No começo, Diana permaneceu calma. Estava sentada em silêncio, as mãos juntas sobre o colo, os olhos baixos fixos no chão, tentando entender o que exatamente Stone quis dizer.
Claro… ela rezava todos os dias para que a filha estivesse bem. Toda manhã. Toda noite. Era sempre o mesmo pedido. Era nisso que ela se agarrava. Era a esperança que a mantinha viva até agora.
Mas a verdadeira pergunta nunca foi se Isla estava segura, a verdadeira pergunta era: onde ela estava.
As palavras de Stone soavam como fé. Como esperança. Como alguém dizendo pra ela continuar acreditando. E por isso, ela apenas assentiu devagar, mesmo sem realmente entender.
Seus olhos continuaram baixos.
Stone a observava com atenção. Ele sentia o peso da dor dela no ambiente. Era denso… sufocante. Ele sabia que ela não tinha compreendido o que ele queria dizer. E, sendo sincero, não a culpava. Quem conseguiria pensar com clareza depois de perder um filho?
Algo apertou dentro do peito dele.
Diana Ainsworth sempre foi uma mulher forte… mas agora estava destruída. E Stone sentia isso. Respeitava aquela dor. Respeitava a força dela. E queria contar a verdade de um jeito que não a despedaçasse ainda mais.
— Dona Diana… — começou ele, com cuidado — eu sei que talvez a senhora não queira acreditar em mim—
Ele parou abruptamente quando outra voz atravessou a sala.
— Querida, cheguei.
A voz de Charles ecoou pelo ambiente.
Stone se virou no mesmo instante em que Charles entrou. Assim que viu Stone, ele congelou.
Hoje em dia, qualquer visita da família Wyndham nunca significava coisa boa.
Mas depois de um breve instante, Charles se recompôs. Fosse o que fosse… ele enfrentaria.
— Stone… — Disse ele, forçando um leve sorriso enquanto se aproximava.
— Não esperava te ver aqui.
Stone se levantou imediatamente e apertou a mão dele com respeito.
— Como o senhor está, senhor Ainsworth?
— Estou bem… — Respondeu Charles, olhando de relance para Diana.
— Bem na medida do possível, considerando tudo. A Diana ainda está tentando lidar com o desaparecimento repentino da nossa filha.
— Eu entendo… — Respondeu Stone, com suavidade.
— E dá pra ver o quanto isso pesa nela.
— Por favor, sente-se. — Disse Charles, fazendo um gesto.
Stone voltou a se sentar, agora de frente para eles.
Por um tempo, conversaram sobre coisas leves. Assuntos seguros. Qualquer coisa que evitasse a dor real que dominava o ambiente. Uma empregada entrou em silêncio e deixou alguns lanches e bebidas sobre a mesa de vidro.
Charles perguntou sobre a família Wyndham. Sobre a empresa. Sobre como estavam lidando com tudo aquilo.
Mas antes que Stone pudesse responder, Diana explodiu.
— Pra que fazer perguntas idiotas se você já sabe a resposta? — Disparou ela contra o marido.
Charles ficou sem reação. Abriu a boca… mas não conseguiu dizer nada.
E Diana não parou.
A dor de uma mãe que perdeu a filha transbordou de vez.
— Eles já seguiram em frente, e você sabe disso! — Gritou.
— Nem esperaram o Gabriel se recompor! O império deles vale mais que a minha filha! Mais do que o Gabriel!
Stone permaneceu em silêncio.
— Eles não só escolheram outro líder — continuou ela, amarga — você acredita que a mesma mulher que torturou minha filha agora vai se casar com o irmão do Gabriel? O Carl!
Charles suspirou fundo.
Ele também sabia de tudo isso. Mas, diferente de Diana, ele conseguia enxergar algo que ela, naquele estado, não conseguia.
O império Wyndham era gigantesco. Projetos de bilhões. Investidores. Funcionários dependendo de decisões todos os dias.
O mundo não ia parar porque Isla desapareceu.

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