O ar ficou denso, pesado e perigoso.
Vitório deu um sorriso curto, sem humor. Daqueles que precederam tempestades.
— Quem é a mulher da foto? – perguntou diretamente para Alberto. – Disse que descobriria quem era ela.
— Ainda não sei. Mas acho que pode ser uma ex-funcionária. Só isso justificaria sua precisão em invadir o antigo servidor, o conhecimento da planta da Acrópole e o sistema de monitoramento interno e externo. — Respondeu seu irmão mais novo, praticamente cuspindo as palavras.
Todo mundo estava farto desta merda.
— E o rastro bancário? Ele movimentou o dinheiro restante? — Vitório rugiu.
— Parece que o sacou a dois dias. E fez um câmbio fora de São Paulo, usando um nome falso, obviamente. — disse Ícaro.
O silêncio se tornou opaco.
Vitório sentiu algo gelado deslizar pela espinha. A sensação de que estavam sendo manipulados, usados novamente o enervou em segundos. Maldita vadia imunda!
Foi Alberto quem soltou a última bomba.
— Há mais uma coisa que precisa saber.
Vitório ergueu os olhos devagar.
— Fala.
— Tiago me informou que a Astrid foi vista rondando a escola do Olavo, há alguns dias atrás. — disse Alberto, com a voz grave, ríspido. — Os homens dele estão atentos, mas é melhor ficar atento. O garoto faz parte da jogada dela.
O mundo de Vitório virou sangue naquele momento. A sala pareceu pequena demais para conter sua fúria, um tremor percorreu seus músculos, tensionando sua mandíbula, endurecendo seu peito, intensificando a respiração até ela se tornar quente, rápida, animal. Seus olhos escureceram, um abismo profundo e destrutivo.
E antes que qualquer um pudesse reagir, o punho de Vitório desceu sobre a mesa com um estrondo ensurdecedor.
O tampo de madeira maciça estremeceu, objetos saltaram, papéis voaram, o som ecoou como um trovão preso entre paredes de vidro.
— FILHA DA PUTA! — rugiu ele.
O copo feito de cristal, cheio de whisky, foi agarrado e arremessado com tanta força contra a parede que os estilhaços explodiram no ar como milhões de diamantes.
A respiração dele saía em rajadas, o peito desnudo pela camisa aberta, pois os botões simplesmente estouraram. Parecia o de um gladiador prestes a trucidar o inimigo, cada fibra de seu corpo denunciava o desejo de sangue.
Ticiano deu um passo para trás, e se sentou na primeira poltrona que encontrou.
Ícaro estava pronto para segurar o irmão, caso ele quisesse fazer uma loucura. Mas Alberto, parecia querer ver o inferno pegar fogo de vez. Todos estavam cansados disso. Alberto fez um sinal para Ícaro se afastar, pouco antes de Vitório arremessar sua cadeira contra a parede oposta, a destruindo completamente.
Eles sabiam que interromper aquela tempestade poderia custar caro.
Vitório passou as duas mãos pelo rosto, tentando um autocontrole que ele já tinha perdido no instante em que ouviu "escola" e "Astrid" na mesma frase. Isso tinha que acabar.
AGORA.
Quando finalmente falou, a voz saiu baixa, perigosa.
— Se ela chegou tão perto… significa que está segura de que será bem sucedida.
Ticiano assentiu.
— Só que dessa vez, temos a vantagem. Ela quem está sendo ludibriada. – Ele olhou para Ticiano, seu amigo estava mais magro e parecia exausto. – Astrid crê que você voltará para ela assim que fizer o próximo movimento.

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