Ele perguntou: — Alguém buscou um pedido para viagem feito ontem às três e pouco da manhã?
Do outro lado, responderam que não.
E perguntaram a Francisco se ele ainda queria, que fariam um pedido novo.
Francisco 'olhou' para Claudia, decepcionado, e abriu a boca. — Não precisa.
Desligou o telefone.
Na noite passada, depois que ela saiu, Francisco não conseguiu dormir e pediu para alguém preparar o pedido antes, para que ela apenas passasse para pegar, sem precisar esperar.
E ela?
Cheia de mentiras!
O coração de Claudia esfriou. Como ela poderia imaginar que Francisco ia fazer o pedido antes?
No passado, ele só se importava com Sophia, nunca pensava se ela estava cansada ou tendo problemas.
Com a situação naquele ponto, Claudia só podia ficar em silêncio.
Mas Francisco não ficou bravo. Apenas disse com frieza: — Me ajude a subir.
Olhando para o braço esquerdo que ele estendia, aquela calma fora do comum deixava o ar pesado.
Claudia não teve escolha a não ser obedecer. Não podia brigar na sala na frente da família.
Assim que entraram no quarto, antes que Claudia pudesse fechar a porta, Francisco usou o pé para fechá-la.
A porta bateu, levantando um vento no rosto de Claudia. Os fios de cabelo voaram e pararam na ponta de seu nariz.
Claudia não se moveu.
Ela o viu se soltar e dar passos largos até a janela, estendendo a mão para pegar um maço de cigarros guardado em uma gaveta que não era aberta há muito tempo.
Com os dedos, sacudiu a caixa algumas vezes até que um cigarro saiu. Ele o pegou e colocou na boca.
Clique!
O barulho do isqueiro acendendo finalmente tirou Claudia dos seus pensamentos.
— Você não pode fumar. — Ela franziu a testa e foi tentar impedi-lo.
Francisco parecia não ouvir. Deu uma longa tragada e, sem dó, soltou a fumaça na direção dela, que se aproximava.
Toda a ação foi metódica, mas carregava um toque ameaçador.
Claudia se aproximou, mas não ousou tentar tirar o cigarro da mão dele, temendo um surto.
O comportamento violento e impaciente que ele demonstrou no mês seguinte à perda da visão ainda estava fresco na memória dela.
— Francisco... — ela tentou convencê-lo.
A mão do homem que segurava o cigarro se levantou, sinalizando para ela ficar em silêncio.
Claudia teve que explicar tudo sobre a noite passada. Ela só estava com preguiça, não estava traindo.
Mas depois que ela terminou, o rosto de Francisco ficou ainda pior.
Um instante depois, ele soltou uma risada, e os olhos por trás da névoa de fumaça estavam frios. — Eu sou cego, não burro!
Claudia abriu a boca.
A posição dele definia um homem extremamente orgulhoso. Quanto mais ela tentava explicar agora, mais parecia mentira, um verdadeiro insulto à inteligência dele.

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