O homem sabia que tinha errado dessa vez, mas o fato de ninguém o culpar só tornava tudo mais inquietante. Era como se todos estivessem naturalmente escolhendo a situação que mais os beneficiava, e ninguém se importava com o sacrifício de Yunice.
Quando as pupilas dele tremeram e seu rosto se contorceu em uma hesitação dolorosa, Elsie pegou sua mão e disse sinceramente: “Você fez a coisa certa! Wyatt nasceu podre, e o Morgan só tinha uma má reputação. Ela se recusou a seguir sua orientação, estava destinada a sofrer por isso cedo ou tarde!”
Ele deu um aceno meio sem vontade. Parecia que a ouviu…, mas também que não.
Então Lily se sentou com um olhar preocupado e murmurou: “Ela é uma criança teimosa. O que mais me assusta agora é, e se realmente tentar prestar queixa contra você?”
Owen respondeu: “Ela não tem prova. A polícia não vai acreditar nela.”
“Mas e se ela pedir ajuda ao Wyatt?”, Lily disse ansiosamente. “Esqueça a falta de evidências, ele poderia facilmente fabricar algumas e te mandar para cadeia!”
Owen congelou, e a ansiedade passou por seu rosto.
Elsie apertou a palma da mão, seu rosto se contorcendo de ciúmes. Wyatt. Sempre o Wyatt! Como ela tem tanta sorte? Caiu tão baixo, e mesmo assim ainda encontra alguém para se apoiar, alguém que a ajuda a virar o jogo!
Lily ainda estava quebrando a cabeça pensando em maneiras de ajudar o filho, quando de repente lembrou de algo. “Como você encontrou a Yunice?”
A expressão dele ficou inquieta. Não queria responder.
Lily ficou impaciente. “Vamos lá, me conta!”
Ele hesitou, gaguejou, e então finalmente desistiu de fingir. “Contratei alguém para fazer o roubo no cemitério…”
Com medo de que Lily ficasse furiosa, acrescentou rapidamente: “Mas eu não toquei no túmulo do meu pai!”
A mulher congelou, precisando de alguns segundos para juntar as peças.
Longe de estar brava com a desobediência dele, parecia aliviada, como se um peso tivesse sido tirado. “Então foi isso que aconteceu… Todo mundo tem uma fraqueza, algo que não suporta…”
Então, calmamente, disse: “A fraqueza dela é o túmulo do pai dela.”
Enquanto mantivesse o túmulo de Will sob sua vigilância, poderia controlá-la. Ela não ousaria levar as coisas adiante.
Owen e Elsie entenderam o que a mãe quis dizer, mas nenhum dos dois disse nada, nenhum queria ser o vilão.
Afinal, eram os filhos. Não podiam ser os que desrespeitassem o local de descanso do pai.
Ela só podia esperar que as cinzas de Will fossem suficientes para conte-la.
Contanto que Yunice se comportasse e não causasse problemas com Elsie, não teria que continuar fazendo essas escolhas dolorosas, ou se forçar a fazer algo que se arrependeria.
Owen não voltou naquela noite. Elsie já havia adormecido na cama do hospital.
Lily se deitou no catre do acompanhante, adormecendo e acordando de novo e de novo.
O que a assombrava de dia a encontrava nos sonhos à noite. Toda vez que fechava os olhos, sonhava com a cena em que quase cortou o dedo da filha com a faca.
E a última vez que tentou forçá-la a casar, ela quase a estrangulou.
Essas memórias a acordavam em terror. Vez após vez, sonhava com a filha deitada sem vida na cama depois de ser estrangulada, e toda vez que isso acontecia, se levantava em um suor frio, caindo do catre e batendo no chão.
Com o coração disparado, olhou ao redor em pânico, só para ver o brilho fraco da luminária de cabeceira. Ainda estava no hospital; Elsie ainda dormia pacificamente na cama ao lado.
A mulher soltou um suspiro e limpou o suor da testa. Mas justo quando ia se levantar, sentiu a mão tocar algo no chão.

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