Após a reunião no escritório de Gabriel, Mercy retornara à sala de estar para se juntar a Elara. No entanto, Aurelian seguiu sua mãe até o quarto dela.
Ele parou junto à janela. Isla sentou-se na beira da cama, observando o filho com atenção. Raramente ele a procurava assim, num estado vulnerável.
— Eu disse ao pai o que ele precisava ouvir. — Disse Aurelian baixinho.
Isla inclinou a cabeça.
— Mas?
Ele exalou lentamente.
— Ela não me ama.
O coração de Isla apertou-se.
— E você? — Perguntou ela gentilmente.
Aurelian não hesitou.
— Eu a amo.
A confissão pairou no quarto como algo frágil. Seu filho, o menino que nunca demonstrara interesse por garotas, o homem que se protegeu como uma fortaleza estava agora apaixonado, e sem saber se era correspondido.
Isla levantou-se lentamente e caminhou até ele. Tocou seu armário.
— Ela sabe?
— Não.
— Por quê?
Ele franziu a testa ligeiramente.
— Ela acabou de sair de um relacionamento. Foi traída. Foi vendida como propriedade pelos próprios pais. Depois, foi forçada a entrar num casamento com o Adam. — O maxilar dele se tensionou.
— Ela ainda está se curando.
Isla assentiu devagar.
— Isso explica a hesitação dela.
Ele olhou para a mãe.
— Ela não olha para mim da forma que eu quero que olhe.
Ah. Aí estava. Isla sorriu gentilmente.
— O amor nem sempre é imediato. — Disse ela suavemente.
Ele se voltou totalmente para ela agora.
— Mãe, você amou o papai primeiro.
Ela riu levemente.
— Sim.
— E ele amava outra mulher.
A lembrança brilhou nos olhos dela.
— Sim.
— E ainda assim — disse Aurelian —, você ficou.
— Eu o amo. — Respondeu ela calmamente.
— Mesmo quando dói.
Ela se aproximou, parando ao lado dele.
— Seu pai se casou comigo por obrigação no início. — Admitiu ela. — Ele me respeitava. Ele me protegia. Mas amor? — Ela balançou a cabeça de leve.
— Isso veio depois.
— Como?
— Constância, paciência. Não exigindo afeto, mas conquistando a confiança. — Respondeu ela.
Aurelian ficou em silêncio.
— Ela foi traída, isso deixa o coração cauteloso. — Continuou Isla.
Ele assentiu levemente.
— Então, o que eu faço para mudar isso?
— Continue escolhendo ela. — Disse ela.
— Não com grandes gestos, mas com gestos pequenos e constantes.
Ele olhou para baixo.
— Não quero pressioná-la.
— Então não pressione, mostre a ela segurança. Mostre calor. Mostre que amar você não lhe custará dor. — Respondeu Isla com doçura.
Ele absorveu as palavras dela lentamente.
— E Aurelian? — Acrescentou ela suavemente.

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