Amélia
Deveria estar estudando ou trabalhando em seu projeto. Mas depois do que aconteceu no escritório hoje, não conseguia se concentrar em nada.
É por isso que envolvimentos românticos e sexuais só servem para bagunçar a vida das pessoas.
Por sorte, ninguém viu quando ela saiu da sala daquele homem. Amelia entrou no carro do outro lado da rua sem nem mesmo perceber o que estava fazendo. Suas lágrimas não paravam de molhar seu rosto, sua blusa de seda creme.
Ela ainda não conseguia assimilar o que aconteceu.
Tomou um banho, vestiu uma roupa confortável e foi pra sala, ligou a tv em um filme idiota sobre terror na floresta. Os minutos foram se passando, ela ouvia a voz dele ecoar chamando seu nome, enquanto corria para fora da sala arrumando o sutiã e a blusa toda aberta.
A mulher deve ter pensado que ela era uma funcionária vadia.
Jogada no sofá, virou a garrafa de vinho vazia na boca, na esperança de que tivesse mais um gole. Amélia já havia bebido tudo, o álcool foi mais que necessário para afugentar a imagem daquela cena onde aquela mulher entrava na sala dele enquanto Ícaro ainda estava dentro de seu corpo.
Esfregou os olhos com força. Por que esse desastre tinha que acontecer com ela? Aquela mulher não era uma simples funcionária, ela era íntima de Ícaro Darius. Provavelmente uma namorada.
Foi tão tola e descuidada. Se sentia um lixo usado e descartado, algo nojento e vergonhoso. Ainda podia ver os olhos daquela mulher deslumbrante encarando os dois em choque e repulsa.
Como pode se deixar levar pela sedução daquele homem perverso e imoral?! Sua cabeça doía só de pensar em como foi idiota, mesmo sabendo que não passava de uma distração diferente para ele, nunca cogitou a ideia de que Ícaro estivesse comprometido com outra mulher.
Pensar na sua própria estupidez deu muita raiva. Aquele babaca imprestável estava com a linda boneca refinada, nesse momento A bela mulher de olhos azuis brilhantes e cabelos de seda negra.
Conseguia até imaginar a cena, ele abraçando o corpo delicado dela, consolando com carinhos suaves e dizendo que foi tudo um mal entendido, que a estagiária precisava de ajuda com alguma coisa.
Desgraçado!
Maldito sem vergonha!
As lágrimas ressurgiram em seus olhos. O que mais doía não era ser pega naquela situação constrangedora. A dor de se sentir usada de novo era insuportável.
Estar com Ícaro a surpreendeu tanto, que todas as incontáveis vezes que relembrava os detalhes dos momentos com ele, sentia seu coração acelerar instantaneamente e seu corpo entrar em combustão.
Novamente havia marcas dos beijos em seu corpo, elas ainda queimavam toda vez que a imagem dele aparecia em sua mente traiçoeira. A sensação de que ainda era tocada por Ícaro, fazia todo o seu ser vibrar de ansiedade e emoção. Jamais imaginou que um dia sentiria algo sequer parecido com isso.
Antes de conhecê-lo, Amélia se sentia morta por dentro, uma escuridão tão profunda que ameaçava destruir o que restou dela. Esse mal tão enraizado em seu íntimo provocava asco, e sempre que pensava na possibilidade de alguém ver aquilo ficava desesperada.
Mas Ícaro quebrou todas as suas defesas e penetrou seu interior, sua armadura construída para protegê-la do mundo e não deixar aquela escuridão ser vista. Ele adentrou todos os lugares de seu ser.
Todas as sombras desapareceram como névoa, no momento que ele mergulhou em seus olhos e a abraçou de verdade, oferecendo um refúgio de si mesma. Pela primeira vez na vida, ela se sentiu livre e segura. No seu subconsciente, desejou manter aqueles momentos para sempre.
Foi por isso que ela se entregou ao desejo que consumia a ambos. Admitia que foi gananciosa demais. Queria mais disso, mais desses momentos, sentir mais, se descobrir nos braços dele.
Querer o que não se deve ter, é perigoso. É por isso que estava doendo tanto. Porque desejou demais, ela queria que pelo menos uma vez nessa vida essa pessoa fosse real. Esse homem que foi único capaz de despertar suas emoções, seus sentimentos, ela queria somente ele. Desejou ser o bastante para ele, que ele apreciasse estar com ela.
Limpou o rosto com as costas das mãos. Não havia soluções para esse sentimento tão desolador. Precisava engolir tudo isso e fingir que nada tinha acontecido. Era boa em guardar suas dores e ignorar seu sofrimento.
Sabia que as fofocas aumentariam depois daquilo. Mas foi um risco que assumiu no momento em que se deixou levar pela luxúria. Teria que fingir não ver e nem ouvir nada, e assim seguir em frente.
A única alternativa que tinha, era fechar essa porta, tocar a vida como se fosse mais uma experiência que serviu para lembrar o motivo de se manter longe dos homens.
Sam tinha saído para um coquetel de negócios. Graças a Deus, elas nem chegaram a se ver. Quando ela chegou do trabalho, Amélia estava no banho, chorando rios de lágrimas. Samanta só se trocou e saiu às pressas.
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