Logo que o dia amanheceu, já estava de pé. Pronta para sair em busca de emprego. Antes de clarear, ouviu o barulho da porta, com certeza Sam voltou para casa cedinho, para não perder o dia de trabalho.
Ela sempre foi muito comprometida, mesmo quando ficava doente, não costumava faltar.
A caminho da cozinha, passou quarto de Samanta, que estava aberto. Era totalmente diferente do seu, em gosto e pertences. Equanto sua prima era romântica e delicada, o seu gosto era mais sóbrio e sério sem ser impessoal.
O seu quarto já era o oposto, era básico apenas com uma cópia de uma pintura de Renoir, era simples e as paredes em amarelo claro conferiam um certo aconchego, os móveis eram rústicos e pequenos e o único detalhe pessoal era uma foto das duas no porta retrato no criado mudo com um abajur simples.
Havia várias roupas sobre a cama, sandálias e sapatos muito bonitos e elegantes no chão. Sua prima estava sempre na dúvida do que vestir quando ia sair com aquele novo namorado, era como se ela não confiasse mais no seu bom gosto ou tivesse medo de errar em qualquer detalhe.
Se apressou em arrumar as coisas de Sam, espalhadas pelo chão e pela cama.
Quando foram morar juntas a cinco anos, Amélia parecia a sombra do que foi um ser humano, ferida e muito fragilizada por tudo o que passou, sua recuperação era lenta e penosa.
Sam foi um apoio incomensurável, o cuidado e carinho que não teve nem da própria mãe, foi recebido dos braços de sua prima. Ela deu um jeito de manter contato, quando Amélia ainda morava no Rio; a unica familiar que se importava com ela, estava sempre preocupada com a sua situação.
- Você já acordou...
Sam resmungou sonolenta.
- Bom dia, querida. – se aproximou da cama, e deu um beijo nos cabelos ondulados de Sam.
- Onde vai tão cedo?
- Procurar trabalho. Enviei meu currículo a várias agências de emprego. Mas nenhuma vaga é o suficiente para pagar a faculdade.
- O que aconteceu ontem? Por que não foi me buscar?
Samanta se sentou na cama, ainda vestida com o vestido verde água que usou na noite anterior, a maquiagem borrada e os acessórios no corpo. Ela era uma linda morena bronzeada, de corpo torneado, olhos castanhos e pernas longas que atraia olhares por onde passava.
Seu sorriso brilhante e largo era tão charmoso e simpático, que Sam sempre foi uma pessoa socíavel e querida por todos. Ela já havia modelado na adolescencia, mas agora trabalhava como publicitária.
- Tive um problema com o carro. Ele parou frente ao endereço que você me deu, precisou de reboque.
- Ah... – Sam sorriu. – Por isso ele está estacionado lá fora.
- Ele está?
A surpresa estampada em seu rosto, quase a denunciou. Não pretendia contar para Sam o que aconteceu entre Ícaro Darius e ela.
- Como você não sabia que seu carro estava lá fora, se você voltou de reboque com ele?
Samanta a olhou com interesse e malícia.
- Eu me esqueci, é só isso...
- Que estranho.. – ela remexeu na bolsa jogada sobre o criado mudo.
Tirou um cartão preto, e as chaves do fusquinha junto.
- Onde você..
- Isso? – Ela balançou o cartão com a chaves, acima da cabeça de Amélia, que correu para pega-los.
Sam ria feito uma idiota.
- Sam, me dá isso!
- Esse cartão é importante? Vamos, me fale sobre ele.
- Não é! Me devolva a merda da chave com esse lixo junto.
- Você está muito empenhada em pegar de volta esse “lixo”.
Ela riu ainda mais alto. Jogando suas ondas rebeldes para trás. Amélia nunca foi pareo para os 1,78 de altura da prima mais velha.



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