O sol da manhã entrava pelas altas janelas arqueadas do grande salão de jantar da mansão Wyndham, enchendo o espaço de luz dourada. Cintilava na prataria e nos cristais, dançando sobre a longa mesa de mogno que cabiam dezenas.
O ambiente tinha um cheiro ao mesmo tempo aconchegante e prazeroso: café recém-coado, doces quentinhos saindo do forno, bacon estaladiço e o frescor cítrico de laranjas e toranjas fatiadas, cuidadosamente arrumadas em travessas.
Os talheres tilintavam gentilmente contra os pratos de porcelana. Vozes baixas misturavam-se em um murmúrio agradável de conversa. De vez em quando, uma explosão de risadas infantis sobressaía ao ritmo calmo da manhã.
Toda a família Wyndham estava reunida para o café da manhã.
Apesar das grandes apresentações e celebrações do dia anterior, ninguém parecia ansioso para ir embora, havia uma sensação de contentamento pairando no ar, como se todos quisessem prolongar aquele raro momento de união por mais um pouco. A propriedade parecia viva, viva daquela maneira que apenas uma casa de família pode parecer quando gerações a preenchem com calor e movimento.
Em uma das extremidades da longa mesa estava Aurelian. Mercy ocupava o assento imediatamente à direita dele, a postura dele era relaxada, mas atenta; ombros largos e eretos, sua presença naturalmente autoritária mesmo quando estava em silêncio. Um braço descansava casualmente sobre o encosto da cadeira de Mercy, com seus dedos ocasionalmente roçando o tecido da manga dela, como se precisasse da confirmação de sua proximidade.
Mercy parecia mais suave esta manhã. Usava um suéter creme simples por dentro de calças de linho folgadas, uma elegância discreta que a fazia parecer graciosa sem esforço. Seu cabelo estava preso frouxamente na nuca, com algumas mechas suaves moldando seu rosto. Apesar da noite tardia e da exaustiva reunião familiar, ela parecia descansada e calma. Bebia seu suco de laranja lentamente, observando a sala com curiosidade silenciosa e afeto.
Do outro lado da mesa, Sebastian e Ava ocupavam o trecho central. Sebastian recostava-se confortavelmente em sua cadeira com a facilidade de um homem que nunca fora capaz de levar a vida muito a sério. Um braço envolvia preguiçosamente o encosto da cadeira de Ava, enquanto o outro repousava perto de sua xícara de café. Ava estava ao seu lado, brilhante e brincalhona como sempre, ocasionalmente cutucando-o sempre que ele provocava demais as crianças. Seus três filhos, Oliver, Lily e Sofia, estavam espalhados ao redor deles, remexendo-se em seus assentos bem inquietos, mas Sofia sentava-se perto de Mercy.
Elara estava sentada à frente deles com seu marido Kenneth, gesticulando animadamente enquanto falava sobre algo que claramente exigia ênfase dramática. Ao lado deles, os gêmeos travessos de Elara, Tray e Tracy, moviam-se como pequenos redemoinhos. Pulavam entre as cadeiras, roubando pedaços de pratos que não lhes pertenciam e fugindo antes que alguém pudesse impedi-los.
Na cabeceira da mesa estava Gabriel Wyndham. Ele presidia silenciosamente, mas sua mera presença ancorava toda a sala. A autoridade parecia assentar-se naturalmente sobre ele; cada linha de seu rosto carregava a confiança tranquila de um homem que liderara a família por décadas. Isla estava ao seu lado, ela irradiava elegância sem esforço enquanto servia café para os que estavam por perto, ocasionalmente sorrindo com as travessuras das crianças.
Perto das janelas altas sentavam-se John e Gladys Wyndham. Os bisavós observavam tudo com afeição divertida; seus anos lhes concediam o privilégio de simplesmente observar o caos das gerações mais jovens. Mais adiante na mesa estavam Uriel, irmão trigêmeo de Gabriel, com sua esposa Sarah. O filho deles, Desmond, e sua esposa Stephanie sentavam-se ao lado. Landon e Mia conversavam baixinho entre si, compartilhando comentários discretos sobre o café.
Carl Wyndham, o outro irmão de Gabriel — o único que nunca se incomodou com o casamento —, sentava-se no meio da mesa. Seu sorriso relaxado sugeria que ele estava aproveitando imensamente o espetáculo.
Pratos passavam facilmente entre eles: ovos mexidos fofos, croissants dourados e tigelas de frutas silvestres frescas. Havia também parfaits de iogurte com camadas de mel e granola, além de bacon crocante e linguiça. E no centro da mesa, uma pilhaa de panquecas que as crianças insistiram em ter.
A pequena Sophia estava sentada em um assento de elevação ao lado de Mercy. Ela puxou gentilmente a manga de Mercy.
— Titia Mercy. — Disse ela em sua voz brilhante e ansiosa.
Mercy voltou-se para ela imediatamente, e os olhos de Sophia brilharam de animação.
— Suas panquecas ontem foram as melhores do mundo. — Declarou ela.
— Você pode fazer de novo? Por favor?
Tray e Tracy inclinaram-se para frente instantaneamente.
— É!
— Ouvimos dizer que as suas são muito melhores que as do chef!
— Elas têm gotas de chocolate!
A mesa silenciou o suficiente para que as vozes das crianças ecoassem claramente pela sala. Cabeças se viraram para eles, e sorrisos curiosos surgiram. Mercy riu suavemente, as bochechas esquentando um pouco sob a atenção repentina. Ela estendeu a mão e bagunçou o cabelo de Sophia.
— Fico feliz que tenha gostado, querida. — Disse ela gentilmente. — Quem sabe outra hora.

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