John sentou silenciosamente atrás de sua grande escrivaninha de madeira em seu escritório particular. O cômodo estava pesado de silêncio. As cortinas grossas do escritório estavam meio cerradas, permitindo que uma luz suave entrasse para suavizar a tensão. Mas nem mesmo aquela luz conseguia aliviar o ambiente como esperado.
Mia e Landon sentavam-se um ao lado do outro no longo sofá à frente dele. Stone permanecia perto da porta, sua postura ereta e composta, as mãos frouxamente cruzadas atrás das costas.
Ninguém falava. O silêncio se estendeu por muito mais tempo do que o necessário.
O rosto de John estava calmo, mas ilegível. Seus olhos não demostravam nada, nenhuma emoção. Stone parecia o mesmo, frio, controlado e vigilante. Mas o rosto de Landon estava retesado de raiva. Sua mandíbula estava cerrada, seus ombros rígidos. Mia sentava-se ao lado dele, com as sobrancelhas franzidas em preocupação. A expressão de desgosto em seu rosto recusava-se a sumir.
Ela estava exausta.
Tanta coisa havia acontecido naquela família, um problema após o outro, e parecia que não haveria fim. Toda vez que ela pensava que as coisas finalmente se acalmariam, algo mais explodia.
Ela sentia muita falta de Alfred.
Quando Alfred estava vivo, tudo parecia diferente. Embora fosse velho, ele lidava com cada problema com sabedoria e força calma. Ele sabia como proteger a família sem despedaçá-la. Sob o comando dele, todos se sentiam seguros.
Agora sem ele, tudo parecia estar desmoronando.
Mia mexeu-se desconfortavelmente no sofá.
— Pai. — Disse ela finalmente, quebrando o silêncio. Sua voz tremeu levemente ao falar.
— O senhor ainda não respondeu à minha pergunta. Por favor, diga-me o que está acontecendo.
John ergueu os olhos lentamente e olhou diretamente para ela.
— A pergunta que você deveria estar fazendo — disse ele calmamente — é por que Landon estava trabalhando para o nosso inimigo.
Mia arfou alto.
Sua respiração parou na garganta, e ela se virou bruscamente para olhar para o marido. Seus olhos estavam arregalados de choque e medo.
Landon no entanto, não se moveu.
Ele não pareceu surpreso. Também não pareceu culpado. Ele simplesmente ficou sentado ali, com o rosto ainda endurecido pela raiva.
— O que o senhor quer dizer? — Mia perguntou, com a voz trêmula. Ela olhou entre John e Landon, confusa e assustada.
— Do que o senhor está falando?
Antes que John pudesse responder, Landon falou de repente.
— Não, pai. A verdadeira pergunta aqui é por que o senhor, de repente, está se tornando tão reservado. — Ele retrucou, inclinando-se para frente.
Sua voz era afiada, cheia de uma frustração que claramente vinha crescendo há muito tempo.
— Como o senhor pode sequer pensar que eu faria algo assim? — Continuou ele, irritado.
— Como pôde me acusar de trair esta família?
John não aumentou o tom de voz. Em vez disso, recostou-se levemente em sua cadeira.
— Então me explique por que você estava nos seguindo. Por que estava vigiando meus movimentos? — John respondeu firmemente.
— Para descobrir o que o senhor estava escondendo. — Landon rebateu imediatamente.
— Por que mais eu faria isso?
A sala mergulhou em silêncio novamente.
O ar parecia denso e pesado, como se ninguém conseguisse respirar adequadamente.
Landon respirou fundo e continuou, com a voz mais baixa, mas crescendo em intensidade.
— Muita coisa tem acontecido nesta família. — Disse ele.
— E o senhor me excluiu. Parou de falar comigo. Parou de confiar em mim.
Ele se levantou lentamente, os olhos fixos em John.
— Eu também sou um membro desta família. — Disse ele com firmeza. —
Mesmo que o senhor não seja meu pai biológico, eu cresci aqui. Esta é a minha casa. Estas são as minhas pessoas.
Sua voz falhou levemente.
— Mas, obviamente, o senhor não vê as coisas dessa forma. — Acrescentou ele amargamente.
— Porque agora, o senhor me trata como a porra de um criminoso. — Ele se sentou novamente.
As palavras atingiram John como um tapa. E doeu.
Mia arfou baixinho e imediatamente agarrou a mão de Landon, seus dedos tremendo. O medo passou por seu rosto enquanto ela olhava para os dois homens que mais amava.
John cerrou a mandíbula.
As palavras de Landon ecoavam em seus ouvidos, e eram dolorosas.
— Existem coisas que devem ser feitas em segredo. Esse era o jeito do meu pai. Alfred protegeu esta família com estratégia e silêncio. E funcionou. — John disse finalmente. Sua voz era calma, mas firme.
Ele se inclinou para frente agora, os olhos travados em Landon.
Mia soltou um fôlego que não percebera que estava segurando.
Landon encarou John.
— Então quem era? — Landon perguntou baixinho.
— Magdalene. — Respondeu John.
— Ela era a traidora.
Mia arfou novamente, desta vez cobrindo a boca com as duas mãos.
— O quê? — Os olhos de Landon se arregalaram.
— Magdalene? Ela serviu a esta família por anos. Ela é como se fosse da família.
— Sim, e é por isso que confiávamos nela.
Ele continuou:
— Ela está sob investigação policial agora. Outras duas empregadas também estavam envolvidas, mas tiraram as próprias vidas quando foram pegas.
— Meu Deus. — Sussurrou Mia, as mãos ainda cobrindo a boca.
— Ainda estamos investigando todos. — Acrescentou John.
— Até mesmo Stephen.
Landon assentiu lentamente, mas sua expressão brincalhona habitual havia sumido. Ele ainda sentia a dor de ter sido um suspeito.
Então, ele fez a pergunta que estava em sua mente.
— Por que o senhor concordou com o casamento de Carl e Delphine? — Perguntou ele.
— Depois de tudo o que sabe sobre ela?
Os lábios de John se curvaram em um sorriso tênue.
— Se Carl quer a Delphine — disse ele calmamente — por que eu deveria impedi-lo?
Landon estudou John cuidadosamente. Ele conhecia aquele sorriso, e o reconhecia bem demais. John estava escondendo algo novamente, óbvio que não havia como John permitir aquele casamento sem um motivo.
Landon riu para si mesmo internamente. John estava se tornando cada vez mais parecido com Alfred.
E o que quer que ele estivesse planejando, Landon sabia que a verdade viria à tona em breve.

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