— Thalassa, a segurança acabou de ligar. Tem um homem no portão pedindo para falar com você.
Thalassa estava prestes a levar um pedaço de panqueca à boca, mas parou no ar, ao lembrar que sua volta a Nova Luz havia sido tão abrupta que não havia avisado ninguém.
Luisa era a única que sabia, a menos que tivesse contado a Zeke, mas este não precisaria de permissão para entrar, pois a casa era dele. Então, não poderia ser ele.
Franzindo a testa, ela perguntou:
— Ele informou o nome?
— Kris Miller. — Respondeu Betty.
Thalassa prendeu a respiração e deixou o garfo cair no prato, sentindo o coração acelerar. “O que diabos ele estava fazendo ali?”
Assim, rangendo os dentes, ela apanhou o celular e, em um gesto rápido, discou o número de Luisa.
— Thalassa? — Luisa atendeu, surpresa. — Nós acabamos de falar há poucos minutos. O que foi?
— Você contou ao Kris que eu estava em Nova Luz? — Thalassa questionou.
— Por que a pergunta? — Luisa arfou, com a voz subitamente alarmada. — Não me diga que ele está aí?
— Ah, ele está sim, lá fora. — Bufou Thalassa. — Você entregou o endereço para ele, não foi? O que te fez fazer isso? Sabe o quanto é perigoso!
— Lassa, eu não dei! — Luisa protestou. — Kris apareceu ontem para te levar naquele encontro no cinema, e eu disse que você estava em Nova Luz. Mas o endereço? Eu não dei! Como poderia, sabendo que ele poderia descobrir seu segredo se fosse até aí?
Thalassa estreitou os olhos, andando de um lado para o outro.
— Então você não deu o endereço?
— Não! Eu juro, nunca faria isso… — Luisa insistiu.
— Isso significa que ele anda me perseguindo.
Houve uma breve pausa antes de Luisa perguntar, agora com a voz preocupada:
— Acha que ele descobriu a verdade?
Thalassa engoliu em seco, obrigando-se a manter a calma.
— Não, ele não descobriu, e nem pode descobrir...
Antes que Luisa pudesse responder, Betty falou novamente:
— Os seguranças estão aguardando instruções. Devem permitir que ele entre?
A mandíbula de Thalassa se contraiu.
— Deixe-me falar com eles. — Ela pegou o telefone que Betty estendeu e, levando-o ao ouvido, ordenou com firmeza: — Sob nenhuma circunstância deixem esse homem entrar, caso contrário, o emprego de vocês estará em risco. Fui clara?
Ao fundo, ela ouviu o chefe da segurança transmitindo a mensagem para Kris.
— Entrada negada. A Srta. Thompson não quer vê-lo.
Em seguida, a voz de Kris, abafada mas inconfundível, atravessou:
— Só estou preocupado. Não vou embora até vê-la e ter certeza de que está tudo bem.
— Ele está se recusando a ir embora, senhora. Devemos removê-lo? — Perguntou o guarda.
Thalassa suspirou, batendo os dedos contra o braço enquanto pensava.
— Não se preocupem. A rua é pública. Se ele quiser ficar lá, que fique, desde que não ultrapasse o portão. Ele vai embora quando cansar.
Do lado de fora, Kris passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— Diga a ela que não vou me mover nem um centímetro até ela falar comigo.
— Se quiser esperar por ela, pode, mas não na calçada. Este é um espaço privado. — Avisou o segurança, parecendo prestes a empurrá-lo.
Com a mandíbula cerrada, Kris deu alguns passos para trás e parou na rua, resmungando entre dentes.
Ele tinha chegado a Nova Luz na noite anterior, mas se hospedara em um hotel porque já estava tarde, e, lembrando-se de que Thalassa cuidara da avó de Zeke enquanto ela vivia, não demorou a deduzir que ela estava ficando na casa dele e acertara.
— Não, Thalassa, ele ainda está lá fora.
O coração de Thalassa deu um salto.
— O que diabos há de errado com ele? — Murmurou. — Ele odeia tempestades!
As lembranças surgiram de repente: Kris se assustava com trovões, embora tentasse disfarçar… E agora estava no meio de uma tempestade, tudo por causa dela.
— Quer que eu diga aos seguranças para deixá-lo entrar? — Betty perguntou suavemente.
Thalassa balançou a cabeça com veemência.
— É escolha dele continuar lá. Se quer ficar na chuva, que fique.
— Mas isso não é apenas chuva, querida. É uma tempestade… Pode ser perigoso para ele.
A mandíbula de Thalassa se contraiu, com o coração disparando no peito enquanto olhava para o andar de cima e depois para a tela do celular.
“Se o deixasse entrar, correria um grande risco de Kris descobrir seu segredo, mas deixá-lo lá fora, em uma tempestade…”
Então, engolindo em seco, ela assentiu.
— Está bem, diga aos seguranças para deixá-lo entrar.
Ao ouvir a sua resposta, Betty sorriu e fez a ligação. Minutos depois, a campainha tocou e, quando ela abriu a porta, Kris entrou encharcado e tremendo visivelmente.
O coração de Thalassa apertou contra a vontade, mas ela reprimiu o sentimento e endureceu a expressão enquanto Kris se aproximava, deixando um rastro de água pelo chão.
— Obrigado… — Kris conseguiu dizer entre dentes que batiam. — Por me deixar entrar.
— Só deixei você entrar porque parecia um mendigo lá fora. — Retrucou Thalassa.
Kris ainda conseguiu esboçar um sorriso, apesar de todo o corpo tremer.
— Bem, é isso que eu sou, um mendigo... Implorando pelo seu amor.

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