A penumbra do corredor fazia seu sangue correr mais rápido nas veias. Seus pensamentos dispararam em diversas direções, com possíveis conjecturas do que Lucila poderia estar pensando sobre ele agora.
Seus passos largos o levaram direto para a suíte principal, onde a porta estava entreaberta.
As diversas imagens que imaginou para essa situação, não chegaram nem perto do que o esperava.
Abrindo a porta, Vitório se deparou com uma mulher majestosamente sentada em uma cadeira alta de espaldar, revestida em veludo vermelho. Como uma rainha, ela mantinha uma postura altiva que dominava tudo ao seu redor.
As botas de couro brilhante chegavam até o meio de suas coxas desnudas cruzadas. Vitório adentrou o recinto iluminado por velas vermelhas e brancas. Seus olhos presos a figura desconhecida a sua frente.
Sim, desconhecida, pois essa não era a sua doce princesa.
Ela acompanhou os movimentos de Vitório com um olhar feroz, e ele sentiu sua boca salivar e aquela vontade imperativa e urgente ressurgir, chegando até a superfície, perigosamente o compelindo a ceder a seu lado lascivo e obscuro.
A percorrendo com um olhar faminto e alucinado, constatou que tudo o que ela usava, eram as malditas botas de salto agulha e duas cintas de couro cravejada de rubis. Mais uma peça de seu inventário.
A cinta abraçava seus quadris e se ajustava as coxas, as tiras de couro se encontravam no centro de sua intimidade, onde um anel de metal se intrometia em seu sexo, o mantendo aberto constantemente.
Vitório apertou os punhos, apertando os olhos por um instante, tentando evitar pensar nele, em sua Lucy daquela forma tão lasciva e perversa. Mas as imagens dela implorando por prazer, presa por algemas, com as marcas de sua doma por todo o corpo, não paravam de surgir.
- Infelizmente, a roupa de látex não serviu, por causa da barriga. – Ela disse num tom firme e controlado.
Aquele tom causou um arrepio na espinha de Vitório. Ele abriu os olhos e a viu se levantar, gloriosamente. E nesse momento, o homem, o marido e o mestre, estremeceram diante da poderosa imagem à sua frente.
Lucila se aproximou de uma mesa pequena, ao lado de seu trono. Uma mesa que ele nem mesmo tinha visto. O calor era insuportável, contemplando a figura que parecia concentrada em algo na mesa, ele a viu se virar de costas, mostrando o restante do corpo perfeito, iluminado por algum tipo de brilho cintilante, os seios globosos sustentados por uma cinta de sustentação impensável para a sua princesa.
- O que é isso, Lucila? – ele perguntou, com a voz baixa e grave. As palavras saíram raspando sua garganta, como se tivesse engolido estacas de madeira.
Vitório parou onde estava, o coração latejando em um compasso irregular. Por um instante, tudo parece se dissolver, o sentido de si próprio, o ar, o tempo.
Diante dele, sua esposa estava envolta por algo que não pertencia àquele lar luminoso, nem à mulher terna e delicada que conhecia. As peças que adornavam seu corpo eram como se sua própria corrupção estivesse envolvendo a pureza. Como se não bastasse a cinta de abertura vaginal embaixo, ela estava usando uma cinta de fivelas que circundavam cada seio redondo em um círculo apertado, os deixando presos e asfixiados dentro da tira de couro.
Os globos lustrosos e inchados se projetavam para frente, fazendo as correntes laterais cintilarem. Elas trilhavam um caminho até os mamilos, que eram apertados por um prendedor de prata que funcionava com pressão. O mestre decidia qual o nível de pressão cada escravo devia suportar.

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