Cada pulsar do coração de Karen ressoava alto em seu peito, acelerado pelo confronto direto com o olhar da mãe.
— Como assim você está com a bolsa, mãe? Você não tinha o direito de tirá-la do lugar onde estava trancada!
Rita desceu as escadas lentamente, sem desviar os olhos dela, e a serenidade em seu semblante só fez a angústia de Karen aumentar.
— Por que está tão nervosa? — Perguntou Rita, com a voz suave, mas carregada de desapontamento. — Não foi você mesma quem disse da última vez que não tinha nada a ver com esconder as provas contra Linda?
Karen sentiu a garganta travar e engoliu em seco no instante em que a mãe parou diante dela, trazendo no rosto o amargor e nos olhos a frieza de quem não pretendia recuar:
— Quando você veio aqui e eu perguntei se estava envolvida, tentou me manipular para que eu deixasse o assunto de lado. Mas aquilo só me deixou ainda mais desconfiada. — Os lábios de Rita se curvaram em um sorriso amargo. — Então, hoje, quando Bridget mencionou a bolsa que você trouxe naquele dia, eu soube na mesma hora o que era.
A cabeça de Karen se virou bruscamente, com os olhos se estreitando enquanto ela sibilava para a empregada:
— Sua fofoqueira desgraçada!
— Não ouse falar com Bridget desse jeito! — Advertiu Rita em tom severo. — A culpa não é dela se você está tentando proteger uma criminosa.
Karen voltou-se para a mãe, com a frustração transbordando.
— Me dê a bolsa, mãe! Por favor. — A voz saiu trêmula de raiva. — Onde ela está?
Num gesto veloz demais para ser previsto, a mão de Rita acertou-lhe o rosto com um estalo que ecoou pelo ambiente, e Karen, atordoada pelo zumbido que tomou seus ouvidos, arregalou os olhos e segurou a face em choque.
— Você não vai falar comigo desse jeito. — Disse Rita em tom perigosamente baixo. — Talvez eu não tenha sido rígida o bastante com você, e talvez seja por isso que tenha se tornado essa pessoa... Insensível.
Ela avançou um passo, com os olhos transbordando de desapontamento.
— Como pôde tentar proteger Linda Miller depois de tudo o que ela fez? Não foi você quem disse que ela a ameaçou no dia em que foi presa, para que retirasse as acusações?
Rita balançou a cabeça, tomada pela tristeza.
— Eu acreditei em você, Karen. Quando disse que Linda a manipulou para cometer aquelas coisas terríveis contra Thalassa anos atrás, eu acreditei…
A voz dela vacilou.
— Mas agora percebo que não era só Linda. Você fez aquilo porque sempre teve inveja da Thalassa.
O estômago de Karen despencou, e as palavras da mãe doeram como lâminas, embora ela tenha engolido a resposta atravessada.
— Você sempre teve mais do que Thalassa. — Continuou Rita. — Cresceu em circunstâncias melhores, mas isso nunca foi suficiente, não é? Sempre sentiu inveja dela.
Os punhos de Karen se cerraram ao lado do corpo.
— Você sempre preferiu a Thalassa. — Acusou, amarga. — Mesmo eu sendo sua filha, e não ela.
Os olhos de Rita suavizaram, com a raiva cedendo lugar à tristeza.
— Isso não é verdade. — Disse em voz baixa. — Eu amo Thalassa como uma filha, sim, mas jamais poderia ser mais do que amo você. Você é minha filha.
A garganta de Karen se apertou.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Incrível Ex-Esposa do CEO Está de Volta!