Os primeiros raios do amanhecer penetravam as cortinas grossas da suíte principal, suaves e acinzentados depois da noite de tempestade furiosa. A chuva já não passava de um leve tamborilar nos vidros, mas o ar ainda pulsava com as consequências da tormenta, úmido, elétrico, como se o próprio mundo estivesse tomando fôlego.
Lá dentro, o quarto parecia um casulo de calor: as brasas moribundas da lareira brilhavam fracamente, lançando um tom alaranjado sutil sobre os lençóis bagunçados. O aroma de sândalo pairava, misturado ao rastro almiscarado de sua paixão.
Mercy se mexeu, o corpo pesado de exaustão e satisfação. Ela estava deitada de lado, com um braço sobre o peito de Aurelian, seu cabelo loiro espalhado pelo travesseiro como luz solar derramada. Sua pele ainda formigava por causa da noite anterior. Cada toque, cada estocada, gravados em sua memória. Ela moveu-se ligeiramente, e foi então que sentiu Aurelian já acordado, sua ereção pressionando insistentemente contra a coxa dela, rígida e implacável.
Os olhos de Aurelian abriram-se lentamente, as profundezas verdes escurecendo ao observá-la. Ele não havia dormido muito; estava consumido demais por ela, pela maneira como o corpo dela se entregara a ele, os sons que ela fizera ecoando em sua mente como um canto de sereia. Ele virou-se para ela, uma mão deslizando pelo quadril nu, puxando-a para mais perto até que seus corpos se alinhassem perfeitamente.
— Bom dia. — Murmurou ele, com a voz rouca de sono e contenção. Seus lábios roçaram a testa dela, depois desceram para o pescoço, onde ele mordiscou gentilmente o ponto sensível que descobrira na noite anterior.
Mercy estremeceu, um gemido suave escapando de seus lábios. — Bom dia. — Sussurrou ela de volta, sua mão traçando os planos rígidos do abdômen dele.
— Você não dormiu?
— Como eu poderia? — Ele beijou mais abaixo, ao longo da clavícula, sua mão livre envolvendo o seio dela possessivamente. Seu polegar circulou o mamilo, provocando-o até endurecer.
— Com você ao meu lado... nua, quente, cheirando a nós dois. Tudo o que eu conseguia pensar era em te possuir de novo.
A respiração dela falhou quando ele a rolou de costas, acomodando-se entre suas coxas. Ele já se esfregava lentamente contra ela, sua rigidez deslizando pela umidade crescente, a fricção deliberada e torturante. Mercy arqueou-se contra ele, os dedos cravando-se em seus ombros.
— Aurelian... — Ela arfou, as pernas se abrindo mais por instinto. Ela estava tão excitada.
Ele capturou a boca dela em um beijo profundo e reivindicador. Sua língua acariciava a dela em deslizes preguiçosos e sensuais. Uma mão emaranhou-se no cabelo dela, inclinando sua cabeça para aprofundar o ângulo, enquanto a outra mergulhava entre eles. Seus dedos encontraram o centro dela, ainda sensível da noite passada, e ele provocou a entrada com círculos leves como penas.
— Você já está molhada para mim. — Rosnou ele contra os lábios dela.
— Tão responsiva... tão ansiosa. Eu amo como seu corpo reage a mim, como se soubesse que me pertence.
Mercy choramingou, os quadris impulsionando-se contra a mão dele. Ele deslizou um dedo para dentro dela lentamente, curvando-o para atingir aquele ponto perfeito. Depois um segundo, alargando-a gentilmente. Seu polegar pressionava o clitóris em movimentos firmes e rítmicos.
— Quero estar dentro de você, Mercy. — Sussurrou ele, a voz tensa.
— Quero sentir você se apertar ao meu redor de novo... ouvir você gritar meu nome como ontem à noite.

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