Pela primeira vez em muitos anos, a família Winthrope tinha um motivo real para comemorar.
O grande salão de jantar estava tomado por um clima acolhedor, música suave e pratos cuidadosamente organizados. A longa mesa reluzia sob o lustre dourado acima dela. Risadas ecoavam pelo ambiente, algo raro na casa dos Winthrope.
Tudo parecia perfeito para eles.
Rebecca Winthrope estava sentada na cabeceira da mesa, o rosto iluminado de felicidade. Seu sorriso era largo, orgulhoso. À sua frente estava o marido, Brian Winthrope. Ele parecia relaxado, satisfeito, observando a filha e o homem sentado ao lado dela.
Delphine Winthrope também estava radiante.
A alegria transbordava de dentro dela. Tudo pelo que havia lutado — tudo que havia tramado — finalmente tinha dado certo. Trazer um Wyndham para dentro da família era seu sonho há anos. Ela perseguiu Gabriel sem descanso, mas fracassou.
E ainda assim… ali estava ela. A vida tinha lhe dado uma segunda chance.
Quem diria que a semelhança de Carl com Gabriel não era coincidência, mas o destino jogando seu jogo cruel e inteligente? Homem diferente. Mesmo sangue. Mesmo poder.
Dessa vez, ela não iria falhar.
Carl Wyndham estava sentado ao lado de Delphine, cortando calmamente seu bife em pedaços perfeitos. Seus movimentos eram controlados, elegantes. Ele mastigava devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Qualquer um que olhasse com atenção poderia facilmente confundi-lo com Gabriel.
Ele tinha a mesma postura do irmão, Gabriel. A mesma confiança silenciosa. A mesma presença dominante.
A única diferença estava na cor dos olhos.
Rebecca o observava atentamente e sentiu um arrepio estranho percorrer seu corpo. Por um instante, poderia jurar que era o próprio Gabriel Wyndham sentado em sua casa.
Mas não era. Era Carl.
E ele era um convidado muito importante. Um Wyndham de sangue, e ó isso já tornava a noite digna de celebração.
No entanto, nem todos à mesa compartilhavam da mesma alegria.
Na ponta mais distante da mesa estava um homem idoso, muito idoso, provavelmente com quase oitenta anos. A simples presença dele mudava o clima do ambiente. Diferente de Delphine e dos pais, que estavam visivelmente satisfeitos, o velho parecia completamente indiferente.
Stephen Winthrope. O avô de Delphine.
O tempo o havia marcado profundamente, mas não o enfraqueceu. Ele era alto, incomumente alto para sua idade, com ombros largos que ainda transmitiam força. As costas eretas, a postura rígida, como um soldado que nunca se aposentou de verdade.
Seu rosto era duro.
Linhas profundas marcavam sua testa e suas bochechas, não de risos, mas de anos de crueldade, raiva e poder. Uma longa cicatriz atravessava do canto da testa até a sobrancelha esquerda, sumindo perto do olho. Parecia antiga. Violenta. Daquelas que vêm de sangue, não de acidentes.
Seus olhos castanhos eram frios e afiados.
Nada escapava deles.
Dois homens grandes estavam atrás dele, eram altos e musculosos, vestindo ternos escuros. Rostos sem expressão. Não comiam. Não falavam. Apenas observavam.
Carl não precisava que ninguém dissesse que aqueles caras eram perigosos.
Se aquilo fosse um filme, pensou ele, aqueles homens seriam criminosos. Matadores. Segurança da máfia. Do tipo que puxa uma arma sem piscar.
O velho comia devagar, sem interesse. Seu rosto mostrava tédio, como se toda aquela reunião não significasse nada. E os homens atrás dele permaneciam alertas, como predadores esperando um sinal.
Carl sabia de uma coisa com certeza: aquele homem era perigoso. E ninguém deveria mexer com ele.
— Então… — O velho finalmente falou.
Sua voz era grave e áspera, como pedra sendo arrastada. O som cortou o ambiente e silenciou todos imediatamente.
— Desculpa… — Continuou, erguendo os olhos para Carl.
— Qual foi mesmo o seu nome?
Seus olhos castanhos se cravaram nos de Carl, pesados, afiados, como se quisessem atravessar sua alma.
— Vovô… — Delphine se apressou, sorrindo com educação.
— Eu já tinha dito o no—
— Deixe o homem falar por si. — O velho cortou friamente, dispensando-a com um leve gesto da mão.
Delphine enrijeceu, mas ficou em silêncio.
Carl permaneceu calmo. Não parecia intimidado. Pelo contrário, estava composto.
— Meu nome é Carl Wyndham. — Disse com firmeza, sem piscar.
Sua voz era estável. Forte.
O velho o observou em silêncio.
— O que aconteceu com seu irmão? — Stephen perguntou de repente.
A pergunta veio do nada.
Carl foi pego de surpresa. Não esperava aquilo. Não ali. Não naquele momento. Por um segundo, seu coração falhou uma batida. Mas ele era um ator, e dos bons.
Ele abriu a boca para responder—

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