Enquanto o telefone continuava tocando, Aurelian o alcançou com relutância, seu maxilar ainda tenso pela interrupção. A tela piscava com o nome de Kendrick.
Ele olhou para Mercy.
A respiração dela havia suavizado, em algum momento entre os beijos fervorosos e a exaustão emocional do dia, ela caíra no sono. A mão dela ainda descansava frouxamente contra o peito dele.
Ele a levantou com cuidado e a colocou gentilmente ao lado dela antes de se levantar. Atendeu a chamada em voz baixa.
— Sim.
Kendrick não perdeu tempo.
— Eles foram presos.
Aurelian afastou-se da cama e moveu-se em direção à janela do chão ao teto, com o olhar fixo na cidade abaixo.
— Explique.
— As acusações de agressão foram registradas. Agimos mais rápido do que eles esperavam. Cane foi levado primeiro. Lydia resistiu mas ela também foi levada. Richard tentou interferir e foi detido. Seu sogro também.
Os olhos de Aurelian escureceram ligeiramente.
— E Mona?
— Ela não foi acusada. Os policiais confirmaram que ela tentou impedir a agressão.
Aurelian permaneceu em silêncio por um momento. As luzes da cidade refletiam-se em seus olhos.
— Ótimo. — Disse ele finalmente.
Kendrick continuou:
— A mídia ainda não tomou conhecimento. Mantivemos tudo sob controle.
— Mantenha assim, sem exposição desnecessária. Quero que isso seja tratado de forma limpa. — Respondeu Aurelian.
— Sim, senhor.
A voz de Aurelian baixou de tom:
— Congele o acesso de Richard a qualquer operação comercial conjunta imediatamente. Inicie o aviso de despejo judicial com efeito em sete dias, como planejado.
— Já está em andamento.
— Ótimo.
Houve uma pausa antes de Aurelian acrescentar baixinho:
— Aumente a vigilância em torno das operações de Adam Smith.
Kendrick hesitou ligeiramente.
— Você está pensando à frente.
— Eu não espero que os inimigos ataquem, eu removo as distrações. — Disse Aurelian calmamente
— Compreendo.
— E Kendrick — acrescentou Aurelian, seu tom tornando-se algo mais frio —, certifique-se de que Cane entenda exatamente qual linha ele cruzou.
A resposta de Kendrick foi firme:
— Ele entenderá.
A chamada terminou. Aurelian ficou parado por um momento. Não havia satisfação em sua expressão. Sem vangloria. Apenas certeza.
Justiça não era vingança, era proteção. Ele virou-se lentamente e observou Mercy deitada pacificamente em sua cama. A tensão que estivera em seus ombros antes havia sumido. Seu rosto, embora levemente machucado, parecia mais suave agora.
Ele caminhou de volta para ela. O enorme quarto parecia mais silencioso do que antes, e a tempestade dentro dele havia acalmado, mas não desaparecido. Ele sentou à beira da cama, de forma cuidadosa e gentil, e ficou ali a estudando.
— Como você encontrou o caminho para a minha vida?
A pergunta veio de repente, por anos ele construiu muros. Depois de saber sobre o casamento complicado de seu pai, depois de ver o poder distorcer relacionamentos e depois de decidir que o amor era uma fraqueza.
Ele escolhera o controle em vez disso, a distância e a disciplina. Deixou claro para cada mulher que tentasse se aproximar que ele estava indisponível e inalcançável. Até mesmo para Jasmine. Ele sempre fora cuidadoso, sempre distante e intocável.
Mas então, Mercy McKnight entrou em sua empresa e o desafiou em seu primeiro dia. Ela se postara na frente dele como se não estivesse intimidada pelo seu sobrenome. Só isso já o intrigara. Mas não foi apenas isso
Fora a maneira como ela trabalhava. A maneira como analisava relatórios sem hesitação. A maneira como defendia sua posição quando acreditava estar certa. Ela não estava tentando impressioná-lo. Não estava tentando flertar, ela era simplesmente ela mesma.
E, de alguma forma, isso foi o suficiente.
Ele estendeu a mão lentamente, afastando uma mecha solta de cabelo loiro de sua bochecha. Ela se mexeu levemente, mas não acordou. Os dedos dele demoraram-se ali.
— Você quebrou cada muro que eu construí.

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