Vitório
Ele desceu as escadas ainda com um sorriso sacana no rosto, queria parecer imponente e realmente irritado por Hans ter estragado sua diversão Lucy, mas provocá-la com palavras e situações pervertidas, era muito satisfatório.
Adorava vê-la perder a pose, e ficar corada até a raiz do cabelo.
Quando chegou no último degrau da escada, viu Beth passou para a cozinha aos prantos, enquanto Hans empurrava Tobias com força, para ir atrás dela.
- Caralho... – soltou, dessa vez irritado para valer.
Hans estava fora de si, para fazer uma coisa dessa. Por sorte, Tobias era um homem robusto e não seria pego desprevenido.
- Pare com essa merda. Está dentro da minha casa, Hans! – o advertiu, se aproximando rápido.
Tobias o soltou, e o babaca alinhou as roupas com movimentos ríspidos e obviamente irados. Hans me encarou com um misto de frustração e cólera, o cheiro de Bourbon exalava pelos poros de seu rosto.
- Vitório, você não entende... – ele começou, com uma voz que parecia um rosnado de um urso ferido. – Bettany precisa vir comigo, ela é minha esposa agora. Isso não deveria ter acontecido.
- Está meio fora da realidade, não é mesmo, parceiro? – Vitório apontou, com um suspiro entediado.
- O que quer dizer? – ele perguntou, tentando passar para ir atrás de Beth.
Vitório passou o braço pelos ombros de Hans, e o forçou amigavelmente a voltar para a sala de estar.
- Senta aí. – disse o soltando.
O homem o encarava com raiva, seus olhos azuis cintilando perigosamente. Vitório arqueou uma de suas sobrancelhas, louco para que ele se atrevesse a desafiá-lo. Estava precisando socar alguma coisa, para aliviar a frustração sexual, já que foi interrompido antes de terminar.
- Eu te disse que preciso falar com ela. Não sei o que disseram para ela, mas minha esposa não será manipulada por vocês.
- Vou relevar porque não está em seu juízo perfeito. Seu hálito de bourbon seria capaz de deixar a Beth embriagada. É assim que vai convencê-la a te aceitar de volta?
- Sou o marido dela. – disse, desviando os olhos azuis para suas mãos que se encontravam sobre os joelhos cruzados.
- Exatamente. – Vitório se serviu de uma dose de whisky, e serviu um copo de água para aquele infeliz. – É o marido, não o dono. Ela não é uma propriedade, Hans.
- Você não sabe de nada. Não pode opinar na vida das pessoas. Não tem esse direito.
- Acontece que a minha esposa e a sua são irmãs. Fizeram o teste. Isso nos torna parte da vida dela, você querendo ou não.
Hans passou as mãos no rosto, com tanta força que parecia querer arrancar a própria pele.
- Fiz algo terrível a ela, Vitório. – ele disse, num tom sombrio. – Esse casamento, precisa continuar, mesmo que ela me odeie agora. Um homem que desonra uma mulher inocente como Beth, não pode simplesmente seguir sua vida como se nada tivesse acontecido.
Vitório se apoiou na lateral da poltrona, e deu um longo gole esse em sua bebida. Seria uma longa conversa.
- Está fazendo tudo errado, seu idiota. – respondeu finalmente.
Hans o olhou surpreso, e ao mesmo tempo irritado.
- O que foi que disse?

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