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A Extraordinária Noiva da Família Wyndham romance Capítulo 295

O escritório de Gabriel Wyndham não se parecia em nada com o restante da casa.

O foyer era grandioso. A sala de estar, elegante. Mas este cômodo... este cômodo carregava autoridade.

Prateleiras de mogno escuro revestiam as paredes do chão ao teto, repletas de livros encadernados em couro, prêmios emoldurados, plantas arquitetônicas de cidades que carregavam o nome Wyndham. Uma grande pintura a óleo de Alfred Wyndham, o patriarca, estava pendurada acima da lareira.

A escrivaninha no centro era maciça, elegante e imponente. E atrás dela sentava-se Gabriel Wyndham.

Aurelian e Mercy estavam sentados juntos em um sofá de couro preto de frente para ele. Isla sentava-se um pouco ao lado, em outro sofá perto da janela, com as mãos cruzadas graciosamente no colo.

O ar parecia mais pesado ali. Muito diferente do lado de fora.

O braço de Aurelian repousava atrás de Mercy ao longo do encosto do sofá, sem chegar a tocar os ombros dela, mas perto o suficiente para que o calor dele fosse inegável. Sua coxa encostava na dela. "É aqui que nos provamos."

Gabriel recostou-se em sua cadeira. Ele não estava sorrindo. Estava observando.

— Então vocês estão casados. — Começou ele calmamente.

Não era uma pergunta.

— Sim, pai. — Respondeu Aurelian de forma equilibrada.

Os olhos verdes de Gabriel voltaram-se para Mercy.

— E você aceitou de livre vontade?

Mercy endireitou-se ligeiramente.

— Sim, senhor.

O olhar de Isla suavizou-se diante da resposta dela. Gabriel uniu as pontas dos dedos.

— Eu já vi casamentos formados por pressão. — Continuou ele.

— Por estratégia, por medo. Eles raramente sobrevivem.

O maxilar de Aurelian tensionou-se ligeiramente. Gabriel percebeu.

— E eu já vi casamentos formados por orgulho. — Prosseguiu Gabriel.

— Esses fracassam ainda mais rápido.

O silêncio se seguiu. Ele inclinou-se um pouco para a frente.

— O que eu quero saber — disse ele baixinho — é qual destes é o de vocês.

A pergunta deixou a sala pesada demais, os batimentos cardíacos de Mercy aceleraram. Antes que ela pudesse responder, sentiu a mão de Aurelian se mover. Ele não hesitou desta vez, seu braço saiu de trás dela e envolveu totalmente sua cintura, puxando-a para mais perto de seu corpo.

O movimento foi deliberado. Foi possessivo e protetor.

As sobrancelhas de Gabriel ergueram-se quase imperceptivelmente. Aurelian falou calmamente.

— Isso não é orgulho. — Disse ele.

— E não é pressão.

Gabriel esperou.

— E não é uma estratégia. — Acrescentou Aurelian. Mercy sentiu a firmeza na voz dele.

O olhar de Gabriel voltou-se para ela.

— E você? — Perguntou ele.

— O que você vê no meu filho?

A pergunta a pegou desprevenida. "O que eu vejo nele?"

Ela olhou para Aurelian, mas ele não estava olhando para ela. Estava olhando diretamente para o pai. No entanto, sua mão na cintura dela apertou ligeiramente. Uma garantia silenciosa. Então, ela inspirou suavemente.

— Ele... não é fácil. — Admitiu ela com doçura.

Os lábios de Isla tremeram de leve em um sorriso. A expressão de Gabriel não mudou.

— Mas ele é honesto. — Continuou Mercy.

— Ele é direto e protetor.

Sua voz tornou-se mais firme.

— Ele ouve mais do que fala, e quando ele fala, é algo importante.

Os olhos de Aurelian voltaram-se para ela. Ele não havia percebido que ela o observava tão de perto.

— Ele toma decisões rapidamente — prosseguiu ela —, mas não as toma de forma descuidada.

Os dedos de Gabriel tamborilaram levemente uma vez contra a mesa.

— E você o ama? — Gabriel perguntou sem rodeios.

A palavra ficou no ar. "Amor."

Mercy engoliu em seco, ela poderia mentir, poderia exagerar. Mas Gabriel Wyndham veria através disso. Ela virou a cabeça em direção a Aurelian. Ele estava olhando para ela agora. Sem comandar, sem controlar. Estava apenas observando.

Então ela falou suavemente:

— Ainda estou tentando entendê-lo melhor.

Os olhos de Aurelian suavizaram-se.

— E eu quero entendê-lo. — Acrescentou ela.

Não havia encenação em sua voz. Nenhum floreio dramático. Ela apenas disse a verdade.

O olhar de Gabriel voltou-se para o filho.

— E eu respeito isso.

Ele apertou o abraço em torno de Mercy novamente, seu polegar roçando levemente a cintura dela.

— Ela não precisa do meu nome para sobreviver, mas ela o aceitou.

O coração de Mercy saltou. Gabriel os observou cuidadosamente. Não as palavras desta vez, mas os olhos deles e a linguagem corporal.

A forma como o polegar de Aurelian traçava círculos distraídos na lateral do corpo de Mercy, a maneira como Mercy se inclinava sutilmente para ele sem perceber, a forma como olhavam um para o outro quando não sabiam que estavam sendo vigiados.

Gabriel passou décadas lendo pessoas, e percebeu que aquilo não era encenado, era real. Então, ele exalou lentamente.

— Casamento — disse Gabriel finalmente — não é sobre intensidade. É sobre resistência.

Nenhum deles falou.

— Vocês nem sempre vão gostar um do outro. — Acrescentou ele com calma.

— Mas devem escolher um ao outro.

Aurelian assentiu, e Mercy o seguiu. O olhar de Gabriel suavizou-se um pouco.

— Eu não vou interferir. —Disse ele.

— Mas se você a machucar...

Seus olhos cravaram-se no filho. É claro que Aurelian não desviou o olhar.

— Eu não vou.

Não houve desafio. Apenas certeza.

Isla levantou-se lentamente de seu assento e caminhou em direção a eles. Colocou a mão gentilmente sobre a de Mercy.

— Você é da família agora. — Disse ela calorosamente.

— Isso significa que você está protegida.

Os olhos de Mercy arderam ligeiramente. Gabriel levantou-se. A conversa havia terminado.

— Por enquanto. — Disse ele.

Quando Aurelian se levantou, ele não soltou Mercy imediatamente. Em vez disso, olhou para ela. Havia algo diferente em seu olhar. Algo mais quieto, mais certo.

Gabriel observou aquele olhar. E pela primeira vez desde que soubera do casamento, ele acreditou.

Não por causa das palavras deles, mas pela forma como seu filho olhava para ela. Como se tivesse escolhido algo... e não estivesse disposto a deixar escapar.

— Juntem-se a nós para o almoço. — Disse Gabriel calmamente.

Então ele voltou-se para sua mesa novamente. A reunião estava encerrada.

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