O oficial Mathew avançou devagar. Abaixou-se e pegou as duas armas sofisticadas com as mãos enluvadas. Eram pesadas, bem polidas, nada comuns. Ele as girou levemente, analisando a fabricação, o gatilho, cada detalhe no metal.
Um leve sorriso surgiu nos lábios.
— Interessante… — Murmurou, mais pra si mesmo do que pra qualquer um.
Ele se endireitou e virou-se para Magdalene. O olhar era afiado, frio, experiente.
— Mulher, de onde você tirou essas armas? Quem te deu isso? — Disse firme.
Magdalene ficou parada. As mãos tremiam levemente, o rosto pálido. Mas não disse nada. Os lábios permaneceram selados. O olhar fixo à frente, evitando qualquer contato.
O oficial Mathew soltou uma risada baixa, já tinha visto aquele tipo de silêncio muitas vezes. Sabia exatamente como gente como Magdalene pensava, acreditavam que ficar caladas ia protegê-las e que, se não dissessem nada, não poderiam ser culpadas.
O tipo que prefere chamar advogado antes de abrir a boca. Esperta… até demais. Ele não perdeu tempo perguntando de novo pois seria inútil. Em vez disso, virou-se para Stone.
— Acho melhor você ir com a gente pra delegacia. — Disse com calma.
— Confia em mim, a gente faz eles falarem rapidinho.
Stone assentiu de leve. Mas mesmo concordando, os olhos não saíam de Magdalene. Ela desviava completamente, como se fugir do olhar dele fosse possível.
Ela tinha sido pega e ainda assim Stone sentia a incredulidade se retorcendo dentro dele. Quem diria que Magdalene não era quem todos pensavam?
Por anos, foi leal. Por anos, teve a confiança de todos, Gabriel, Isla, a casa, os segredos da família.
E mesmo com toda experiência, todo treinamento… Stone percebeu que também confiou nela, e aquilo doía mais do que ele queria admitir.
Magdalene e o jardineiro foram puxados pelos policiais e jogados dentro da viatura, nenhum dos dois resistiu, não esboçaram som algum.
Stone ficou parado na entrada da mansão, enquanto seus homens trancavam tudo e reforçavam a segurança da propriedade. O som das sirenes cortava o ar, as luzes vermelhas e azuis piscando pelo terreno como um aviso.
Stone observou até sumirem de vista e só então virou as costas.
Longe da propriedade dos Wyndham, nos arredores de Carminton, perto de um vilarejo silencioso chamado Nadea, erguia-se um muro alto.
Atrás dele tinha uma mansão antiga e isolada com homens armados que patrulhavam o local o tempo todo. Dentro da mansão, Stephen Winthrope, avô de Delphine, estava em seu grande escritório.
Vestido todo de preto, camisa, calça. No pescoço, uma corrente grossa de ouro com um pingente em forma de caveira repousando no peito. Na mão havia uma urma que ele segurava com naturalidade, como se fosse parte dele.
Três homens estavam diante dele, de cabeça baixa.
— Você é um dos melhores que eu tenho, Razor. — Disse Stephen, frio, mas com o tom de voz raivoso.
— E mesmo assim… falhou comigo.
Ele praticamente cuspiu as palavras.
— A gente tinha a chance perfeita de acabar com aquele homem — Continuou.
— Mas não… nem um trabalho simples você conseguiu fazer direito.
Os três permaneceram em silêncio. Stephen começou a andar ao redor deles, devagar, como um predador rodeando presas fracas.
As fontes dele já tinham contado tudo, o único homem entre ele e o controle total da família Wyndham era Stone Dawson.
Stone não era só um ex-militar, ele era treinado em inteligência nacional, um estrategista, um cara que pensava dez passos à frente.
Stephen não era idiota de subestimar alguém assim. Publicamente, Stephen Winthrope era conhecido como dono de cassino, mas os rumores diziam outra coisa, que ele tinha conexões profundas com a máfia.
Não era o chefe, mas era perigoso demais. Sempre querendo mais, mais poder, mais influência e claro, mais controle.
Ele respirou fundo, se controlando.
— Temos um problema maior agora. Lene foi pega. Outros podem ter sido também. Não consigo contato com eles.
Ele se aproximou dos homens.
— Quero que tirem a Lene de lá, açam o que for preciso. Ela é valiosa. — Ordenou.
— Sim, senhor. — Responderam em uníssono.
De volta à mansão dos Wyndham, Mia estava inquieta, não conseguia parar, Landon estava desaparecido, Sia estava desaparecida e até Gladys tinha sumido.
A casa parecia vazia e silenciosa demais.
Mia andava de um lado pro outro na sala, o coração disparado. Nem os funcionários estavam ali. Até Stephen, o mordomo, tinha sumido. Era como estar sozinha num vazio.
Havia ligado pra John mais cedo, ele mandou ela se acalmar dizendo que estava tudo sob controle e prometeu que chegaria logo. Mas o "logo" já tinha virado quase duas horas.
Mia não aguentava mais esperar, foi quando decidiu que iria até a delegacia sozinha denunciar o desaparecimento do marido, ela não ia ficar parada.
Pegou a bolsa, as chaves do carro e caminhou rápido até a porta.
Quando chegou… A porta se abriu e John entrou, Stone vinha logo atrás, e atrás deles vinha Landon.
O rosto de Mia se iluminou na hora ao ver o marido. O alívio veio forte. Mas sumiu no mesmo instante quando ela viu a expressão fechada no rosto dele.
O coração afundou.
— O que tá acontecendo? — Perguntou com a voz trêmula.

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