— Chega!
A voz de John cortou o ambiente como uma lâmina. Firme. Autoritária. A raiva no tom fez todos congelarem.
Sia parou no meio da frase, o peito subindo e descendo com força enquanto se virava para encará-lo.
— Pai— — Ela tentou protestar, a voz tremendo de raiva e dor.
— Saia da sala. — John ordenou friamente. Seus olhos endureceram.
— Agora!
A autoridade na voz dele não deixava espaço pra discussão.
A mandíbula de Sia travou. Ela se virou devagar, mas antes de sair, lançou um último olhar para Delphine, um olhar em chamas, cheio de ódio e acusação.
Então saiu, batendo a porta com força atrás de si.
O silêncio que veio depois foi pesado. Incômodo.
John soltou o ar devagar e voltou sua atenção para Delphine. Sua voz suavizou, embora o cansaço fosse evidente.
— Delphine, peço desculpas pelo que Sia disse. — Falou com calma.
— Ela está machucada. Todos nós estamos.
Delphine abaixou levemente a cabeça, interpretando perfeitamente o papel de vítima.
— Eu entendo. — Disse, em voz baixa.
— Também peço desculpas.
John assentiu uma vez.
— Mas eu vou te aconselhar uma coisa: não fale mais sobre a Isla. Não dentro desta casa.
— Entendo perfeitamente. — Respondeu Delphine. Sua voz tremia na medida certa, parecendo sincera.
Carl apertou a mão dela, como conforto.
— Fica tranquila. — Murmurou.
— Vai ficar tudo bem.
Por fora, suas palavras eram suaves. Mas por dentro, Carl sentia outra coisa completamente diferente… ele estava satisfeito com o que Sia tinha feito.
As palavras de Delphine sobre Isla tinham sido cruéis. Descuidas. Quase como uma provocação. Era como se ela tivesse deixado escapar, sem perceber, o desejo mais profundo dela.
Naquele momento, Carl a enxergou com clareza.
Delphine era venenosa.
Igual ao avô.
A constatação se instalou fundo em seu peito. Mas seu rosto continuou tranquilo. Seu papel ainda não tinha acabado.
Mia se levantou devagar, quebrando o silêncio.
— Com licença, pai… mãe — Disse em tom baixo.
— Vou ver como a Sia está.
John assentiu.
— Tudo bem, Mia. Pode ir.
Mia fez um leve aceno e saiu da sala.
Landon, no entanto, permaneceu sentado.
Ele observava Carl e Delphine atentamente, o rosto indecifrável. Não havia raiva. Nem entusiasmo. Apenas pensamento.
Depois de alguns segundos, ele falou:
— Então… qual é o plano? — Perguntou.
— Já escolheram a data?
Carl virou-se para Delphine. Ela agora sorria radiante, sem nenhum traço de medo. Ele retribuiu o sorriso e apertou sua mão de leve.
— Ainda não. Mas devemos decidir até o fim do dia.
Ele olhou para John.
— Só precisamos da sua bênção.
John os analisou por um momento, depois assentiu.
— Vocês têm a minha bênção, meu filho. E acredito que devo isso à Delphine.
O rosto de Delphine se iluminou na mesma hora. Seu coração disparou de emoção. Tudo parecia irreal.
Aquilo estava mesmo acontecendo?
A família Wyndham a tinha aceitado. John havia dado sua bênção. Em breve, ela seria uma deles. Ela queria gritar de felicidade. Pensou em Sia. Nos insultos. Nas acusações.
Delphine fechou levemente os punhos, Era só questão de tempo. Ela daria um jeito nela.
Ela não tinha feito nada com Isla. O destino simplesmente tinha tirado Isla do caminho… e colocado Delphine onde ela sempre deveria estar. O universo finalmente estava do lado dela.
Ela sorriu docemente para Gladys.
Gladys retribuiu… mas de forma fraca. Seu coração estava inquieto, confuso. Ela tinha ouvido tudo que Sia disse. As acusações. A raiva, o amargor. Ainda assim, ninguém explicava nada.
Ela não conseguia fingir que não tinha escutado.
Tinha algo muito errado.
Depois que Carl e Delphine saíram da mansão, Gladys não conseguiu encontrar paz. Seus pensamentos não paravam.

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