Ícaro ainda estava pensando no que viu na rua da casa da sua garota. Alberto só podia estar alí por um motivo; Samanta.
Não teve tempo de falar com o irmão, mas amanhã Alberto ia esclarecer essa história. É uma merda que justo o mais mulherengo estivesse traçando a prima da sua mulher.
Os voluntários se reuniram para tirar uma foto. Muitas crianças e adolescentes estavam presentes no evento daquela noite, junto ao seu assistente e o assistente social que trabalhava na ong Vida Ativa.
De bermuda e camiseta, Ícaro ajudou na distribuição dos lanches e bebidas. Os medalhistas de judô se aproximaram com um sorriso largo e orgulhoso.
A competição foi um sucesso.
Várias crianças se cadastraram, e as famílias estavam confiantes e esperançosas por um futuro melhor.
Ticiano estava feliz em participar desse evento. Foi aqui que ele cresceu, nessa periferia onde tudo era precário, e as pessoas não tinham acesso ao básico do conforto e educação.
Foi difícil no início. Esse lugar era tão carente, que nem traficante queria saber de ser dono dessa favela.
Havia tráfico de drogas, mas de maneira desgovernada, sem comando algum. Mas o que prevalescia era a prostituição de adolescentes que abandonavam a escola ainda no ensino fundamental.
Ícaro saiu do salão comunitário da ong, três garotos estavam lá fora desde que chegaram. Eles olhavam para tudo com expressões de raiva e rancor.
Ele fez um sinal para Ticiano, que interpretou facilmente seu pedido. E seguiu em direção dos garotos. O barulho dos rojões no morro do lado, significava que estava rolando operação da polícia antes dos corriqueiros bailes funk do fim de semana.
As políticas públicas de segurança eram muito falhas. Por mais que quisesse proteger e ajudar essas pessoas, esse era o momento de toda sua equipe irem embora.
Se houvesse um tiroteio, era para essa comunidade que os traficantes escolheriam para se esconder. Atirando, matando e estuprando quem encontrassem no caminho.
Saber o momento certo de saírem dali é uma questão crucial. Ele pegou o celular enviando uma mensagem ao seu assistente, equipe tática que sempre ficava de prontidão, e aos outros membros da ong.
Dois minutos depois, Ticiano entrou no carro.
- Os dois garotos irão até a sede da ong amanhã.
- Ótimo. Vai ficar em algum lugar, ou prefere ir para casa?
- Vou ficar no Cuba.
- Te deixo lá.
Os fins de semana eram muito agitados na grande São Paulo. Por um instante Ícaro se arrependeu de não ter pedido para Ticiano dirigir. O tráfego caótico o irritava e estressava.
Quando entraram na marginal, ele já estava tão tenso que seus músculos endurecidos doíam. Odiava dirigir assim.
O som do telefone de Ticiano tocando chamou sua atenção.
- Oi. – ele atendeu, um sorriso sutil em seu rosto. – claro. Eu mando pra você assim que chegar no Cuba. – uma pausa. – Não! É só um barzinho que frequento com alguns amigos…. – outra pausa. – Acho melhor não.... Amélia não é isso...
Amélia?
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