Enquanto tentava se recuperar do choque de vê-lo, Amélia percebeu que mesmo estando a vários metros de distância deste homem, podia sentir o seu cheiro inconfundível gravado em sua memória desde que ele a beijou.
O magnetismo intenso de Ícaro, quase fez com que saísse correndo como um covarde.
O sorriso de canto com aquele ar de prepotência, confirmaram suas suspeitas. Ele tinha armado essa entrevista, por algum motivo sádico.
Provavelmente estava rindo de sua ingenuidade de crer que realmente poderia trabalhar na Acrópole.
Deveria ser isso o motivo daquele sorriso de canto que deixava esse sem vergonha ainda mais sexy e bonito. Podia ver o divertimento em seu olhar, ela era sua boa da corte no momento.
Amélia não conseguia pensar direito, suas mãos transpiravam, sua boca estava seca e aquele maldito perfume que ele emanava parecia adentrar até o seu menor poro fazendo com que seus sentidos parecessem entorpecidos.
Para piorar ainda mais sua situação ele continuava a esquadrinhar minuciosamente seu rosto e o seu corpo com um olhar descarado até mesmo para ele que nada revelava em sua expressão marcante.
A vontade que tinha era sair dali o mais rápido possível para que não sentisse mais esse estado de alerta gritante dentro de si dizendo que precisava ficar longe dele.
Se fizesse isso, seria ainda mais prazeroso para esse babaca. Com certeza ele soltava uma gargalhada ao vê-la sair de cabeça baixa e humilhada.
Bem, a única coisa que poderia fazer agora, era entrar neste teatro e fingir que estava mesmo em uma entrevista de emprego em potencial, mesmo que os olhos dele parecessem incendiar sua pele, e seu coração doer de tanta ansiedade.
Levou uma mão ao peito sentindo a palpitação intensa de seu ritmo cardíaco. Estava começando a temer que estivesse doente, por se sentir desse jeito.
-Srta. Bastos? -Ótimo, além de inadequada agora ele pensaria que ela era idiota, já que não fazia ideia do que ele estava dizendo.
- Desculpe, pois não?
- Disse que é uma coincidência que estejamos nesta sala. - ele pegou um papel sobre a mesa e passou os olhos rapidamente sobre ele. – Se não se importar, prefiro conduzir essa nossa conversa na minha sala.
-Tudo bem. – mesmo que não quisesse ir a parte alguma com ele, não conseguia se negar a acompanhá-lo.
A contragosto o caminhou atrás dele, até o elevador, rezando para que não tropeçasse nos próprios pés. Amélia ficou ainda mais tensa quando entrou no espaço reduzido com ele.
Assim que as portas se fecharam ela se sentiu perdida na presença dele, fechou os olhos com força para tentar se livrar daquela sensação de que ele invadia todos os seus sentidos.
-Você está bem? É claustrofóbica? – ele perguntou com tom neutro e despreocupado.
- Sim, sou um pouco. – mentiu, descaradamente.
A presidência ficava no último andar do prédio enorme. Sem contar uma recepcionista idosa e discreta, só havia mais três salas imensas que consegui identificar.
Possivelmente, deveria ser do corpo de diretores da companhia. Se havia outras salas nos outros corredores, não era possível numerar e muito menos visualizar.
A discrição era a palavra de ordem naquele lugar.
A sala do poderoso da Acrópole fazia jus a sua riqueza e sucesso, era enorme com janela do chão ao teto, uma mesa enorme de carvalho negro completava a opulência, uma cadeira de couro verde musgo alta, as três paredes restantes pintadas em cinza claro contrastava com o a iluminação embutida nos ângulos de noventa graus.
Havia três obras de arte antigas e valiosas retratando cenas famosas e importantes de Renoir, Monet e Goya. O gosto refinado pop arte, de certo modo, desconstroi aquela marra e presença tão opressiva que ele tinha.
Ele indicou a poltrona de frente a sua mesa e se sentou em seu trono. Pegou o celular e chamou alguém.
Os minutos se passavam, e ela não conseguia entender por que não se levantava e ia embora, antes de chegar um segundo espectador desse espetáculo ridículo.
- Não fique tão nervosa. Meu assistente está a caminho, ele é responsável pela maior parte das contratações.
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