A pessoa que filmava se abaixou para dentro da tenda e, quando a câmera se inclinou novamente, Yunice deu um solavanco para trás, com as pernas da cadeira raspando levemente no chão.
O choque a atingiu com muita força.
Dentro da tenda, havia algumas camas de hospital improvisadas, cada uma com um simples suporte para soro.
Alguns pacientes estavam deitados nas camas, enquanto outros, sem camas disponíveis, desabavam fracamente no chão.
Todos compartilhavam as mesmas características e mal se moviam. Seus estômagos estavam enrugados e afundados. Cada inspiração era superficial e longa.
Seus olhos estavam vazios e sem vida. Pareciam já estarem meio mortos.
Wyatt pegou o celular de volta e desligou o vídeo. “Estas são as cobaias atuais do laboratório. Taxa de mortalidade: 100%. Se você ainda insistir em ir, encerrarei toda a operação e mandarei todos para casa.”
“Não!” Yunice quase gritou.
Pelo que acabou de ver, a Wellinges Pharma foi, sem dúvida, a primeira empresa a garantir esses recursos e se preparar para a ameaça.
Eles precisavam encontrar uma solução o mais rápido possível. Quando o vírus inevitavelmente chegasse ao país, não só poderiam minimizar os danos nacionais, como também maximizar a credibilidade de sua empresa farmacêutica.
O laboratório não podia fechar. A pesquisa precisava continuar.
Wyatt usou todo o projeto de pesquisa como alavanca, e Yunice não teve escolha a não ser recuar.
Ainda assim, ela estava claramente infeliz.
Seu mau-humor transparecia em seu rosto enquanto ela se jogava em uma cadeira, recusando-se até mesmo a olhá-lo.
Porém, ficar de mau-humor era inútil. Wyatt não tinha intenção de deixá-la chegar perto do laboratório.
“A partir deste momento, a passagem do último andar está fechada. Laurie e os outros membros do laboratório ficarão lá dentro em tempo integral. Os suprimentos serão transportados de helicóptero para o telhado até o término do projeto.”
Ele a olhou de canto. “Mesmo que quisesse subir agora, não poderia.”
Yunice ficou sem palavras.
Não era de se espantar que Wyatt a tivesse chamado ao seu escritório, tudo para tirá-la do caminho e poder fechar o laboratório.
A frustração que queimava dentro de seu peito aumentou ainda mais.
Wyatt mudou de postura, apoiando os cotovelos na mesa e segurando uma caneta como se estivesse pronto para uma conversa séria.
Qualquer pessoa que o conhecesse saberia que ele raramente tinha tanta paciência.
Normalmente, se alguém o atacasse, o homem ignoraria ou expulsaria a pessoa da sala, com cadeira e tudo.
Mas quando se tratava de Yunice, ele sempre se esforçava para manter a calma, por mais irritado que estivesse.
“Estou sem uma assistente pessoal. Interessada?”
Mesmo que eu não esteja lá dentro, talvez ainda possa contribuir com algumas ideias.
Após três segundos de olhares silenciosos, Wyatt desistiu.
Droga! O que mais eu poderia fazer?
Yunice podia parecer bem-comportada à primeira vista, mas quando se mostrava teimosa, era pior do que qualquer um. Afinal, ela já havia atirado em Wyatt uma vez, totalmente confiante de que o mesmo ainda a mimaria depois.
“Tudo bem”, Wyatt murmurou rispidamente.
Apesar de não estar satisfeito, ao vê-la sorrir com sua resposta, pensou que talvez não fosse tão ruim assim.
No dia seguinte, Yunice reabriu sua clínica.
A Delicatessen ao lado, administrada por Gill, estava indo muito bem. A mulher era extrovertida e simpática, e fazia questão de apresentar a clínica de Yunice a todos os clientes, chegando a inventar todo tipo de histórias absurdas e exageradas para atrair as pessoas.
Sempre que havia pacientes, Yunice os tratava e prescrevia medicamentos. Quando não havia, ela se sentava do lado de fora da clínica, trabalhando em relatórios.
De vez em quando, a jovem também dava uma olhada em Melina. Mas ela sempre enviava as coisas por meio de outra pessoa e nunca ia pessoalmente.
Na cabeça da idosa, ‘Lauren’ deveria estar trabalhando no exterior agora, então não faria sentido visitá-la com tanta frequência.
Porém, mentiras sempre acabam se revelando, mais cedo ou mais tarde.
Yunice só esperava que o tempo atenuasse lentamente o apego de Melina para que, quando a verdade finalmente viesse à tona, doesse um pouco menos.

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