Amélia
A cafeteria do quinto andar estava cheia hoje. Geralmente os funcionários preferiram sair do prédio na hora do almoço, mas hoje parecia que uma parte de todos os departamentos estavam ali.
Ticiano bebia chá preto gelado, e esperava um lanche frio ser preparado. Enquanto ela, tomava um machiatto intenso até que seu pedido ficasse pronto.
Algumas pessoas sentadas a uma mesa próxima olharam na direção dela e diminuíram o tom de voz, analisando sua figura de cima a baixo. Pensou que já tinha passado da fase da discriminação ali na empresa.
Mas pelo visto estava enganada.
- Nossos lanches ficaram prontos, vou buscar. – Ticiano disse, chamando sua atenção.
- Pode deixar que faço isso. Eu sei que você está terminando um documento para ser enviado em vinte minutos.
- Obrigado Amélia. – ele respondeu com um sorriso simpático.
Os dedos dele trabalhavam furiosamente no tablet à sua frente. Amélia se levantou, caminhando devagar em direção ao balcão. No meio do caminho, ouviu uma das conversas que paralisaram seus movimentos.
-Sim, é ela. Soube que o CEO está dormindo com ela.
- Que desperdício. Um homem gostoso daqueles, com isso aí...?
- Parece que ele gosta de brincar com elas. Dar a noite da cinderela e depois mostrar o lugar desse tipo ...
Ela segurou com força o papel da ficha de retirada da lanchonete. Todos já sabiam que tinha dormido com Ícaro. Mas como? Estavam falando dela abertamente, como se fosse bizarro a fofoca que estava correndo.
Se ela não contou a ninguém nesse lugar. Quem revelou tudo foi ele. Com que propósito? Envergonhar e humilhar?
Amélia entregou o papel amassado para a garçonete simpática. “Parece que ele gosta de brincar com elas. Dar a noite da cinderela e depois mostrar o lugar desse tipo ...” Então foi parte do jogo, nada mais que isso. Provavelmente ela nem era a primeira, e nem seria a última.
Agora entendia o olhar indiferente, quase frio, quando se cruzavam nos corredores. Cinco dias se passaram depois daquela loucura, e ele só falou com ela duas vezes. Todas relacionadas a trabalho.
Até suas cooperações nos projetos foram limitadas, não participava de nenhuma reunião. Era uma boa estratégia para evitar que os rumores chegassem à cúpula administrativa.
No final, ele não era diferente dos imbecis com quem saiu. Só tinha mais poder e domínio de suas emoções.
Babaca idiota!
Voltou para a mesa evitando os olhares acusadores e os sussurros difamatórios.
- Está tudo bem?
- Sim, é só uma dor de cabeça chata.
- Você está pálida. Tem certeza de que é só isso?
- Sim. Não se preocupe comigo. – respondeu com um sorriso amarelo.
- Somos amigos agora, claro que vou me preocupar com você. – Ticiano apertou sua mão, em um gesto de afeto que surpreendeu. Ele era sempre tão sério e comedido.
- Obrigada. Você tem sido muito bom comigo, desde que cheguei na Acrópole.
- Não foi nada. – ele voltou para a tela novamente.
Amélia sentiu o peso exagerado da observação de alguém sobre ela. Uma tensão opressiva começou a se acumular em seus ombros. Levantou os olhos, procurando quem estava olhando para ela com tanta intensidade, mas não viu ninguém encarando diretamente.
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