um sorriso afetuoso para o menino. – Desculpe o atraso, amiga. Parece que todo mundo resolveu tirar o carro da garagem ao mesmo tempo, o coitado do Pedro teve que pegar vários atalhos, só para sair da via expressa congestionada.
- Está tudo bem. Faz pouco tempo que Olavo começou na primeira sala. – Lucy se levantou e se deixou envolver pelo abraço macio e caloroso de sua amiga.
Amélia tinha um jeito reconfortante de transmitir força e ferocidade às pessoas, que não se encontrava em lugar algum. Desde o momento em que se conheceram, Lucila sabia que Ícaro finalmente tinha encontrado sua outra metade, a pessoa que o faria feliz.
As mãos de sua amiga pousaram na barriga redonda de Lucy, fazendo círculos carinhosos, enquanto ela a admirava.
- Você está cada dia mais linda. Nunca vi uma gestante mais graciosa, esse bebê tem sorte de ter uma mamãe assim.
- Bebês. Esses bebês. – Lucy corrigiu, com uma risadinha em tom de confidência. – Ela se abaixou e beijou os cachos soltos de Tay. – Tudo bem, meu amor?
- Bebês? ... No plural?! – Amélia disse às suas costas.
Rindo do tom desconcertado impresso na voz de sua amiga, Lucy continuou concentrada em seu pequeno sobrinho. Ela sabia que a notícia seria uma maravilhosa surpresa para o restante da família.
- Oi titia. – Tay respondeu, mal desgrudando os olhos do seu brinquedo. Um simples carrinho de madeira, que se parecia muito com os que viu na mansão Darius quando era criança. – Estou bem. Quero jogar Power Galaxxy com o Olavinho, ele vai demorar.

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