— Um novo líder foi finalmente instalado na dinastia da família Wyndham.
A voz da repórter ecoava pela sala de estar, alta.
— O império anunciou o popular ator Carl Hompton — agora conhecido como Carl Wyndham — como o novo CEO do Império Wyndham. Isso acontece após Gabriel Wyndham deixar o cargo, depois do choque e trauma causados pelo desaparecimento de sua esposa grávida, a senhora Isla Wyndham, que está desaparecida há um mês.
A voz da repórter continuava, mas foi se apagando ao fundo à medida que o choro de Diana ficava mais alto.
Os soluços dela eram quebrados, doloridos, como se cada respiração ferisse o peito.
Betty pegou rapidamente o controle remoto e abaixou o volume da televisão.
— Acho melhor desligar isso. — Charles murmurou, a voz carregada de tristeza.
— Não está ajudando ninguém.
Betty assentiu e desligou a tv completamente.
O silêncio tomou conta do cômodo, exceto pelo choro de Diana.
Diana se apoiava fraca contra o peito de Charles, as mãos agarrando a camisa dele enquanto chorava como uma mulher que perdeu o próprio mundo. Charles a envolvia com força, como se ela fosse se despedaçar caso ele a soltasse.
A tristeza havia se tornado uma visitante diária na família Ainsworth.
Desde o desaparecimento de Isla, a casa estava cheia de lágrimas, medo e perguntas sem resposta. As risadas que antes preenchiam o lar haviam desaparecido. Até o ar parecia pesado.
A cidade inteira de Richbouph sofria com eles.
Isla e Gabriel não eram apenas um casal; eram amados por muitos. Os jovens admiravam a história de amor deles, a lealdade, a forma como se olhavam como se o mundo não existisse. Eram vistos como o casal perfeito, o futuro da família Wyndham.
Isla carregava o futuro herdeiro da dinastia Wyndham.
E isso tornava sua vida perigosa.
Ela havia escapado por pouco de uma tentativa de assassinato meses antes. Todos se lembravam disso. E agora… ela estava desaparecida.
Simplesmente sumiu no ar, sem deixar nenhum rastro.
A perda destruiu Gabriel Wyndham completamente.
Ele não conseguia mais liderar o império familiar com a mente clara. A dor era grande demais. O medo, profundo demais. Então ele deixou o cargo e entregou o trono ao irmão mais novo, Carl.
Muita coisa havia acontecido com a antes poderosa família Wyndham. Desde a morte de Alfred Wyndham, o pilar da família, nada mais parecia dar certo.
E a família Ainsworth também sofria profundamente.
A notícia do desaparecimento de Isla caiu sobre eles como um raio. Diana, principalmente, nunca se recuperou. Chorar virou rotina. O sono a evitava. A comida já não tinha importância.
A família vivia em luto.
Na mansão Wyndham, a situação não era muito diferente.
John e Gladys lutavam todos os dias para manter a família unida. Tudo parecia estar desmoronando em suas mãos. Anunciar um novo líder não foi uma escolha, foi uma necessidade.
E Gabriel…
Gabriel também havia desaparecido. Não porque foi sequestrado. Mas porque não suportava a dor de perder a esposa.
Ele precisava respirar. Precisava de espaço. E ainda assim, sua ausência preocupava a todos.
— Quando foi a última vez que você falou com ele? — John perguntou a Stone, que estava em pé, em silêncio, perto da lareira na sala da família.
Stone se endireitou levemente.
— Falei com ele há duas noites atrás, senhor. Mas desde então o telefone dele está fora de área.
John suspirou fundo e esfregou a têmpora.
— Eu entendo a dor dele. — John disse lentamente.
— Todos nós estamos sofrendo. A Isla não pode simplesmente desaparecer assim… mas essa é a nossa realidade.
A voz dele falhou.
— Temos que aceitar isso. Gabriel tem que aceitar isso.
O silêncio voltou a dominar o ambiente, ninguém falou.
Parecia que os dias bons tinham acabado para sempre.
Mas dentro da Wyndham Corporation, o clima era completamente diferente.
O prédio fervilhava de energia. Funcionários andavam apressados, focados no trabalho. Reuniões aconteciam normalmente. Os negócios não paravam por causa do luto, porque um novo CEO havia assumido.
Antes, a beleza dela o excitava.
Agora… só o irritava.
Ele não ficou surpreso ao vê-la. Já esperava por isso. Ainda assim, um gosto amargo subiu em seu peito.
Aquilo era pela segurança da família.
Então ele interpretaria seu papel perfeitamente.
— Não me diga que você não está feliz em me ver, Carl. —Delphine disse, provocante.
Carl se recostou na cadeira, expressão indecifrável.
— Eu deveria estar? — Perguntou friamente.
Delphine soltou uma risada baixa.
Ela se aproximou, balançando os quadris de forma lenta. Jogou a bolsa sobre a mesa e invadiu o espaço dele.
Carl a observava com atenção. Ela parecia calma… no controle.
Os dedos dela subiram, as unhas bem feitas roçando o maxilar dele.
Ele não recuou. Não reagiu. Apenas a observou.
Então ela afastou as pernas dele e se sentou em seu colo.
— O que você pensa que está fazendo? — Carl perguntou, a irritação começando a aparecer na voz.
Delphine sorriu com confiança.
— Eu sei que você está com raiva de mim. — Disse suavemente. — Mas antes de tudo… eu estou feliz por você. Você finalmente encontrou sua família.
Ela se inclinou, a respiração quente contra o rosto dele.
— E parabéns pela promoção.
Então, sem esperar resposta, pressionou os lábios contra os dele.
O jogo… tinha realmente começado.

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