O lençol da sua cama tinha o cheiro de amaciante de roupas, ela aspirou aquele cheiro que tanto gostava quando se jogou sobre ele.
Tinha trocado a roupa de cama cedo e amava aquela utopia de cheiro de roupa lavada; Sam se sentou de frente para ela preenchendo seu quarto com aquela presença vibrante que ela tinha naturalmente.
Sam era fruto de uma aventura amorosa de sua mãe com um simples capataz da fazenda da família. Para abafar o escândalo da traição, a mãe dela entregou a filha recém nascida ao pai e eles foram mandados para longe da vida perfeita de sua progenitora.
Só descobriram a existência uma da outra, quando Samantha já tinha onze anos, e ficou muito doente. Ela tinha um tipo de sangue raro, e precisou da mãe para a doação.
As famílias estavam reunidas para alguma comemoração, houve uma cena que assustou demais as duas meninas, mas no final, foi Amélia quem se aproximou da menina doente que mal conseguia ficar de pé, e a amparou preocupada.
Depois disso, ela sempre fugia de sua babá para ver Sam, que ficou hospedada na ala dos empregados por três dias antes da transfusão. Trocaram telefones, e nunca mais pararam de se falar.
Sam é uma mulher deslumbrante, fazia quase todos se virarem para admirá-la onde passava. A pele reluzente de ébano, corpo desenhado como o de uma boneca e o rosto tão bonito de sorriso largo nos lábios carnudos desconcertam qualquer um, seus olhos verdes a tornavam exótica, eram expressivos e únicos; seus cabelos eram cheios de cachos que ela fez questão de fazer uma iluminação maravilhosa que dava ainda mais vida e movimento aos fios.
Ela era belíssima.
Apesar disso, ela nunca quis modelar, mesmo sendo apaixonada pela moda e seguindo tendências, houve inúmeros convites, mas ela acreditava que essa exposição a faria enveredar num mundo de aparências que ela odiava profundamente em razão do abandono de sua mãe biológica.
Ainda que sua alegria espontânea transbordasse de maneira contagiante, ela também era marcada pela dor. Amélia sabia que grande parte dessa dor, também era sua culpa.
E isso era uma ferida aberta em seu peito que nunca cicatrizou.
- Ele é um dos homens mais bonitos que eu já vi, e é extremamente reservado em relação a vida pessoal dele.- Sam comentou a chamando de volta a realidade.
- Ele é só um imbecil presunçoso de ego inflado a ponto de pensar que qualquer mulher morreria por ele. – ela respondeu com uma careta, se lembrando das mãos fortes de Ícaro segurando seus cabelos lhe causando arrepios de prazer.
- Quanta merda Mel! Deveria admitir o quanto ele é gostoso e pronto. – Sam riu alto enquanto era atingido por um travesseiro.
Depois de vários comentários de Samanta sobre o poderoso e gostoso Ícaro Darius; ela desistiu quando viu que não lhe arrancaria uma concordância e saiu ameaçando Amélia de morte caso ela não aceitasse o emprego.
Sam tinha um compromisso para essa noite, coquetel da agência de publicidade, e insistiu várias vezes para que fossem juntas. Mas abandonou a causa perdida depois de infindáveis recusas.
Sozinha em casa, sem vontade de ficar ociosa decidiu continuar a faxina que começou cedo, depois de várias horas ela acabou e saiu para pegar a correspondência que viu atolada na caixa de correio. Geralmente era Sam quem pegava tudo de manhã, certamente ela esqueceu de retirar hoje.
Folheou os vários papeis em suas mãos, a maioria deles eram ofertas de produtos e empréstimos. Mas havia um envelope azul com o emblema de um banco que elas não tinham.
Estava endereçado a sua prima com um carimbo vermelho de urgente. Como sempre abriam qualquer coisa endereçada às duas, abriu o envelope, lento rapidamente o documento com os dados de identificação de Samanta. O conteúdo a deixou com uma dor no estômago instantânea.



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