Enquanto ainda abraçava o filho, o telefone de Kris tocou. Irritado com a interrupção em um momento tão importante, ele se viu obrigado a soltá-lo e, com relutância, puxou o aparelho do bolso.
Ao ver que era o advogado, desculpou-se rapidamente, levantou-se e caminhou alguns passos para atender à ligação.
Thalassa também notou o nome no visor e acompanhou cada gesto dele com os olhos, percebendo a tensão se acumular em sua expressão à medida que conversava.
Então, quando a chamada terminou, ela se ergueu e foi ao encontro dele no meio do caminho, com a preocupação marcada em seu rosto.
— Aconteceu alguma coisa?
Kris suspirou.
— É a minha mãe. Meu advogado está tentando providenciar a transferência dela para a prisão e levar os processos a julgamento, mas está encontrando resistência. Eu tenho que voltar a Baltimore para resolver isso.
Embora sua voz soasse impassível, Thalassa não se deixou enganar, porque reconheceu a dor nos olhos dele. Aquilo o afetava bem mais do que ele estava disposto a admitir.
Assim, ela ergueu as mãos e segurou o rosto dele com delicadeza, fitando-o com firmeza.
— Kris, eu posso pedir para meus advogados cuidarem disso, ou até voltar pessoalmente e resolver, você não precisa carregar esse peso. Ela ainda é sua mãe, e...
— Uma mãe que tentou destruir a minha vida e machucar a mulher que eu amo? — Kris sorriu de forma amarga. — Uma mãe que causou a morte do meu filho... Do nosso filho? Ela pode ser minha mãe, mas vai enfrentar a justiça por cada crime que cometeu. Eu preciso fazer isso. Por nós e pelo nosso filho.
Thalassa assentiu devagar, consciente de que não teria como fazê-lo mudar de ideia. E embora um pressentimento ruim lhe pesasse no peito diante da decisão dele de enfrentar aquilo sozinho, reconhecia que era necessário para que encontrasse algum tipo de fechamento, e, por mais que doesse, não podia impedi-lo.
— Quando você vai? — Perguntou em voz baixa, já sentindo a falta dele mesmo enquanto ainda o tinha ali.
— Amanhã de manhã. — Respondeu Kris. Ao notar a decepção refletida no rosto dela, apressou-se em acrescentar: — Voltarei assim que tudo estiver resolvido, eu prometo. Mal posso esperar para passar mais tempo com você e com o nosso filho.
Com delicadeza, ele segurou o rosto dela, pousou um beijo suave em seus lábios e logo a envolveu em um abraço apertado, enquanto Thalassa se aconchegava contra o peito dele, confusa com a estranha inquietação que se instalava em seu coração.
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Mais tarde, naquela noite em Baltimore, Karen seguiu de carro rumo à casa da mãe depois de visitar Henry, a quem havia contado sobre a bolsa com as provas contra Linda que escondera ali, e ele a fizera entender que era perigoso mantê-la naquela casa. Então, decidida, ela voltou para recuperar a bolsa e levá-la até Henry, que assegurara possuir um esconderijo muito mais seguro.
Assim que estacionou na garagem, Karen desligou o motor e ficou observando a casa, reparando que as luzes ainda estavam acesas, mas com a certeza de que a mãe já dormia, já que tinha o costume de ir cedo para a cama, um hábito que, naquele dia, lhe servia de vantagem.
No entanto, ao abrir a porta com a chave e atravessar a entrada, Karen não conseguiu sequer respirar, porque Bridget, a empregada, surgiu de súbito da cozinha.
— Boa noite, Srta. Karen. Sua mãe está...
— Onde está a bolsa que você tirou do meu closet?
Aquele era o trunfo dela contra Linda. O único trunfo… Por isso, não podia perdê-lo.
Os olhos de Bridget se arregalaram de espanto.
— O quê? Eu não peguei nada do seu closet! — Gaguejou, balançando a cabeça.
— Não minta para mim! — A voz de Karen se elevou, com a pressão de sua mão aumentando. — Você foi a única que me viu com a bolsa. Diga onde ela está!
— Solte-a. — Uma voz ecoou de repente.
Karen se virou bruscamente e viu a mãe descendo as escadas, com a expressão serena, mas firme.
— Bridget não pegou nada. — Declarou, com o desapontamento evidente em seus olhos ao fitar a filha. — Fui eu quem peguei. Eu tenho todas as provas que você estava tentando esconder.
O estômago de Karen despencou. "Não. Não. Não!"

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