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A Extraordinária Noiva da Família Wyndham romance Capítulo 210

Carl não abriu a boca, e nem se moveu.

Seu corpo ficou rígido sob o toque de Delphine, como um homem travando uma guerra dentro de si mesmo. O calor dos lábios dela ainda estava fresco nos seus, mas sua mente se recusava a reagir.

Delphine percebeu imediatamente.

Ela se afastou devagar e o encarou, o choque estampado no rosto. Aquele não era o Carl que ela conhecia. O Carl que ela sempre controlou, o Carl que faria qualquer coisa só para olhar nos olhos dela, só para tocar sua pele… aquele Carl estaria pulando de alegria agora. Mas ele estava diferente.

Ela sabia que o usava. E também sabia que ele sempre soube disso.

Ainda assim, por pior que ela o tratasse antes, ele nunca tinha resistido assim. Nunca a afastou com silêncio.

A rejeição a irritou.

Ela sabia que ele tinha todo o direito de estar com raiva. Mas agora que o destino finalmente revelou a verdadeira identidade dele, agora que ele era o verdadeiro herdeiro do império Wyndham, não havia a menor chance de ela deixá-lo escapar.

Ela já tinha perdido Gabriel para Isla, não perderia Carl para ninguém. Nem agora. Nem nunca.

Se tivesse que destruir alguém para ficar com ele… ela faria.

Carl olhou para o rosto dela e sentiu o peito apertar. Sabia exatamente que tipo de mulher ela era. Tóxica. Perigosa. Egoísta.

Mas também sabia de uma coisa: se quisesse que o plano funcionasse, precisava interpretar seu papel perfeitamente.

Devagar, ele ergueu o olhar para ela.

— Você fugiu. — Disse com calma, mas os olhos queimando de ressentimento.

— No momento em que sentiu perigo, você sumiu.

O olhar dele desceu para as mãos dela sobre seus ombros, e a irritação voltou com força.

— Você me usou. — Continuou.

— Esse tempo todo, você me usou pra destruir o casamento do meu irmão.

Ele soltou uma risada amarga.

— Você nunca se importou comigo, Delphine. Você sabia o quanto eu te amava. Sabia que eu faria qualquer coisa por você. E mesmo assim… você queria o meu irmão.

O maxilar dele se contraiu.

— Agora que o Gabriel saiu do caminho, agora que a família me escolheu… você aparece do nada.

Ele a encarou diretamente.

— Por que você está aqui?

O sorriso de Delphine vacilou por um segundo, mas ela se recompôs rápido. Não tinha sobrevivido até ali desistindo fácil.

Ela suavizou a expressão.

A mão dela subiu até o rosto dele, os dedos acariciando sua pele com aparente carinho.

— Me desculpa. — Disse baixinho.

— Me desculpa por tudo que eu fiz com você.

A voz dela baixou ainda mais.

— Mas a verdade é que… eu te amo. Eu me importo com você. Você sabe disso.

Carl soltou um som de desprezo e virou o rosto, nem pra mentir ela servia direito.

Amor? Aquela palavra soava como um insulto saindo da boca dela.

Ele fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo, tentando controlar a raiva que queimava dentro dele para conseguir continuar o jogo.

Então, de repente, ele segurou o rosto dela e a beijou. O beijo não foi suave, foi duro, áspero. Não havia amor ali. Nem desejo.

Era um beijo de punição.

Delphine arfou, surpresa, mas não resistiu. A brutalidade sempre a excitou. Ela envolveu os braços no pescoço dele e correspondeu com intensidade.

Só se afastou quando o ar faltou.

Seus lábios estavam inchados. A respiração, irregular.

Carl a encarou por um momento, então falou:

— Se você realmente me ama como disse… — ele fez uma breve pausa, fechando e abrindo os olhos — case comigo.

Delphine congelou.

O corpo inteiro dela ficou imóvel. Os olhos se arregalaram enquanto tentava processar o que tinha acabado de ouvir.

Um milagre.

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